Nildo Bigode vive uma situação incomum antes de Clube do Remo x Grêmio. Cria do Leão Azul e ídolo do Tricolor, o ex-atacante estará diante de dois clubes que marcaram profundamente a trajetória, agora em um confronto pela Série A do Campeonato Brasileiro.A partida será disputada nesta quarta-feira (7), às 19h30, no Mangueirão, em Belém. As duas equipes chegam pressionadas pela campanha: os gaúchos ocupam a 17ª posição, com 29 pontos, enquanto os paraenses estão em 19º, com 23.Conteúdo Relacionado:Remo se apega à arrancada de 2025 para reagir e evitar o rebaixamentoRemo pode pagar "bicho" de R$ 10 milhões por permanência na Série AMarcelo Rangel convoca torcida do Remo para decisão com o GrêmioAntes de olhar para o duelo, porém, Nildo volta no tempo para lembrar onde tudo começou. Aos 16 anos, ele foi profissionalizado pelo Remo e encontrou no Baenão os primeiros personagens de uma carreira que depois ganharia projeção nacional."Remo, onde tudo começou"A chegada ao profissional aconteceu ainda na adolescência. Nildo conta que teve a oportunidade de conviver com jogadores experientes e treinadores que contribuíram diretamente para sua formação dentro e fora de campo."A minha profissionalização aos 16 anos foi, na realidade, um sonho. Eu tive muita sorte de subir para um grupo de profissionais com jogadores e treinadores muito bons."Entre os companheiros, ele cita Bracali, Marcos, Fernandinho e Isidoro como nomes que o ajudaram durante os primeiros passos. Dadinho também aparece na lembrança, principalmente pelos ensinamentos relacionados às finalizações."Jogadores como Bracali, Marcos, zagueiro, Fernandinho, Isidoro. Esses jogadores me ajudaram muito, me orientando. Dadinho também me dando dicas de finalização."Os ensinamentos não ficaram restritos aos jogadores. Nildo também recorda profissionais da comissão técnica que tiveram participação importante no desenvolvimento."Seu Jorge de Castro, treinador de goleiro, me ensinando a condução de bola com os dois pés e cabeça erguida. Dultra me orientando no posicionamento no campo."
Anos depois, já em 2026, o ex-atacante voltou ao Baenão e encontrou um clube muito diferente daquele que conheceu como jogador. A visita ao estádio, no fim de setembro, serviu para colocar frente a frente as memórias do passado e a estrutura atual do Remo."Fiquei feliz em ver as estruturas do Baenão, supermodernas, em todos os setores, desde administração, como restaurante, fisioterapia, musculação e médica. Uma transformação de mil por cento."A visita também levou Nildo ao gramado, onde relembrou os tempos de jogador e fez questão de elogiar o trabalho realizado no campo do estádio."Tudo que se emprega no futebol profissional hoje, de qualidade, o Remo oferece para os seus atletas, para os seus funcionários e para a sua comissão técnica. Fui até o gramado, que está espetacular, a gente aqui observando. Então, parabenizo a diretoria. É de arrepiar, parabéns a toda essa estrutura que é oferecida aos atletas, aos funcionários. O Remo é padrão time grande, não deve a nada para muitos times que a gente conhece."
Da desconfiança ao gol do título: "Grêmio que me consagrou."Se o Remo representa o início da caminhada, o Grêmio foi o clube que colocou Nildo definitivamente entre os grandes personagens da geração. A mudança para Porto Alegre, entretanto, começou cercada de desconfiança."Ao chegar no Grêmio, eu era uma contratação e não um reforço, desconfiança total, pois só tinha jogado em clubes menores. Mas eu vinha da Caldense, de Minas, e tinha feito um excelente campeonato, estava muito bem."Nildo chegou ao Olímpico em uma segunda-feira. O Grêmio teria compromisso dois dias depois, em Santana do Livramento, e Luiz Felipe Scolari, o Felipão, então treinador da equipe, perguntou se o atacante estava em condições de jogar."Cheguei na segunda no Olímpico. O Grêmio ia jogar na quarta-feira em Santana do Livramento. Professor Felipão perguntou se dava para jogar. Falei que sim, que estava bem."Nildo foi para o jogo, marcou e ganhou espaço. Na semana seguinte, teve outro desafio importante: o Corinthians, pela Copa do Brasil, em São Paulo."Foi a melhor coisa que fiz. Se falasse que precisava de um tempo para me condicionar, talvez minha vida no Grêmio seria de três meses, o tempo de contrato. Fui para o jogo, fiz gol. Na outra quarta tinha jogo da Copa do Brasil em São Paulo, contra o Corinthians."
