Cientistas da Universidade Cornell, em Nova York, nos Estados Unidos, desenvolveram uma pílula anticoncepcional masculina que promete impedir temporariamente a capacidade de fecundação dos espermatozoides. Diferentemente dos métodos hormonais, o medicamento experimental atua diretamente em um mecanismo celular necessário para o funcionamento dessas células reprodutivas.A proposta é que o comprimido seja tomado antes da relação sexual, oferecendo uma alternativa de contracepção sob demanda. De acordo com os pesquisadores, o efeito esperado dura entre seis e oito horas, após as quais a função reprodutiva deve voltar ao normal.CONTEÚDOS RELACIONADOSJovem engravida de mais um bebê já estando grávida de gêmeosAntinconcepcionais causam queda de cabelo? Veja os mitos e verdadesGinecologista explica relação entre anticoncepcional e alterações de humorO projeto recebeu US$ 8,2 milhões em financiamento do Instituto Nacional de Saúde Infantil e Desenvolvimento Humano dos Estados Unidos (NICHD). A próxima etapa será a realização de testes em seres humanos para avaliar a segurança e os efeitos do medicamento.Apesar dos resultados promissores obtidos até agora em estudos pré-clínicos, o anticoncepcional ainda não está disponível para uso. A eficácia na prevenção da gravidez e a segurança em humanos precisarão ser demonstradas nas próximas etapas da pesquisa.Como funciona?O medicamento desenvolvido pelos pesquisadores do Weill Cornell Medicine tem como alvo uma enzima chamada adenilato ciclase solúvel, conhecida pela sigla sAC. Essa enzima participa de processos celulares importantes para que os espermatozoides consigam se movimentar.A proposta dos cientistas é bloquear temporariamente a atividade dessa enzima para impedir que os espermatozoides nadem adequadamente e alcancem o óvulo.Nos experimentos realizados com camundongos, os pesquisadores observaram que a inibição da sAC provocou a imobilização dos espermatozoides. Com isso, os animais apresentaram uma redução temporária da capacidade de reprodução.A expectativa é que o mecanismo também possa funcionar em humanos, mas essa possibilidade ainda precisa ser confirmada por testes clínicos.Uma das principais diferenças em relação aos métodos hormonais é que a estratégia não busca interromper a produção de espermatozoides nem alterar os níveis de testosterona. O objetivo é interferir temporariamente na capacidade de movimentação das células reprodutivas.Quer mais notícias de saúde? Acesse nosso canal no WhatsAppQuanto tempo dura o efeito?A proposta do medicamento é oferecer proteção contraceptiva por um período limitado, permitindo que o homem utilize o método apenas quando necessário.Segundo as informações divulgadas sobre a pesquisa, o comprimido deverá ser tomado aproximadamente 30 minutos antes da relação sexual. A janela de efeito esperada é de seis a oito horas.Depois desse intervalo, a ação farmacológica deve diminuir, permitindo a recuperação da função normal dos espermatozoides.O pesquisador Jochen Buck, um dos responsáveis pelo estudo, participa do desenvolvimento da estratégia que pretende tornar a contracepção masculina reversível e utilizável sob demanda.Entretanto, os intervalos de tempo divulgados ainda precisam ser confirmados em seres humanos. Não é possível afirmar, nesta fase, que o medicamento oferecerá proteção contraceptiva comprovada durante todo esse período.Também será necessário avaliar a duração real do efeito, a dose adequada e a possibilidade de efeitos adversos.Pílula masculina é diferente dos anticoncepcionais hormonais?Grande parte dos métodos anticoncepcionais disponíveis para mulheres utiliza hormônios para impedir a ovulação ou dificultar a ocorrência de uma gravidez.No caso da nova pílula masculina, a proposta é agir diretamente sobre o funcionamento dos espermatozoides, sem utilizar hormônios como mecanismo principal.Essa abordagem pode representar uma alternativa para homens que desejam participar mais ativamente do planejamento reprodutivo, especialmente aqueles que procuram um método reversível e que não precise ser utilizado diariamente.A possibilidade de tomar um comprimido apenas antes da relação sexual também diferencia o projeto de outras pesquisas em andamento, que investigam medicamentos de uso contínuo, injeções de longa duração e géis contraceptivos.Apesar dessas diferenças, ainda não há dados clínicos suficientes para afirmar que o novo método será mais seguro, mais eficaz ou terá menos efeitos colaterais do que as alternativas existentes.Essas comparações dependerão dos resultados dos testes em humanos.Quando chegará ao mercado?O medicamento está em fase de desenvolvimento e deverá avançar para os primeiros testes clínicos em humanos, conhecidos como fase 1.Nessa etapa, os pesquisadores avaliam principalmente a segurança do composto, sua tolerabilidade e a maneira como o organismo processa a substância.Os voluntários serão acompanhados para identificar possíveis reações adversas e observar os efeitos do medicamento. Dependendo do desenho do estudo, os resultados também poderão fornecer informações iniciais sobre seu comportamento no organismo.Caso os resultados sejam favoráveis, a pesquisa poderá avançar para a fase 2, que envolve um grupo maior de participantes e busca aprofundar a avaliação da segurança e dos efeitos do tratamento.Etapas posteriores deverão investigar a eficácia contraceptiva e a segurança em populações mais amplas.Ainda não existe uma previsão confirmada para a chegada da pílula às farmácias. O desenvolvimento de um medicamento depende dos resultados de todas as etapas de pesquisa e das avaliações das autoridades reguladoras.Nos Estados Unidos, nenhum anticoncepcional masculino em formato de pílula foi aprovado para comercialização até o momento descrito nas informações divulgadas sobre o estudo.Homens aceitariam utilizar?A possibilidade de ampliar as opções de contracepção masculina também está relacionada ao interesse dos homens em assumir maior participação na prevenção de uma gravidez não planejada.De acordo com os dados citados na pesquisa, levantamentos sobre o tema indicam que aproximadamente 50% dos homens nos Estados Unidos e 75% dos homens em outras partes do mundo demonstrariam interesse em utilizar um método contraceptivo masculino.A reversibilidade e a possibilidade de uso por períodos curtos aparecem como características que podem tornar essas alternativas mais atraentes.Um método sob demanda permitiria que o homem planejasse a contracepção sem precisar recorrer a um procedimento definitivo, como a vasectomia, ou depender exclusivamente do uso de preservativos e da contracepção utilizada pela parceira.No entanto, a aceitação de um novo método dependerá de fatores como eficácia, segurança, facilidade de uso, custo e confiança nos resultados.
Fonte original: https://dol.com.br/noticias/mundo-noticias/966653/cientistas-criam-pilula-anticoncepcional-masculina-de-efeito-rapido




