A investigação sobre a morte de Isabelle Caracristi, de 22 anos, ganhou uma nova etapa no último domingo (20/09), quando a Polícia Civil do Ceará passou a procurar o namorado da estudante, João Munhoz Neto, que não foi encontrado durante as diligências. Isabelle foi localizada morta na noite de 13 de setembro, na área externa do condomínio onde vivia com o companheiro e familiares dele, no bairro Aldeota, em Fortaleza.Durante uma das diligências, a mãe de João foi localizada na Praia do Cumbuco, em Caucaia. Um celular e um tablet pertencentes a ela foram apreendidos por determinação judicial e deverão ser submetidos à perícia. Até o momento, a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS-CE) não informou publicamente por que João está sendo procurado nem confirmou oficialmente que ele seja suspeito da morte. As novas informações foram divulgadas pelo Diário do Nordeste e pela Folha de S.Paulo.CONTEÚDO RELACIONADOEstudante de 22 anos é encontrada morta em condomínio do namoradoCiúme ou controle? Psicóloga explica sinais de uma relação abusivaSetembro Amarelo: como identificar sinais de que uma pessoa não está bem?COMO ISABELLE CARACRISTI MORREUIsabelle foi encontrada morta no condomínio La Piazza, na Aldeota, depois de uma queda do rooftop situado no 23º andar. Segundo a SSPDS-CE, a morte aconteceu por volta das 20h40 do dia 13 de setembro.A perícia identificou no corpo ferimentos compatíveis com o impacto da queda. O exame cadavérico apontou politraumatismo como causa da morte. Já os exames toxicológicos realizados até agora não identificaram substâncias consideradas de interesse toxicológico. Quer mais notícias nacionais? Acesse o canal do DOL no WhatsApp.O resultado, porém, ainda não esclarece uma das principais perguntas do caso: como ocorreu a queda da estudante. A própria SSPDS informou que a dinâmica dos acontecimentos somente poderá ser estabelecida após a conclusão dos trabalhos periciais.MÃE FICOU SABENDO DA MORTE DA FILHA PELA SÍNDICAOutro ponto que chamou a atenção dos familiares foi a última comunicação conhecida entre Isabelle e a mãe. Segundo Isorlanda, na noite de 13 de setembro a filha enviou uma mensagem com a frase "Mãe, eu te amo".A professora respondeu que também amava a filha e pediu que ela tomasse um relaxante muscular, porque Isabelle havia reclamado de dores no pescoço. Depois disso, segundo o relato da mãe, não houve mais contato.No dia seguinte, preocupada com a ausência de notícias, Isorlanda foi ao condomínio procurar a filha. Ela contou que descobriu a morte por meio da síndica e soube que o corpo já havia sido encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML).A família questiona ainda o fato de não ter sido comunicada sobre a morte pelo namorado ou pela mãe dele. Em um vídeo publicado nas redes sociais, Isorlanda também afirmou que, durante a tentativa de obter informações sobre a filha, percebeu que havia sido bloqueada por João nas redes sociais e no WhatsApp.CÂMERAS AJUDAM A MONTAR CRONOLOGIAImagens das câmeras de segurança do condomínio passaram a integrar a investigação e ajudam a estabelecer os horários que antecederam a morte. Conforme informações obtidas pelo Diário do Nordeste, às 18h32 João foi até a portaria do prédio. Pouco depois, ele e a mãe saíram do condomínio em um carro. Às 19h12, Isabelle aparece sozinha em um dos elevadores, com o celular nas mãos, enquanto se dirigia ao rooftop localizado no 23º andar.Cerca de uma hora e meia depois, por volta das 20h40, ocorreu a queda fatal. João voltou ao condomínio somente às 22h48, aproximadamente duas horas depois do horário registrado para a morte.As imagens estão sendo analisadas pelos investigadores. Isoladamente, entretanto, os registros das câmeras não permitem determinar o que aconteceu dentro do apartamento ou no rooftop antes da queda. Para isso, os investigadores precisam cruzar as gravações com perícias, depoimentos e outros vestígios.NAMORADO É PROCURADO PELA POLÍCIA CIVILA SSPDS confirmou que João Munhoz Neto está sendo procurado pela Polícia Civil. Durante uma diligência relacionada ao caso, a mãe dele foi encontrada no Cumbuco.Com autorização judicial, os investigadores apreenderam um celular e um