A saída das casas de apostas do mercado brasileiro abre uma nova frente de fiscalização: além de tentar impedir o funcionamento de plataformas clandestinas, o governo precisa garantir que os recursos deixados pelos usuários sejam devolvidos. Até esta terça-feira (6), foram encaminhados pedidos de bloqueio de 13.241 sites ilegais, enquanto R$ 1,325 bilhão permanecia nas contas de aproximadamente 26,5 milhões de apostadores.A ofensiva começou em 25 de setembro e ganhou uma nova etapa nesta terça, quando as plataformas que tinham autorização para operar também começaram a sair do ar. O levantamento foi divulgado pelo governo federal, que mantém ações para retirar do ambiente digital páginas e grupos usados na divulgação de apostas irregulares.Conteúdo relacionadoPrazo para sacar dinheiro das bets termina nesta segunda (5/10)Movimentação diária com bets vai de R$ 600 milhões a zero após proibiçãoA dimensão da operação não se limita aos endereços eletrônicos. Também foram solicitadas a remoção de 1.974 páginas no Facebook, 560 perfis no Instagram, 900 canais e grupos no Telegram, 103 perfis no TikTok, 14 grupos no WhatsApp e um servidor no Discord. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, esse conjunto de espaços digitais alcançava mais de 17 milhões de usuários.O volume de recursos que ainda precisa ser devolvido apresenta uma concentração expressiva. De acordo com Durigan, aproximadamente 200 mil pessoas, o equivalente a 1% dos apostadores com valores pendentes, reúnem cerca de 80% do saldo a restituir. Quando considerado um grupo de 3,4% dos usuários, a proporção chega a 90% do dinheiro.Na outra ponta, há milhões de contas com quantias inferiores a R$ 1. O balanço aponta 86,2 milhões de contas nessa faixa, que somam R$ 15,5 milhões. Esse número não corresponde necessariamente à quantidade de pessoas, já que um mesmo usuário pode ter cadastro em diferentes plataformas.A concentração dos valores também levou o governo a anunciar uma apuração sobre contas com saldos elevados. Cerca de 40 contas com quantias superiores a R$ 500 mil ou R$ 1 milhão deverão ser examinadas para verificar possíveis indícios de lavagem de dinheiro e ligações com organizações criminosas. A existência desses saldos, por si só, não comprova irregularidades.O prazo para sacar voluntariamente o dinheiro diretamente nas plataformas terminou às 23h59 de segunda-feira (5). Agora, as empresas devem encaminhar às instituições financeiras, até quarta-feira (7), as informações sobre os valores restantes de cada cliente, vinculadas ao CPF e à conta bancária utilizada para os depósitos.A previsão do governo é que os bancos realizem as devoluções entre 9 e 14 de outubro. Se houver impedimentos para concluir o pagamento pelas instituições financeiras, a Caixa Econômica Federal poderá assumir a intermediação a partir do dia 14.Até a conclusão desse processo, o montante de R$ 1,325 bilhão continua sendo um ponto central da transição para o encerramento das operações. A medida envolve tanto a fiscalização das plataformas quanto a recuperação do dinheiro que permaneceu nas contas dos usuários.Quer saber mais do Brasil? Acesse o nosso canal no WhatsAppDurigan afirmou que, antes das restrições, entre R$ 600 milhões e R$ 650 milhões por dia saíam da chamada poupança popular em direção às apostas. Na avaliação do ministro, a interrupção desse fluxo pode permitir que uma parcela maior da renda permaneça com as famílias.

Fonte original: https://dol.com.br/noticias/brasil/964825/governo-mira-bets-ilegais-e-cobra-devolucao-de-r-13-bi