Daniel Sikkema foi condenado à prisão perpétua nos Estados Unidos por planejar e encomendar o assassinato do marido, o galerista americano Brent Sikkema, de 75 anos, encontrado morto a facadas em sua residência, no Jardim Botânico, zona sul do Rio de Janeiro, em 15 de janeiro de 2024. A sentença foi anunciada nesta semana, após a condenação do réu em maio de 2026.De acordo com a Procuradoria Federal do Distrito Sul de Nova York, Daniel foi considerado culpado por homicídio sob encomenda, conspiração para cometer homicídio sob encomenda e conspiração para praticar assassinato em território estrangeiro. A acusação sustentou que o plano foi elaborado durante meses e envolveu a manipulação de pessoas próximas para viabilizar a execução.CONTEÚDO RELACIONADOPiloto experiente se impressiona com coragem de copiloto brasileira em queda de aviãoCrise no Paraguai: manifestantes e polícia entram em confrontoPresidente do Paraguai anuncia renúncia sob ameaça de impeachmentO procurador federal Jamie McDonald classificou o assassinato como um crime frio e calculado. Segundo a Procuradoria, Daniel utilizou amigos, familiares e funcionários para colocar o plano em prática. O FBI também se manifestou sobre a condenação. Para James C. Barnacle Jr., diretor assistente responsável pela agência, o esquema terminou com o acusado condenado a passar o restante da vida na prisão.Quer mais notícias internacionais? Acesse o canal do DOL no WhatsApp.Como ocorreu o assassinatoAs investigações apontaram que o cubano Alejandro Triana Prevez foi contratado para matar Brent. O galerista recebeu 18 facadas dentro de casa enquanto Daniel estava em Nova York, nos Estados Unidos, com o filho do casal, atualmente com 15 anos. Conforme a apuração, Prevez utilizou um número telefônico secreto para conversar com o mandante e recebeu US$ 5 mil pelo serviço, com a promessa de pagamentos adicionais.Prevez foi preso no Brasil poucos dias depois do homicídio e permanece em uma unidade prisional brasileira, aguardando julgamento. Depois de cometer o crime, ele retornou a São Paulo, desfez-se do veículo utilizado no Rio e comprou outro para tentar escapar. Acabou localizado em uma estrada de Minas Gerais, onde a polícia encontrou US$ 3 mil em sua posse. Após a condenação de Daniel, o advogado do cubano afirmou que seu cliente considerou a sentença justa. "Alejandro Triana acredita que a sentença fez justiça, já que Daniel foi o mentor do crime e o ameaçou repetidamente para que o assassinato fosse executado", declarou.Prisão e cooperação entre Brasil e EUADaniel conseguiu deixar o Brasil após a morte do marido, mas foi detido nos Estados Unidos no fim de março de 2024, depois de tentar falsificar o próprio passaporte. Na ocasião, alegou ter perdido o documento durante uma viagem à Europa. Ele pagou fiança de US$ 1 milhão e passou a cumprir prisão domiciliar, monitorado por tornozeleira eletrônica.Em abril de 2024, o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro encaminhou um pedido de extradição ao Ministério da Justiça, assinado pela juíza Tula Correa de Melo. Daniel, porém, não foi enviado ao Brasil. As autoridades dos dois países passaram a compartilhar informações, e agentes do FBI estiveram no imóvel onde Brent foi assassinado para auxiliar nas investigações. O marido do galerista acabou preso novamente em março de 2025 e permaneceu detido até o julgamento.Divórcio e disputa por patrimônioBrent e Daniel se conheceram em 2007, casaram-se em 2013 e iniciaram o processo de separação em 2022. O divórcio foi marcado por conflitos envolvendo a guarda do filho e a divisão dos bens. Documentos do processo indicam que Brent retirou o então marido de seu testamento e recusou uma proposta de acordo apresentada por ele.Segundo o Wall Street Journal, Daniel chegou a solicitar US$ 6 milhões em um e-mail, quantia considerada excessiva pelo responsável pelo espólio, James Deaver. Na época das primeiras investigações, a defesa de Daniel negou a existência de contato direto entre ele e Prevez.A advogada Fabiana Marques também questionou a versão apresentada pelo cubano, argumentando que a acusação contra seu cliente poderia ser uma tentativa de obter uma punição menor. "A natureza do crime, marcada por indícios de passionalidade, demanda uma investigação meticulosa e isenta, que considere todas as possíveis vertentes sem recorrer a estigmatizações prejudiciais", afirmou.
Fonte original: http://dol.com.br/noticias/mundo-noticias/967576/ex-marido-de-galerista-morto-no-rio-e-condenado-a-prisao-perpetua-nos-eua
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