A Justiça do Pará condenou, na quarta-feira (04/11), o ex-policial militar Wladson Luan Monteiro Lopes a 25 anos de prisão pelo feminicídio da estudante de nutrição Bruna Meirelles Corrêa, de 32 anos. O julgamento ocorreu no Tribunal do Júri, no Fórum Criminal de Belém, e durou mais de 10 horas. Além da pena de prisão, os jurados determinaram a perda do cargo público que o réu ocupava na Polícia Militar.Wladson, que integrava as Rondas Ostensivas Táticas Metropolitanas (Rotam), também não poderá recorrer da sentença em liberdade e permanecerá preso. Ele está em prisão preventiva desde o dia do crime.CONTEÚDOS RELACIONADOSCaso Bruna Meireles: ex-PM acusado de feminicídio vai a Júri PopularCaso Bruna Meireles: Justiça mantém prisão de militar suspeito do homicídioDurante o julgamento, a acusação sustentou que o disparo que matou Bruna foi intencional e caracterizou feminicídio. A defesa, por outro lado, argumentou que o tiro teria sido acidental e tentou demonstrar que o policial não teve intenção de matar a companheira.Em sua manifestação, o representante do Ministério Público afirmou que a vítima não teve possibilidade de se defender. “A acusação sustenta que o tiro não foi acidental, que o cabo matou a mulher de forma covarde e sem a mínima chance de defesa, de surpresa, no calor de uma discussão”, declarou.O promotor também destacou que o acusado era treinado para proteger vidas e utilizou uma arma de fogo para tirar a vida da própria companheira. “O cabo que é treinado para proteger vidas pelo Estado, que recebe um armamento, que faz o compromisso de defender a vida, tirou a vida da sua própria mulher”, afirmou.A defesa reconheceu que Wladson efetuou o disparo, mas questionou a intenção do acusado. “A gente não vai questionar porque a perícia deixou claro isso; de quem quem efetuou, quem apertou o gatilho foi o Wladson. Todavia, o que estamos discutindo hoje aqui é em relação à intenção, se o Wladson tinha ou não tinha a intenção de efetuar aquele disparo”, disse o advogado.O defensor acrescentou que buscaria demonstrar, com base nos laudos periciais, que o réu não pretendia cometer o crime. Pelo menos sete testemunhas foram ouvidas durante a sessão do Tribunal do Júri.Relembre o casoO feminicídio ocorreu em 12 de março de 2025. Na ocasião, Bruna e Wladson estavam sozinhos dentro do carro do então policial militar quando houve um disparo que atingiu a cabeça da estudante.Após o tiro, o policial levou a vítima ao Pronto-Socorro Municipal da 14 de Março, em Belém. Apesar do atendimento, Bruna não resistiu aos ferimentos.Natural de Colares, no interior do Pará, Bruna tinha 32 anos e morava em Belém havia sete anos. Ela cursava nutrição e tinha planos de concluir a formação para ajudar a família.Durante o julgamento, familiares e amigos da vítima realizaram um ato em frente ao Fórum Criminal de Belém, no intervalo para o almoço. O grupo pediu justiça pela morte da estudante.A condenação encerra a etapa do Tribunal do Júri, mas Wladson não poderá aguardar em liberdade eventual recurso contra a sentença.
Fonte original: http://dol.com.br/noticias/policia/967450/ex-pm-e-condenado-a-25-anos-por-feminicidio-de-estudante-em-belem
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