O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu nesta terça-feira (15) a imparcialidade dos integrantes da Corte durante o julgamento que analisa se o ministro Alexandre de Moraes poderá ser investigado por uma suposta relação com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.Ao pedir a palavra durante a sessão, Gilmar questionou a decisão do presidente do STF, Edson Fachin, de assumir a relatoria do caso que envolve mensagens atribuídas a Vorcaro e supostamente enviadas a Moraes.“Sugeri à Vossa Excelência [Fachin] que atraísse a PET 16.662 para a Presidência com a finalidade de delimitar o objeto do julgamento”, afirmou Gilmar.Segundo o ministro, a sugestão não tinha como objetivo que Fachin assumisse definitivamente a relatoria do procedimento.“Em nenhum momento cogitei que o presidente dessa Corte devesse assumir, em caráter definitivo, a relatoria da PET 16.662”, declarou.ASSISTA AO VIVO
Fachin pede serenidade durante julgamentoNa abertura da sessão, pouco depois das 10h, Edson Fachin pediu que os ministros deixassem de lado eventuais disputas pessoais e conduzissem o julgamento com equilíbrio, serenidade e responsabilidade.A Corte analisa se deve ser aberta investigação contra um de seus próprios integrantes diante das informações apresentadas em um relatório da Polícia Federal.Até o momento, os ministros Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli declararam que não participarão da votação. Após a leitura do relatório por Fachin, Nunes Marques sinalizou impedimento. Toffoli, por sua vez, alegou suspeição por foro íntimo.Entenda o caso envolvendo MoraesO relatório com menções a Alexandre de Moraes veio a público em 1º de setembro, após o ministro André Mendonça retirar o sigilo do documento.O material reúne 52 mensagens que os investigadores apontam como tendo sido enviadas por Daniel Vorcaro a Moraes. Segundo a PF, as mensagens teriam sido trocadas entre 2023 e 17 de novembro de 2025, quando o ex-banqueiro foi preso preventivamente.Em um dos trechos, Vorcaro teria mencionado um contrato de R$ 131 milhões entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.Outro conjunto de mensagens indica que o ex-banqueiro teria buscado informações com Moraes sobre uma operação que poderia resultar em sua prisão.Moraes negou qualquer irregularidade. Em manifestação apresentada na madrugada desta terça-feira (15), classificou como inconstitucional e ilegal o relatório que reúne as supostas mensagens.PGR questiona relatório divulgado por MendonçaA Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu a Fachin a anulação do relatório parcial. O órgão sustenta que o documento seria irregular porque Mendonça teria permitido o avanço das investigações sobre um ministro do Supremo sem comunicar previamente o presidente da Corte ou o plenário.A PGR também apontou a possibilidade de direcionamento da investigação. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, entretanto, também é citado nas mensagens que a PF atribui a Vorcaro.Moraes também pediu investigação contra MendonçaApós a divulgação do relatório, Moraes apresentou, em 2 de setembro, um documento que classificou como relatório de inteligência da PF. O material levantava a possibilidade de Mendonça ter direcionado investigações da Operação Compliance Zero para atingir adversários políticos.O documento, porém, não possui assinatura ou timbre da Polícia Federal e traz na capa a indicação de que se trata de uma conjectura “sem valor probatório”.Quer receber notícias direto no celular? Acesse nosso canal no WhatsApp!Moraes pediu a Fachin a abertura de investigação contra Mendonça por suspeitas de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade.O julgamento desse pedido foi marcado por Fachin para 23 de setembro.
Fonte original: https://dol.com.br/noticias/brasil/962830/gilmar-mendes-defende-imparcialidade-do-stf-em-julgamento