O desempenho diante dos paulistas foi novamente decisivo. Nildo marcou, o Grêmio eliminou o Corinthians e a diretoria decidiu pela permanência definitiva do atacante."Joguei bem, fiz gol, eliminamos o Corinthians. Aí foi a confirmação: o Grêmio me comprou da Caldense."A partir dali, a relação com a torcida mudou completamente. O jogador que havia chegado sob desconfiança passou a ser tratado como goleador e ganhou confiança para a sequência da competição."Aí a torcida e a imprensa passaram a me adorar. Matador, exterminador, goleador. Eu peguei mais confiança, joguei bem todos os jogos restantes da Copa do Brasil, fazendo todos os gols. Inclusive o do título do bi da Copa do Brasil invicto. Virei ídolo. Glória a Deus."Na decisão contra o Ceará, Nildo marcou de cabeça o gol da vitória por 1 a 0 no Estádio Olímpico, garantindo ao Grêmio o bicampeonato da Copa do Brasil. Aquele lance se tornou um dos principais capítulos da história do atacante no clube.
A lesão, Jardel e o "Banguzinho"O começo da Série A do Campeonato Brasileiro de 1994 trouxe um obstáculo pesado. Nildo sofreu uma grave lesão no tendão de Aquiles e precisou passar meses afastado."Aí teve o início do Brasileirão de 94. Eu tive uma lesão grave, rompi meu tendão de Aquiles. Foram longos sete meses de tristeza, fisioterapia e recuperação física e muscular."Durante o período em que esteve fora, o Grêmio buscou alternativas para o ataque. Três jogadores foram contratados antes da chegada de Jardel, que posteriormente assumiria protagonismo no setor."O Grêmio contratou três atacantes, não deram certo, até a chegada do Jardel. Todos sabem. Eu voltei bem, jogando, fazendo gols, mas já na reserva do Jardel."
Em 1995, Nildo voltou a participar de uma temporada histórica. Enquanto o Grêmio disputava diferentes competições, ele integrou a equipe que ficou conhecida como "Banguzinho", formada principalmente por jogadores que atuavam no Campeonato Gaúcho."Em 95 o Grêmio jogava várias competições. Foi aí que ganhamos o Gaúcho de 95 com o Banguzinho, apelido do time reserva do Grêmio. Fizemos duas finais de Grenais. Fiz gol no Beira-Rio, 1 a 1."O segundo clássico foi disputado no Olímpico, e Nildo voltou a balançar as redes. Depois, ainda participou diretamente do segundo gol gremista."Fiz gol no Olímpico e dei assistência para o Carlos Miguel. 2 a 1, Grêmio campeão gaúcho."
A camisa 10 na LibertadoresA história de Nildo com o Grêmio ainda teria outro capítulo especial naquele mesmo ano. Após a lesão do meia Emerson, ex-jogador da Seleção Brasileira, o atacante acabou inscrito na Libertadores com a camisa 10.A escolha poderia parecer improvável para quem havia construído a carreira como atacante, mas Nildo acabou fazendo parte do grupo que conquistou o bicampeonato continental."Na Libertadores, o Emerson, meia ex-seleção, se machucou. Quis o destino que eu, já recuperado, fazendo gols, fosse inscrito com a camisa 10 e ser bicampeão da Libertadores, entrando em alguns jogos, inclusive na final em Medellín, onde perdíamos e fomos buscar o empate para ser campeão. Glória a Deus."
A trajetória no clube gaúcho, portanto, ganhou títulos, gols decisivos e uma identificação que permanece décadas depois. Para Nildo, a diferença entre as duas camisas que marcaram a vida é clara.
Agora, o coração fica dividido?O reencontro com o Remo ganha ainda mais significado justamente na semana em que o clube recebe o Grêmio pelo Brasileirão. E Nildo enxerga um duelo que vai exigir muito dos dois lados."Um jogo decisivo para ambas as equipes, que ao longo do campeonato erraram muito. Por isso estão nessa situação. O Remo tentando algo difícil, o Grêmio se motivar com a chegada do Renato, uma motivação extra."Com Renato Gaúcho novamente no comando do Grêmio, o ex-atacante vê um fator adicional para o Tricolor em um momento delicado da competição. Do outro lado, o Remo tenta aproveitar o fator casa para reagir na reta final.E Nildo pretende acompanhar tudo de perto. A expectativa é estar no Mangueirão para assistir ao confronto que coloca frente a frente os dois principais clubes de sua história."Acho que vou ao Mangueirão. Só fui em um jogo do Remo este ano, contra o Vitória. O Remo venceu."Se dentro de campo a partida terá jogadores defendendo apenas uma camisa, fora dele Nildo viverá uma noite diferente. De um lado, o clube que abriu as portas para a carreira profissional; do outro, aquele que transformou o atacante paraense em ídolo nacional. Mas, quando a pergunta é sobre para quem vai a torcida, Nildo não deixa margem para dúvida:"Hoje, sou Tricolor Gaúcho!"
Fonte original: https://dol.com.br/esporte/remo/964657/cria-do-remo-e-idolo-do-gremio-nildo-bigode-projeta-duelo-na-serie-a




