O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi intimado pela Polícia Federal (PF), nesta segunda-feira, a entregar os passaportes por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).Em um vídeo publicado nas redes sociais, o parlamentar relatou que recebeu a intimação na rua, após sair do condomínio onde mora, no Lago Sul, em Brasília. Ele seguia para a residência do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.— Hoje de manhã eu fui visitar o meu pai, como vocês sabem, ele tá em prisão domiciliar. E quando eu tava saindo, a Polícia Federal do Lula tava na porta da casa dele e no meio da rua eu fui intimado a entregar os meus passaportes e também tô proibido de deixar o país. A decisão do Alexandre de Moraes se baseou numa fala do Eduardo de 23 de outubro que eu deveria deixar o país se eu perdesse a eleição — afirmou Flávio, em vídeo divulgado nas redes sociais.CONTEÚDOS RELACIONADOS:PF registra 16 conduzidos no segundo turno eleitoralTSE rebate Flávio e nega expulsão de fiscais do PL da sala-cofreA declaração mencionada pelo senador foi feita na sexta-feira anterior pelo deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), durante uma entrevista a um programa dos Estados Unidos, país onde reside. Antes da divulgação do resultado eleitoral, Eduardo defendeu que o irmão deixasse o Brasil caso não vencesse a disputa. Na mesma ocasião, ele também afirmou que Flávio deveria contestar o resultado das urnas em caso de derrota.— Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país. Com certeza. Com certeza — disse Eduardo.Ao criticar a determinação judicial, Flávio questionou os fundamentos da medida e negou ter manifestado a intenção de deixar o território brasileiro.— Eu nunca falei isso (de deixar o país). Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é justiça? E mais: essa decisão foi tomada no domingo à noite, logo depois do anúncio do resultado da eleição. Pensa comigo, se eu tivesse ganhado as eleições, ia acontecer a mesma coisa? Flávio Bolsonaro eleito, essa PF ia estar do mesmo jeito, me intimando no meio da rua? Isso é um sinal que a nossa democracia faliu. Foi uma decisão tomada conforme o resultado da eleição, uma questão política, não pode ser assim. Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar, mas ninguém vai me calar.ASSISTA AO VÍDEO DE FLÁVIO BOLSONARO:
Investigações no SupremoFlávio Bolsonaro é investigado em dois inquéritos que tramitam no STF. Um deles apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo empresas de apostas e plataformas de pagamento relacionadas ao advogado Willer Tomaz. O senador é investigado nesse procedimento, enquanto a defesa nega irregularidades.A investigação teve início a partir de um procedimento conduzido pela Polícia Federal no Rio Grande do Sul. O caso foi encaminhado ao Supremo após os investigadores identificarem referências ao parlamentar, que possui foro por prerrogativa de função.Na sexta-feira anterior, Alexandre de Moraes determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens e valores vinculados a Willer Tomaz, além da quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial do advogado. Também foram impostas restrições às atividades econômicas, financeiras e empresariais de empresas relacionadas a ele, além de medidas envolvendo seus passaportes.As decisões ocorreram após a PF apontar indícios de movimentações financeiras suspeitas e possíveis mecanismos de ocultação de recursos por meio de negócios ligados ao setor de apostas.Entre os pontos investigados está uma conta bancária associada à empresa Alcazar Holdings, ligada a Willer Tomaz. Conforme os registros analisados, Flávio aparecia como usuário com acesso privilegiado, identificado como “master”. A PF busca esclarecer a natureza desse vínculo e verificar se houve movimentação financeira realizada pelo senador.Os investigadores também apuram registros de viagens, encontros e relações comerciais entre os dois. Uma das frentes busca identificar a origem e o destino de recursos movimentados por empresas relacionadas ao advogado. Entre as operações analisadas está uma conta que movimentou aproximadamente R$ 130 milhões entre março e maio de 2025.A defesa de Willer contesta as medidas determinadas pelo Supremo e considera que a investigação representa uma devassa indiscriminada na vida pessoal e profissional do cliente. Os advogados também alegam que o bloqueio de até R$ 6 bilhões é desproporcional e não corresponde ao patrimônio do investigado.Sobre a conta da Alcazar Holdings, a defesa nega que Flávio tivesse poderes para movimentar recursos. Segundo os advogados, os dois mantêm uma relação de amizade, mas nunca movimentaram dinheiro um do outro.O senador também nega qualquer irregularidade e afirma que sua relação com Willer Tomaz é exclusivamente pessoal.Inquérito investiga financiamento de filme sobre BolsonaroFlávio também é alvo de outra investigação no STF, sob relatoria do ministro André Mendonça. O inquérito apura possíveis irregularidades no financiamento de Dark Horse, produção cinematográfica sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.Nesse caso, a Polícia Federal investiga a participação do senador nas negociações para obter recursos junto ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo proprietário do Banco Master, destinados à realização do filme.Mensagens e áudios examinados pelos investigadores indicariam a participação de Flávio em conversas com Vorcaro sobre o financiamento do projeto. A PF busca esclarecer a procedência dos valores, como as operações foram estruturadas e se houve crimes, incluindo lavagem de dinheiro.Na semana passada, a corporação solicitou ao ministro André Mendonça mais 90 dias para concluir as apurações. O pedido considera a necessidade de aprofundar diligências, realizar análises financeiras e obter informações que dependem de cooperação internacional.A extensão do prazo, caso autorizada, permitirá que os investigadores continuem reunindo provas antes da elaboração do relatório final.Flávio nega ter cometido irregularidades e afirma que os recursos negociados para a produção do longa-metragem eram de natureza privada.Investigações podem continuar no STF após o mandatoCom a derrota eleitoral registrada no domingo, Flávio Bolsonaro permanecerá no Senado até fevereiro de 2027, quando termina seu mandato. Mesmo depois de deixar o cargo, os inquéritos poderão continuar sob a responsabilidade do Supremo Tribunal Federal.Em março de 2025, a Corte estabeleceu um novo entendimento sobre o foro por prerrogativa de função. Pela regra, investigações e ações penais relacionadas a crimes supostamente cometidos durante o exercício do cargo e em razão das funções desempenhadas podem permanecer no tribunal mesmo após o encerramento do mandato.Quer receber notícias direto no celular? Acesse nosso canal no WhatsApp!A decisão foi aprovada por sete votos a quatro e modificou a orientação anterior, que previa, como regra, o encaminhamento dos processos à primeira instância após a saída da autoridade do cargo. O entendimento foi complementado pelo Supremo em maio deste ano.No caso de Flávio Bolsonaro, a permanência dos procedimentos no STF dependerá da relação entre os fatos investigados e o exercício do mandato parlamentar, conforme os critérios estabelecidos pela Corte.
Fonte original: https://dol.com.br/noticias/brasil/966618/flavio-bolsonaro-e-intimado-pela-pf-a-entregar-passaportes




