Uma equipe de pesquisadores da Universidade Monash, na Austrália, identificou que doses baixas de aspirina reduziram em cerca de 70% o risco relativo de demência em idosos com características genéticas ligadas à maior contagem de plaquetas. Os resultados foram publicados em 2026 na revista científica Alzheimer's & Dementia e se baseiam em dados de 13.541 voluntários. Leia também:Câncer de intestino pode não apresentar sintomas; entenda!Melatonina é associada a aumento de 89% no risco cardíaco; entendaApesar do resultado expressivo, os autores alertam que o achado ainda não sustenta qualquer recomendação de uso do medicamento para esse fim.O que o estudo mediu?A investigação analisou dados genéticos coletados no estudo ASPREE, que comparou o efeito da aspirina com o de um placebo em uma população de idosos. O foco recaiu sobre participantes com as pontuações mais elevadas em um escore genético relacionado à quantidade de plaquetas no sangue. Esse grupo correspondia aos 20% com maior pontuação no conjunto analisado. Vale destacar que o critério era genético, e não simplesmente o resultado de um hemograma convencional.Como os números se comportaram?Entre os idosos com aquele perfil genético específico, apenas 1% dos que receberam aspirina desenvolveram demência ao longo do acompanhamento. No grupo que recebeu placebo, a taxa chegou a 3,3%. Essa diferença representa uma redução relativa de aproximadamente 70% entre os dois grupos. Em termos absolutos, porém, a variação correspondeu a cerca de 2,3 pontos percentuais. O contraste entre os dois tipos de medida é fundamental para interpretar o resultado sem exagero.O risco que pesa na balançaO mesmo perfil genético associado à menor incidência de demência também apresentou um problema relevante: o risco de sangramentos graves foi aproximadamente o dobro em comparação ao restante da amostra. Esse dado impede qualquer conclusão simplista sobre benefício clínico. Os autores são categóricos ao afirmar que a descoberta é exploratória e ainda não foi validada por estudos independentes.O que é demência e como o SUS atua?A demência não é uma doença única, mas um conjunto de sinais e sintomas que afetam a memória e as funções cognitivas. Os principais sinais incluem:Esquecimentos frequentes e repetição de perguntas;Perda de compromissos ou dificuldade em lembrar nomes;Desorientação em ambientes familiares.O Sistema Único de Saúde oferece diagnóstico e tratamento multidisciplinar para pessoas com demência, inclusive Alzheimer, em centros de referência e unidades básicas de saúde. Dados do Ministério da Saúde indicam que até 45% dos casos podem ser prevenidos ou retardados com intervenções adequadas. Um diagnóstico precoce amplia as possibilidades de manejo da condição e reduz a sobrecarga familiar.Próximas etapas da pesquisaOs pesquisadores definiram dois caminhos prioritários para avançar com os achados:Reproduzir os resultados em outras populações e contextos étnicos distintos;Realizar um ensaio clínico dedicado exclusivamente a pessoas com o perfil genético identificado.Enquanto essas etapas não forem concluídas, o resultado permanece sem respaldo suficiente para orientar decisões clínicas.Quer receber mais notícias e dicas de saúde? Acesse o canal do DOL no WhatsApp!A combinação entre redução de demência e elevação do risco de sangramentos torna a equação ainda mais complexa para médicos e pacientes.

Fonte original: https://dol.com.br/noticias/te-cuida/966524/cientistas-apontam-que-aspirina-pode-reduzir-demencia