Pacientes que fazem tratamento contra o câncer são prejudicados com falta de medicamento

Notícias / Pará

Pacientes que fazem tratamento contra o câncer no Hospital Ophyr Loyola, em Belém, dizem que estão sendo prejudicados com a falta de um medicamento usado na quimioterapia. O descaso coloca em risco a vida de quem luta contra a doença.
 

Kátia Oliveira descobriu que estava com câncer de mama em junho deste ano. Ela fez a cirurgia e iniciou o tratamento, mas a paciente levou um susto semana passada, quando chegou para fazer a quimioterapia no hospital Hophyr Loyola, referência no tratamento do câncer no Pará. A sessão foi cancelada.
“Eu fui informada pela enfermeira que não havia medicação e que era para eu e os outros pacientes ficarmos ligando para o hospital para saber se já havia chegado. E dai eles iriam remarcar”, diz Kátia. O medicamento, fundamental para dar prosseguimento à quimioterapia, chama-se doxorrubicina. Kátia está preocupada: “é humilhante para nós ter que pedir apoio às emissoras de TV porque se o governo não cumpre com a obrigação dele ele tem que ser pressionado, porque ele não está fazendo mais que a obrigação dele. É muito triste e revoltante!”.
 

Interrupção de tratamento é prejudicial
 
O medicamento continua em falta no hospital. Os médicos alertam que interromper a quimioterapia de pacientes com câncer é prejudicial ao tratamento. “Na quimioterapia de um modo geral os protocolos são muito bem estabelecidos em termos de dose e de período. Quando você quebra esse protocolo, quando o paciente não realiza a medicação no tempo correto e na dose correta, é óbvio que isso vai trazer prejuízos. E você não pode simplesmente compensar o que não foi feito. Você tem que continuar do ponto onde parou, não dá para complementar o que foi perdido”, diz o médico radioterapeuta Herivelton Freitas.
A doença matou 280 pessoas no Pará em 2016. No mesmo ano, quase 600 pacientes foram diagnosticados com câncer de mama e passaram a ser tratados no hospital Ophyr Loyola. A associação Amigas do Peito lamenta o descaso com os pacientes em pleno mês do Outubro Rosa, em que as campanhas reforçam a importância da prevenção para diagnosticar a doença e salvar vidas. “É muito lindo o Outubro Rosa, muito lindo todo mundo de rosa, mas se chega na reta final no tratamento e não tem medicação, como fica? E ai?”, diz Patricia Peixoto, membro da associação.
 

“Eu me sinto lesada, porque eu cumpro com as minhas obrigações de cidadã. Eu pago os meus impostos e o que a gente espera é que o governo faça a sua parte”, diz Kátia.
O hospital Ophyr Loyola informou que a falta do medicamento foi causada por um atraso na licitação da compra, mas que até esta quarta-feira (25) ele deve estar disponível aos pacientes.

Fonte:G1

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