O desequilíbrio financeiro ultrapassou a esfera do bolso e passou a impactar diretamente o bem-estar emocional da população. No Pará, cerca de 3,1 milhões de pessoas estão inadimplentes, o que representa aproximadamente 49% da população adulta do estado.Em todo o país, o total de endividados alcançou 83,9 milhões de pessoas, segundo levantamento da Serasa em parceria com o Instituto Opinion Box. O estudo revela que 89% dos entrevistados sentem reflexos diretos dos problemas financeiros na saúde mental, apontando prejuízos na qualidade do sono (71%), alterações de humor (53%), queda na autoestima (50%) e instabilidade emocional (47%).Veja também Seguro-defeso: INSS paga R$ 230 mi a pescadoresOrganização altera regras após atleta competir com fezes na pistaJovem de 24 anos desaparece em RedençãoA psicóloga Luciane Martins explica que a preocupação contínua com pendências financeiras deflagra o processo de ruminação mental, quando a pessoa pensa insistentemente nos problemas sem vislumbrar saídas imediatas. Esse estado de estresse permanente mantém o organismo em alerta, prejudicando a memória, a concentração e a tomada de decisões. A perda do controle financeiro também pode gerar um sentimento análogo ao luto, no qual o indivíduo sente que perdeu sua dignidade e autonomia, provocando irritabilidade e conflitos no ambiente familiar e de trabalho.De acordo com Lucas Tossali, especialista em educação financeira da Serasa, o endividamento costuma resultar da soma entre orçamentos apertados, imprevistos e o uso contínuo do crédito como extensão da renda. Para recuperar o controle sem agravar o desgaste emocional, a recomendação é mapear detalhadamente todas as entradas e saídas financeiras e buscar a renegociação de débitos com parcelas realistas que não comprometam o sustento básico.Quando o estresse financeiro manifesta sintomas como insônia prolongada, fadiga constante e alterações de apetite, a orientação é buscar suporte psicológico. Além de consultas particulares, o atendimento pode ser feito de forma gratuita na rede pública por meio de Unidades Básicas de Saúde (UBS), Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e clínicas-escola de universidades.
Fonte original: https://dol.com.br/carajas/noticias/para/962999/dividas-afetam-a-saude-mental-de-31-milhoes-de-inadimplentes-no-para




