Durante as últimas semanas, analisamos o reajuste da Equatorial Pará, procuramos entender por que um estado que produz tanta energia paga tarifas tão elevadas e mostramos, com faturas reais, quanto esse aumento representa no orçamento das famílias e nos custos das empresas. Agora, chegamos à pergunta mais importante: o que podemos fazer para pagar menos?A boa notícia é que existem alternativas. Algumas exigem investimentos, outras dependem de mudanças de hábitos ou de uma gestão mais eficiente. Há também soluções que permitem reduzir despesas sem investimento inicial. O importante é identificar aquelas que melhor se adaptam ao perfil de cada consumidor.O primeiro caminho é a eficiência energética. Nas residências, o uso adequado de equipamentos, a manutenção e a substituição de aparelhos ineficientes ajudam a evitar desperdícios. No comércio e na indústria, a avaliação de sistemas de climatização, refrigeração, motores e processos produtivos pode revelar oportunidades de economia sem comprometer a atividade.A geração solar também oferece oportunidades. Além dos sistemas próprios, existe a geração compartilhada, conhecida como energia por assinatura. Nessa modalidade, o consumidor recebe créditos de energia de uma usina solar, compensados na conta da distribuidora, sem investimento. A economia depende das condições contratuais. Já a geração própria exige avaliar investimento, regras de compensação e prazo de retorno.Outra possibilidade é o Energy as a Service (Energia como Serviço). Nesse modelo, empresas especializadas podem assumir o investimento, a implantação e a operação de soluções energéticas, enquanto o cliente paga pelo serviço contratado. Isso permite modernizar sistemas de climatização, refrigeração e iluminação, instalar geração solar ou incorporar baterias e sistemas inteligentes de gerenciamento, sem necessariamente utilizar recursos próprios. As baterias também podem armazenar energia para uso nos horários mais caros e oferecer maior segurança no fornecimento. A viabilidade depende do consumo, das tarifas e das condições contratuais.O Mercado Livre de Energia representa uma transformação ainda maior. Consumidores de alta tensão já podem negociar preços e condições de fornecimento. A partir de novembro de 2027, essa possibilidade será estendida ao comércio e à indústria de baixa tensão e, em novembro de 2028, aos demais consumidores, incluindo os residenciais. A distribuidora continuará responsável pela rede elétrica, mas o consumidor poderá escolher seu fornecedor. Outra alternativa para consumidores elegíveis de baixa tensão é a Tarifa Branca, que oferece preços menores fora dos horários de ponta, exigindo avaliação prévia para evitar aumento da conta.Nesta semana, o João Lobato Esclarece ouviu representantes das classes residencial, rural, comercial e industrial sobre os impactos do reajuste. Na próxima, especialistas apresentarão alternativas para enfrentar esse aumento. O objetivo é mostrar que, além de compreender os problemas, precisamos conhecer as soluções disponíveis.O reajuste foi aprovado e já produz efeitos. Mas isso não significa que os consumidores devam permanecer passivos diante de contas cada vez mais elevadas. Informação, planejamento e boas decisões podem transformar uma despesa crescente em oportunidade de economia. O futuro da energia não depende apenas de quanto pagamos por ela, mas de como a consumimos, produzimos, armazenamos e contratamos. Conhecer essas possibilidades é o primeiro passo para pagar menos e utilizar melhor a energia.João de Deus Lobato é engenheiro eletricista, ex-executivo da distribuidora de energia do Pará, articulista do Diário do Pará, DOL e Gazeta do Amapá, consultor em energia e apresentador do podcast ÉLivre com João Lobato.

Fonte original: http://dol.com.br/colunistas/joao-de-deus-lobato/966975/a-energia-ficou-mais-cara-o-que-podemos-fazer-para-pagar-menos