O câncer de pâncreas pode se tornar um problema de saúde ainda maior entre pessoas mais jovens nas próximas décadas. Embora a doença continue sendo mais frequente após os 50 anos, uma pesquisa conduzida por cientistas do Brasil e do Canadá aponta tendência de aumento da incidência e da mortalidade entre pessoas com até 49 anos até 2040.Publicado na revista científica JCO Global Oncology, o estudo utilizou informações do Global Burden of Diseases, Injuries, and Risk Factors Study, banco de dados que reúne indicadores de saúde de 204 países e territórios. Os pesquisadores apontam que o chamado câncer de pâncreas precoce poderá estar entre os principais desafios globais relacionados à doença nas próximas décadas.CONTEÚDO RELACIONADOO hábito diário que pode provocar dores no pescoço e nas costasMetformina é a melhor opção no tratamento do diabetes? EntendaConsumo crônico de álcool e cigarro pode causar cegueira, alertam especialistasO oncologista Ramon Andrade de Mello, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, relaciona parte desse movimento a hábitos associados ao estilo de vida, como obesidade, tabagismo, consumo excessivo de álcool e alimentação rica em produtos ultraprocessados.Quer mais notícias de saúde? Acesse o canal do DOL no WhatsApp.Apesar da mudança observada entre pacientes mais jovens, a idade avançada continua sendo um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento do câncer de pâncreas.DOENÇA COSTUMA SER SILENCIOSAUm dos principais obstáculos para o diagnóstico é que o câncer de pâncreas frequentemente não provoca sintomas nas fases iniciais. Segundo o oncologista Diogo Bugano, especialista em tumores do trato gastrointestinal do Einstein Hospital Israelita, em muitos casos a identificação ocorre durante exames de rotina, como exames de sangue ou ultrassonografia abdominal.Quando os sinais aparecem, a doença muitas vezes já está avançada. Entre os sintomas estão náuseas, dor na região do estômago que pode irradiar para as costas, perda de peso sem explicação e icterícia, caracterizada pela coloração amarelada da pele e dos olhos.Essa característica ajuda a explicar a elevada mortalidade do tumor. Nos Estados Unidos, a preocupação com a doença cresceu a ponto de estimular movimentos nacionais de conscientização. A taxa de sobrevida em cinco anos permanece inferior a 20%.BRASIL DEVE REGISTRAR MILHARES DE NOVOS CASOSNo Brasil, as projeções também chamam a atenção. De acordo com estimativas do Instituto Nacional de Câncer (Inca), são esperados cerca de 13.240 novos casos por ano entre 2026 e 2028.Diante da dificuldade de identificar o tumor precocemente, especialistas defendem a avaliação individualizada de pessoas que apresentam fatores de risco.Quando existe suspeita, exames como tomografia computadorizada, ressonância magnética, ultrassonografia endoscópica e biópsia podem ser utilizados para investigar e confirmar a presença da doença.QUEM ESTÁ NO GRUPO DE RISCO?Além da idade, alguns fatores aumentam a possibilidade de desenvolvimento do câncer de pâncreas. Entre eles estão:histórico familiar da doença;mutações nos genes BRCA, também relacionadas a cânceres de mama, ovário e próstata;diabetes tipo 2, principalmente quando surge após os 40 anos;tabagismo;consumo frequente de bebidas alcoólicas;alimentação desequilibrada;dor persistente nas costas sem explicação ortopédica.A presença desses fatores não significa que a pessoa necessariamente desenvolverá o tumor, mas pode justificar uma avaliação médica mais cuidadosa, especialmente quando há combinação de diferentes fatores de risco.TRATAMENTOS ESTÃO AVANÇANDOO tratamento depende do estágio e da localização do tumor. Entre as alternativas utilizadas estão quimioterapia, radioterapia, cirurgia e terapias-alvo, que procuram atuar de maneira mais específica sobre mecanismos das células cancerígenas.Novas estratégias também estão sendo estudadas para ampliar as possibilidades terapêuticas. Um dos exemplos citados pelo oncologista Diogo Bugano são os inibidores de KRAS, medicamentos que atuam sobre proteínas relacionadas a uma mutação genética encontrada em cerca de 90% dos casos de câncer de pâncreas.Segundo o especialista, essas alterações estão relacionadas ao crescimento celular descontrolado. Os medicamentos que atuam sobre a KRAS estão sendo pesquisados em diferentes países e podem ampliar as opções de tratamento no Brasil.Também avançam estudos com novas formas de quimioterapia capazes de penetrar mais profundamente no tecido tumoral e, potencialmente, provocar menos toxicidade.PREVENÇÃO GANHA IMPORTÂNCIAEmbora nem todos os casos possam ser evitados, a mudança observada no perfil dos pacientes reforça a importância de combater fatores de risco modificáveis.O controle do peso, a prática de atividade física, uma alimentação equilibrada e a redução ou abandono do cigarro e do consumo excessivo de álcool fazem parte das medidas que podem contribuir para diminuir riscos relacionados ao câncer e a outras doenças.Com a previsão de aumento dos casos entre pessoas mais jovens, especialistas também defendem maior atenção aos sinais persistentes e aos fatores de risco, sem esquecer que o câncer de pâncreas ainda ocorre predominantemente em faixas etárias mais avançadas.

Fonte original: https://dol.com.br/noticias/te-cuida/962737/cancer-de-pancreas-cresce-entre-jovens-e-pode-avancar-ate-2040-aponta-estudo