O Dia Nacional de Prevenção da Obesidade, celebrado em 11 de outubro, reforça a necessidade de ampliar a conscientização sobre o excesso de peso e seus impactos na saúde. Considerada uma doença crônica e influenciada por diferentes fatores, a obesidade exige cuidados contínuos e estratégias de prevenção que devem começar ainda na infância.A adoção de uma alimentação equilibrada, a prática frequente de atividades físicas e a construção de hábitos mais saudáveis estão entre as principais medidas para reduzir o risco de sobrepeso. A preocupação ganha ainda mais importância diante do crescimento dos índices de obesidade entre crianças e adolescentes em diferentes partes do mundo.CONTEÚDOS RELACIONADOS:Anvisa proíbe venda de insulina e tirzepatida irregularesExame de sangue para detectar mais de 50 tipos de câncer chega ao BrasilNo Dia Mundial da Obesidade, em 4 de março, a World Obesity Federation (WOF) chamou atenção para o avanço do problema com o tema "8 bilhões de razões para agir". A entidade considera a obesidade uma condição crônica e multifatorial e estima que, até 2035, aproximadamente metade da população mundial, o equivalente a quase 4 bilhões de pessoas, poderá estar com sobrepeso ou obesidade.O cenário também preocupa entre o público infantil. Segundo a WOF, o aumento dos casos ocorre de maneira acelerada, principalmente em países de baixa e média renda, como o Brasil.Excesso de peso entre crianças preocupa especialistasDados do Atlas Mundial da Obesidade 2026 apontam que mais de 200 milhões de crianças e adolescentes de 5 a 19 anos com sobrepeso ou obesidade estão concentrados em apenas dez países.A engenheira de alimentos Helena Sanae Kajikawa, gerente da Divisão Ciências & Pesquisas da Yakult do Brasil, destaca que o excesso de peso durante a infância pode permanecer na vida adulta e aumentar a probabilidade de desenvolvimento de doenças crônicas."Os dados são muito preocupantes, uma vez que a obesidade na infância, muitas vezes, persiste na idade adulta. Com isso, aumenta o risco de enfermidades não transmissíveis como diabetes, doenças cardíacas e alguns tipos de câncer", afirma.No Brasil, o quadro também chama atenção. Conforme o levantamento da WOF, 38,4% das crianças e adolescentes estão acima do peso, percentual que representa quase o dobro da média mundial, de 20,7%. O país ainda possui cerca de 7 milhões de crianças vivendo com obesidade.Além dos impactos futuros, o excesso de peso pode provocar problemas de saúde já durante a infância e a adolescência, como hipertensão, diabetes e alterações nos níveis de glicose no sangue.Entre outras possíveis complicações estão alterações no colesterol e nos triglicerídeos, esteatose hepática, gota, problemas cerebrovasculares e arteriosclerose. Essas condições podem contribuir para o surgimento de doenças cardíacas na fase adulta.A obesidade infantil também pode afetar a saúde emocional. Depressão, ansiedade e baixa autoestima estão entre os transtornos associados à condição e podem favorecer a manutenção de comportamentos prejudiciais à saúde.Pesquisa investiga relação entre probióticos e obesidade infantilAlém da alimentação e da prática de exercícios, pesquisas científicas têm analisado a relação entre a microbiota intestinal e a obesidade. Estudos apontam que as bactérias presentes no intestino podem participar de processos relacionados ao aproveitamento de energia e ao controle da inflamação.Entre os microrganismos encontrados na microbiota intestinal estão as bifidobactérias, que têm presença significativa especialmente durante a infância.Pesquisadores japoneses realizaram um estudo para verificar se o aumento dessas bactérias no intestino poderia contribuir para combater a obesidade infantil e algumas de suas consequências. Inicialmente, os cientistas compararam a microbiota de crianças obesas com a de crianças que não apresentavam obesidade.De acordo com Helena Sanae Kajikawa, a análise identificou uma menor proporção de bifidobactérias entre as crianças obesas.Na segunda etapa da pesquisa, crianças obesas seguiram uma rotina de alimentação controlada e exercícios durante seis meses. Depois, por mais seis meses, consumiram leite fermentado com Lactobacillus casei Shirota (LcS), probiótico exclusivo da Yakult.Os pesquisadores avaliaram posteriormente possíveis efeitos do produto sobre o peso, os níveis de gordura no sangue e a concentração de açúcar no organismo.Segundo a gerente da Yakult, os participantes apresentaram redução do peso e da concentração de gordura, além de aumento expressivo das bifidobactérias e do ácido acético nas fezes. Para os pesquisadores, os resultados indicaram uma contribuição do LcS para a redução do peso corporal.Probióticos também são avaliados em revisão científicaOutro trabalho, publicado em 2023 por pesquisadores chineses, reuniu estudos sobre o possível papel dos probióticos na regulação de indicadores metabólicos de crianças com sobrepeso ou obesidade.A análise considerou parâmetros como HDL-colesterol, conhecido como colesterol "bom", LDL-colesterol, chamado de colesterol "ruim", além de adipocinas e leptina. As adipocinas são hormônios produzidos pelas células de gordura e estão relacionadas à saúde metabólica. Já a leptina participa da regulação da saciedade, do apetite e do equilíbrio energético.A meta-análise reuniu quatro pesquisas, envolvendo 206 crianças com sobrepeso ou obesidade. Desse total, 105 receberam probióticos e 101 fizeram parte dos grupos placebo. Os estudos utilizaram combinações de diferentes probióticos.Os autores apontaram que os probióticos podem contribuir para a regulação do metabolismo das gorduras e para a melhora de alguns sintomas relacionados à obesidade.Diante dos resultados, os pesquisadores reforçam a importância de cuidados com a microbiota intestinal desde os primeiros anos de vida. A recomendação inclui também a adoção, pelas famílias, de uma alimentação variada e equilibrada e de uma rotina com atividades físicas.Quer mais notícias de saúde? Acesse o canal do DOL no WhatsApp.Para a engenheira de alimentos Helena Sanae Kajikawa, a combinação de hábitos saudáveis e medidas de prevenção pode contribuir para a saúde de toda a família a longo prazo.
Fonte original: https://dol.com.br/noticias/te-cuida/964906/dia-nacional-de-prevencao-a-obesidade-serve-de-alerta




