A França vive nesta terça-feira (6) o maior dia de mobilização estudantil desde o início da onda de protestos contra as condições do sistema educacional. Manifestações foram registradas em diversas cidades do país, com bloqueios de escolas e confrontos entre estudantes e forças de segurança.Segundo o Ministério do Interior francês, 6.100 pessoas foram presas desde o início dos protestos, em setembro. A maioria dos detidos é formada por menores de idade. De acordo com o governo, pelo menos 715 policiais e 215 adolescentes ficaram feridos durante os confrontos.Os estudantes reivindicam melhorias nas escolas, incluindo reformas em prédios deteriorados, redução da superlotação das salas e contratação ou substituição de professores ausentes. A mobilização também conta com a participação de pais e profissionais da educação.Protestos se espalham pelo paísA União dos Estudantes do Ensino Médio informou que centenas de escolas foram bloqueadas ou tiveram as atividades interrompidas nesta terça-feira. Os atos ocorreram em cidades como Paris, Estrasburgo, Lyon, Rennes, Marselha e Nantes.Em alguns locais, as manifestações foram pacíficas. Já em Estrasburgo, Lyon e Rennes, foram registrados confrontos, com lançamento de objetos e incêndios por parte de manifestantes e uso de gás lacrimogêneo pela polícia.O governo francês afirma que parte do movimento passou a envolver episódios de violência e vandalismo. Ao mesmo tempo, organizações de direitos humanos e grupos ligados aos estudantes criticam a atuação das forças de segurança e questionam o uso de determinadas armas de controle de multidões contra menores.Adolescente perde a mão durante confrontoUm dos episódios mais graves ocorreu na segunda-feira (5), na cidade de Lens, no norte da França. Um adolescente de *15 anos perdeu uma das mãos e parte do antebraço* durante um confronto envolvendo manifestantes e a polícia.Segundo informações divulgadas pela imprensa francesa, o jovem teria entrado em contato com uma granada utilizada pelas forças de segurança. As circunstâncias exatas do episódio estão sendo investigadas e há versões diferentes sobre como o artefato chegou às mãos do adolescente.O caso aumentou as críticas à atuação policial durante as manifestações, especialmente por envolver um menor de idade.Governo promete medidas para as escolasDiante da pressão, o primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, determinou que ministros apresentem propostas para atender às principais reivindicações dos estudantes.Entre as medidas discutidas estão a substituição de professores ausentes, mudanças na duração da jornada escolar e ampliação do intervalo para o almoço. O governo também prometeu avaliar reformas necessárias em prédios escolares antigos.As manifestações ocorrem em um momento de forte tensão política na França, às vésperas da eleição presidencial de 2027. O presidente Emmanuel Macron não poderá disputar um terceiro mandato, e diferentes forças políticas já se movimentam para a sucessão.O governo e integrantes do partido de extrema direita Reunião Nacional acusaram parlamentares e prefeitos da esquerda radical, incluindo integrantes da França Insubmissa, de incentivar os protestos. O partido nega a acusação.

Fonte original: https://dol.com.br/noticias/mundo-noticias/964778/franca-tem-maior-protesto-estudantil-e-confrontos-com-policia