A chegada do transporte por aplicativo mudou a rotina de deslocamentos em Rondon do Pará, no sudeste do estado. Há cerca de dois meses, moradores passaram a contar com a plataforma 99 como alternativa aos táxis e mototáxis, que tradicionalmente atendem a população de um município sem transporte coletivo.A nova opção, porém, também provocou conflitos entre os profissionais que já trabalhavam na cidade e os condutores cadastrados na plataforma. O episódio mais recente ocorreu na manhã desta terça-feira (22), na Avenida Marechal Rondon, no centro.Veja também Casal é morto a tiros dentro de casa em XinguaraDoação de sangue: veja o que muda com as novas regrasOperação Regicídio apreende drogas em MarabáO que aconteceu entre os mototaxistas e o condutor da 99?O motociclista de aplicativo Adailton Bispo da Silva foi abordado por um grupo de mototaxistas, que questionava o uso de um colete amarelo utilizado para sua identificação durante o trabalho. De acordo com o condutor, alguns integrantes do grupo chegaram a ameaçar retirar a peça à força. Outros mototaxistas intervieram e evitaram que a discussão evoluísse para uma agressão física.Adailton afirma que não aborda passageiros nas ruas para conseguir corridas. Segundo ele, parte dos atendimentos ocorre após solicitações feitas pelo celular, inclusive de pessoas que chegam ao município em ônibus e vans. O motociclista também defende que o colete facilita o reconhecimento por parte dos usuários.Por que os mototaxistas reclamam da concorrência?Para Dieques de Almeida Santos, presidente da Cooperativa de Mototaxistas de Rondon do Pará, a principal questão envolve as diferenças entre as exigências impostas aos profissionais regulamentados e aos trabalhadores de aplicativos.Segundo ele, os mototaxistas precisam cumprir obrigações como pagamento de taxas municipais, vistorias, contribuição ao INSS, cursos de qualificação, padronização dos veículos e aquisição de equipamentos.Na avaliação do representante, essas despesas dificultam a concorrência com os aplicativos, que conseguem trabalhar com outra estrutura de custos. Dieques, porém, afirma que Adailton não deve ser tratado como responsável isolado pelo problema.O que diz o DEMUTRAN de Rondon do Pará?O diretor do Departamento Municipal de Trânsito (DEMUTRAN), Manoel Messias Silva Lima, informou que o órgão não identificou um representante oficial da 99 no município. Sobre o episódio envolvendo Adailton, o departamento informou que o motociclista estava, naquele momento, de acordo com as normas de trânsito vigentes. Por isso, segundo o órgão, não existe atualmente base legal para impedir a circulação de motociclistas que trabalham por aplicativo apenas por exercerem essa atividade.O DEMUTRAN, entretanto, recebe denúncias sobre possíveis irregularidades envolvendo outros condutores de plataformas, como falta de capacete, utilização de calçados inadequados e divergências entre veículos ou placas cadastrados e os utilizados nas corridas.Quando o transporte por aplicativo será regulamentado?A Prefeitura de Rondon do Pará encaminhou à Câmara Municipal um projeto de lei para regulamentar o transporte de passageiros por aplicativo. O presidente da Câmara, vereador Miguel do Ônibus, informou que a proposta está sendo analisada pelas comissões e pelo setor jurídico da Casa. A previsão apresentada é que o texto seja levado à votação até 10 de outubro.Até a aprovação da legislação, a fiscalização continuará baseada nas normas atualmente existentes. A expectativa é que a nova regulamentação estabeleça regras específicas para o funcionamento do transporte por aplicativo e defina as responsabilidades do município sobre o serviço.
Fonte original: https://dol.com.br/carajas/cidades/rondon-do-para/963760/99-gera-tensao-entre-mototaxistas-e-motoristas-em-rondon