tablet que estavam com ela. Os aparelhos deverão ser examinados para verificar se possuem informações relevantes para a investigação.Até agora, porém, não houve confirmação oficial de que João seja considerado suspeito pela morte de Isabelle.FAMÍLIA RELATA RELACIONAMENTO COM COMPORTAMENTO CONTROLADORParalelamente às diligências policiais, familiares de Isabelle passaram a apresentar relatos sobre o relacionamento da jovem. A mãe dela, a professora universitária Isorlanda Caracristi, afirmou que percebia no namorado da filha um comportamento controlador e obsessivo.Segundo a família, amigos e pessoas próximas também procuraram os parentes depois da morte e relataram episódios que, na avaliação deles, poderiam indicar uma relação abusiva.A advogada Patrícia Viana, que acompanha os familiares, afirmou ao Diário do Nordeste que esses relatos estão sendo encaminhados à Polícia Civil.Entre as informações mencionadas estão supostos episódios de monitoramento e restrições dentro do relacionamento. Também foram citados relatos sobre a existência de possíveis rastreadores nos celulares do casal.A defesa da família, no entanto, ressaltou que esses elementos ainda não permitem afirmar que João tenha provocado um eventual suicídio ou cometido homicídio. Segundo a advogada, qualquer conclusão sobre a responsabilidade pela morte depende do resultado da investigação.CELULAR DE ISABELLE PASSA POR PERÍCIAO telefone de Isabelle foi recuperado e está sob custódia da Polícia Civil. O aparelho já passou por perícia, e os investigadores analisam seu conteúdo.Mensagens, chamadas, dados de localização e outras informações armazenadas no celular podem ajudar a reconstituir os momentos que antecederam a morte. Os aparelhos apreendidos com a mãe de João também deverão ser examinados.A investigação conta ainda com depoimentos. De acordo com a SSPDS, quatro pessoas já foram ouvidas e outras quatro oitivas estão previstas.PERÍCIA VOLTA AO CONDOMÍNIOA investigação teve novas diligências no próprio condomínio neste domingo (20). Equipes da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce) fizeram coleta de vestígios que poderão ser submetidos a exames de DNA.Também foram realizados novos procedimentos nas áreas comuns do edifício e no apartamento.Um drone foi utilizado para produzir imagens adicionais do local, recurso que pode auxiliar os peritos na análise da estrutura do prédio e na reconstrução da possível trajetória da queda.PERGUNTAS QUE AINDA ESTÃO SEM RESPOSTAApesar das novas diligências e da análise de imagens, a investigação ainda precisa esclarecer pontos fundamentais sobre a morte de Isabelle Caracristi.Como aconteceu a queda?O exame cadavérico confirmou politraumatismo e lesões compatíveis com impacto contra o solo, mas a dinâmica da queda ainda não foi determinada.O que aconteceu antes da morte?Os investigadores precisam estabelecer o que ocorreu nos minutos anteriores à queda e se havia alguém no apartamento ou em outras áreas do condomínio.Por que João Munhoz Neto está sendo procurado?A SSPDS confirmou que o namorado de Isabelle é procurado pela Polícia Civil, mas não divulgou publicamente a razão da diligência.O que há no celular da estudante?O aparelho foi periciado e os dados estão sendo analisados. Mensagens, ligações e informações de localização podem contribuir para a reconstrução dos acontecimentos.Os relatos da família serão confirmados?Familiares e pessoas próximas apresentaram relatos de suposto controle e abuso no relacionamento. Cabe à investigação verificar esses relatos e determinar se possuem relação com a morte.Havia outra pessoa no imóvel?As câmeras registraram a saída de João e da mãe dele antes do horário da morte. Isso, contudo, não permite concluir se havia ou não outra pessoa no apartamento no momento da queda.A Polícia Civil continua reunindo imagens, depoimentos e resultados de perícia para esclarecer as circunstâncias da morte da estudante. Até que os trabalhos sejam concluídos, a dinâmica da queda e eventual responsabilidade de terceiros permanecem em investigação.
Fonte original: https://dol.com.br/noticias/brasil/963336/caso-isabelle-caracristi-o-que-se-sabe-ate-o-momento-sobre-a-morte-da-estudante




