A Espanha iniciou nesta quinta-feira (29/10) três dias de luto oficial após um acidente ferroviário que deixou pelo menos 68 mortos e 108 feridos, dos quais 58 precisaram ser hospitalizados. A colisão entre dois trens na última quarta-feira (28/10), no centro-sul do país, mobilizou equipes de resgate que continuam trabalhando entre os vagões destruídos em busca de outras vítimas. O ministro dos Transportes, Óscar Puente, classificou como "inadmissível" a falha na gestão do controle do tráfego ferroviário.O acidente ocorreu por volta das 8h53, no horário local, a cerca de 150 quilômetros ao sul de Madri. Um trem da companhia estatal Renfe, que fazia o trajeto entre a capital espanhola e Sevilha, atingiu a traseira de uma composição da empresa privada Iryo, que estava parada nos trilhos.CONTEÚDO RELACIONADOColisão entre trens na Espanha deixa ao menos 30 mortos"Vamos deportá-lo no 1º dia": adversário de Trump mira Flávio Bolsonaro nos EUACientistas criam pílula anticoncepcional masculina de efeito rápidoSegundo Puente, uma falha informática no sistema de sinalização provocou a interrupção automática de seis trens que circulavam na região, incluindo as duas composições envolvidas. Pouco depois, o centro de controle autorizou a retomada da viagem do trem da Renfe, decisão que o ministro considerou “errada” e “inexplicável”. Em aproximadamente 15 minutos, a composição percorreu 25 quilômetros antes da colisão. A velocidade no momento do impacto ainda não havia sido determinada.Governo promete esclarecer responsabilidadesA tragédia aumentou a pressão sobre o governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez, que enfrenta críticas sobre a segurança ferroviária às vésperas das eleições antecipadas marcadas para 29 de novembro. O episódio também reacendeu as preocupações com a infraestrutura do país, menos de um ano após outra colisão ferroviária em Adamuz, na Andaluzia, que deixou 46 mortos.Quer mais notícias internacionais? Acesse o canal do DOL no WhatsApp.“Vamos chegar até o fim. E, se houve negligência, a verdade virá à tona”, declarou Sánchez durante visita à área do desastre. Enquanto a investigação avança, equipes de emergência utilizam guindastes para retirar estruturas metálicas retorcidas e acessar os pontos mais danificados das composições.Famílias enfrentam espera angustianteEm Urda, município da região central da Espanha, parte de uma escola foi adaptada para acolher familiares que procuram informações sobre passageiros desaparecidos. Psicólogos e integrantes da Cruz Vermelha prestam assistência às pessoas que aguardam notícias."Serão horas longas e difíceis", afirmou a psicóloga Carmen García, ao descrever o estado emocional dos familiares. A Guarda Civil também instalou postos de atendimento em Madri, Toledo, Córdoba e Sevilha para recolher amostras de DNA que ajudem na identificação das vítimas. Pontos de coleta de sangue foram organizados em Madri e Castela-Mancha.Sobreviventes relatam momentos de terrorOs passageiros que escaparam da colisão descreveram a violência do impacto. O turista peruano Josimar Medina, de 31 anos, que viajava com a namorada, contou que foi surpreendido enquanto descansava. "Eu acordei e estava no ar", relatou.Pablo Mejía, de 42 anos, também sobreviveu ao choque e sofreu ferimentos no rosto. Ele contou que havia mudado de vagão em busca de um assento mais confortável pouco antes do acidente. "Acho que nasci de novo", afirmou. As buscas continuavam, e o presidente regional de Castela-Mancha, Emiliano García-Page, alertou para a possibilidade de novas vítimas serem encontradas durante a retirada dos vagões.

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