A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) investiga 13 notificações de suspeita de neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica (Noia) em pacientes que utilizavam medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1, indicados para o tratamento do diabetes e da obesidade.Os registros envolvem usuários de Ozempic, Wegovy, Rybelsus e Mounjaro. A agência, porém, ressalta que a existência de uma notificação em que o paciente utilizava um desses medicamentos e apresentou a doença não significa que tenha sido comprovada uma relação de causa e efeito.CONTEÚDOS RELACIONADOSDentista pode prescrever Mounjaro? Buscas surpreendem sites de pesquisaAnvisa proíbe caneta emagrecedora T36 à base de tirzepatidaCanetas emagrecedoras podem afetar a saúde emocional; entenda!A Noia é uma condição rara que afeta o nervo óptico e pode provocar perda súbita e permanente da visão. O problema ocorre quando há redução do fluxo sanguíneo para a região anterior do nervo, fazendo com que as células deixem de receber oxigênio e nutrientes adequadamente.A perda visual costuma ocorrer de forma repentina e, geralmente, sem dor. Em alguns casos, a recuperação da visão pode não ser completa.As 13 notificações relacionadas às canetas correspondem a 12 casos envolvendo semaglutida e um relacionado à tirzepatida.Os registros distribuídos no sistema de farmacovigilância da Anvisa são:5 notificações envolvendo Ozempic;3 notificações envolvendo Wegovy;2 notificações envolvendo Wegovy FlexTouch;2 notificações envolvendo Rybelsus;1 notificação envolvendo Mounjaro.O painel da Anvisa contabiliza, desde 2018, 24 suspeitas de neuropatia isquêmica óptica, incluindo notificações relacionadas a outras classes de medicamentos.Estudos avaliam possível relaçãoA investigação ganhou atenção depois que pacientes nos Estados Unidos ingressaram com processos contra a Novo Nordisk alegando ter desenvolvido Noia após utilizar medicamentos à base de semaglutida.Ao mesmo tempo, pesquisas científicas passaram a avaliar se existe uma possível associação entre a semaglutida e a doença. Até o momento, entretanto, os resultados não são suficientes para estabelecer que os medicamentos provoquem a condição.Um estudo publicado na JAMA Ophthalmology identificou uma possível associação entre o uso de semaglutida e a Noia. Outra pesquisa analisou dados de mais de 1,5 milhão de pacientes com diabetes e encontrou 35 casos da doença entre usuários de semaglutida ou tirzepatida, contra 19 casos no grupo de comparação.Os próprios pesquisadores, porém, ressaltaram que a Noia é uma doença rara e que estudos observacionais não conseguem, sozinhos, comprovar que os medicamentos foram responsáveis pelos casos registrados.Outro levantamento realizado com veteranos americanos portadores de diabetes tipo 2 identificou um risco aproximadamente duas vezes maior de Noia entre novos usuários de semaglutida, quando comparados a pessoas que utilizavam outra classe de medicamentos.Apesar disso, o risco absoluto continuou baixo. Além disso, outras análises não encontraram aumento consistente da ocorrência da doença.Pesquisadores também apontam limitações nos estudos, relacionadas ao desenho das pesquisas, às doenças preexistentes dos pacientes e à própria raridade da Noia.Bula já alerta sobre reação raraNo Brasil, a neuropatia óptica isquêmica anterior não arterítica já consta desde junho de 2025 na bula dos medicamentos à base de semaglutida como uma reação adversa muito rara.A avaliação dos casos é considerada complexa porque muitos usuários desses medicamentos também apresentam condições que podem aumentar o risco de problemas vasculares e oculares, como diabetes, hipertensão e obesidade.Além das notificações de Noia, o painel da Anvisa reúne 74 registros de outras complicações visuais em usuários desses medicamentos.Entre os relatos estão:37 casos de visão turva;29 de comprometimento visual;redução da acuidade visual;perda da visão central;perda súbita da visão;alterações no campo visual.Uma mesma notificação pode apresentar mais de um sintoma. Por isso, os números não representam necessariamente a quantidade de pacientes afetados.O que dizem os fabricantesA Novo Nordisk, responsável por medicamentos como Ozempic, Wegovy e Rybelsus, afirmou que seus ensaios clínicos, que reuniram mais de 83 mil pacientes-ano de observação no braço da semaglutida, registraram um número muito baixo de casos confirmados de Noia.Segundo a empresa, os estudos não demonstraram aumento da incidência da doença entre os participantes que receberam semaglutida.A fabricante também afirmou que, considerando o conjunto das evidências disponíveis, mantém a avaliação de que o balanço entre os benefícios e os riscos da semaglutida permanece favorável.A Eli Lilly, fabricante do Mounjaro, informou que acompanha continuamente os dados de segurança de seus medicamentos e mantém diálogo com autoridades regulatórias sobre possíveis questões relacionadas à segurança, incluindo problemas oftalmológicos.A empresa também orienta que pacientes que apresentarem efeitos colaterais procurem o médico ou outro profissional de saúde responsável pelo acompanhamento.

Fonte original: https://dol.com.br/noticias/brasil/963909/canetas-emagrecedoras-anvisa-investiga-casos-de-perda-de-visao