A Comissão Eleitoral de Israel descartou nesta quarta-feira (04/11) a existência de fraude ou qualquer comprometimento da integridade das eleições parlamentares realizadas em 27 de outubro. A conclusão contraria as acusações do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu contra partidos árabes israelenses, cujo desempenho nas urnas contribuiu para impedir que seu grupo político alcançasse a maioria no Parlamento.Em comunicado, a comissão informou que examinou todas as reclamações apresentadas por partidos e cidadãos, sem identificar evidências de manipulação dos resultados. "A auditoria foi concluída. Todas as reclamações apresentadas pelas facções políticas foram revisadas e não foi encontrado nada que indique qualquer dano à integridade das eleições", afirmou o órgão.CONTEÚDO RELACIONADO:Democratas avançam no Congresso e impõem derrota a Trump nos EUAPor que alguns países pedem que famílias estoquem comida e água? EntendaOnda de ataques hackers atinge supermercados na Europa; entendaA investigação incluiu uma revisão detalhada de mais de 9 mil urnas, procedimento classificado pela instituição como uma operação "sem precedentes". Ao término das verificações, a comissão declarou não ter encontrado "nenhuma irregularidade" ou indícios de que "os resultados tenham sido alterados".Quer mais notícias internacionais? Acesse o canal do DOL no WhatsApp.Netanyahu havia acusado adversáriosAs denúncias foram feitas por Netanyahu e pelo Likud após o desempenho expressivo das legendas árabes na votação. Diante das acusações, a procuradora-geral Gali Baharav-Miara solicitou, na terça-feira, que David Zini, diretor do Serviço de Segurança Interna e aliado do primeiro-ministro, apresentasse eventuais provas que sustentassem as alegações.Partidos árabes podem definir formação do governoA divulgação da auditoria ocorre em um momento decisivo para a política israelense. O presidente Isaac Herzog iniciou nesta quarta-feira as consultas com os partidos representados no Parlamento, o Knesset, para escolher quem receberá a missão de tentar formar o próximo governo. A indicação deverá ocorrer até 11 de novembro.Nenhum dos grupos políticos conquistou as 61 cadeiras necessárias para garantir maioria absoluta. Os aliados de Netanyahu obtiveram 53 assentos, enquanto o principal bloco oposicionista, liderado pelo centrista Gadi Eisenkot, ex-chefe do Estado-Maior do Exército, conquistou 48. Já os partidos árabes alcançaram um resultado histórico, somando 19 representantes.Oposição tenta construir maioria parlamentarA possibilidade de apoio das legendas árabes a Eisenkot é um dos principais pontos das negociações. Caso esse entendimento seja concretizado, o grupo oposicionista poderá atingir a maioria necessária para formar o governo e encerrar o período de Netanyahu à frente do Executivo israelense, o mais longo da história do país.Na terça-feira, os cinco líderes do chamado "bloco da mudança", articulado por Eisenkot, realizaram uma reunião para discutir uma estratégia conjunta. Os participantes manifestaram disposição para negociar a formação de um "governo de emergência nacional", mas ainda não apresentaram uma fórmula capaz de garantir os 61 votos necessários no Parlamento.

Fonte original: http://dol.com.br/noticias/mundo-noticias/967359/comissao-eleitoral-de-israel-descarta-fraude-e-confirma-derrota-de-netanyahu