O cacique Raoni Metuktire, de 94 anos, foi diagnosticado com um tipo agressivo de câncer no aparelho digestório e passou a receber cuidados paliativos em casa, em Peixoto de Azevedo, no Mato Grosso. A informação foi divulgada pelo Instituto Raoni e confirmada por fontes de imprensa nesta semana.CONTEÚDO RELACIONADOCacique Raoni é diagnosticado com câncer aos 94 anos de idadeCacique Raoni segue em estado grave na UTI após obstrução intestinalCacique Raoni passa por cirurgia e segue na UTI em São PauloExames realizados após uma série de complicações de saúde confirmaram um adenocarcinoma pouco diferenciado, diagnóstico que levou as equipes médicas a avaliar os riscos de tratamentos mais agressivos diante da idade e das condições clínicas do líder indígena.OBSTRUÇÃO INTESTINAL LEVOU RAONI A SÃO PAULOO quadro de saúde se agravou em junho, quando Raoni apresentou uma grave obstrução intestinal provocada pelo tumor. Ele foi inicialmente atendido no Mato Grosso e depois transferido em caráter de emergência para São Paulo.No Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), o cacique passou por uma gastroenteroanastomose, procedimento que cria uma nova passagem para permitir o trânsito dos alimentos e melhorar as condições de alimentação e conforto do paciente.Quer mais notícias nacionais? Acesse o canal do DOL no WhatsApp.A internação também foi marcada por outras complicações. Raoni apresentou pneumonia aspirativa, alterações renais e episódios de sangramento digestivo, além da obstrução intestinal.Após quase um mês no hospital paulista, ele recebeu alta em 15 de julho e retornou ao Mato Grosso.POR QUE OS MÉDICOS OPTARAM PELOS CUIDADOS PALIATIVOS?De acordo com o Instituto Raoni, o diagnóstico do adenocarcinoma foi considerado em conjunto com a idade e as demais condições clínicas do cacique.Raoni utiliza marcapasso e apresenta insuficiência cardíaca, hipertensão, doença pulmonar obstrutiva crônica e uma hérnia diafragmática traumática crônica. Segundo a organização, tratamentos com intenção curativa, como uma cirurgia de maior porte, quimioterapia ou outras terapias oncológicas, poderiam representar riscos elevados diante desse conjunto de fatores.Por isso, a assistência passou a priorizar os cuidados paliativos. Esse tipo de cuidado não significa abandono do tratamento. O objetivo é controlar dores e outros sintomas, prevenir complicações, manter alimentação e hidratação adequadas e proporcionar a melhor qualidade de vida possível.A assistência inclui acompanhamento médico e de enfermagem, fisioterapia, suporte nutricional e monitoramento permanente do estado de saúde.RAONI RECEBE ATENDIMENTO EM CASAApós retornar ao Mato Grosso, o cacique passou a ser acompanhado em uma estrutura de assistência domiciliar organizada pela família, pelo Instituto Raoni, pelos serviços públicos de saúde e por profissionais especializados.O cuidado também considera as tradições do povo Mẽbêngôkre. Raoni, que é pajé, continua recebendo a presença de pajés de sua confiança, em um acompanhamento que combina assistência médica e referências culturais e espirituais indígenas.O Instituto Raoni informou que a prioridade neste momento é garantir conforto, assistência adequada e proximidade com a família e o povo indígena, além de pedir respeito à privacidade do cacique.UMA VIDA DEDICADA À AMAZÔNIA E AOS POVOS INDÍGENASRaoni Metuktire é uma das principais lideranças indígenas do Brasil e ganhou reconhecimento internacional por sua atuação em defesa dos povos originários, dos territórios tradicionais e da Amazônia.Sua projeção mundial aumentou especialmente a partir do fim dos anos 1980, quando passou a realizar viagens internacionais e estabeleceu uma conhecida parceria com o músico britânico Sting em campanhas de defesa da floresta.Ao longo de décadas, Raoni se tornou uma das principais vozes indígenas na luta pela preservação ambiental e pelos direitos dos povos originários.Agora, aos 94 anos, ele enfrenta um momento delicado de saúde e permanece sob cuidados médicos e familiares em Mato Grosso.

Fonte original: https://dol.com.br/noticias/brasil/963002/cancer-do-cacique-raoni-saiba-por-que-medicos-adotaram-cuidados-paliativos