A disputa judicial pela herança deixada por Samuel Klein, fundador das Casas Bahia, teve uma mudança importante. A família de Moacyr Ramos de Paiva Agustinho Júnior, que afirmava ser filho do empresário, desistiu das ações que buscavam o reconhecimento da paternidade.Agustinho Júnior morreu em 2021, mas a discussão continuou por meio da viúva e dos três filhos. Os familiares apresentaram pedidos de desistência tanto à Justiça de São Caetano do Sul, em São Paulo, quanto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). As solicitações ainda precisam ser homologadas pelos respectivos órgãos judiciais.Conteúdo RelacionadoTST vota pelo fim da greve dos bancários da Caixa Econômica FederalMensagens ligam Hugo Motta a negócio de R$ 22 milhões com VorcaroA disputa vinha interferindo diretamente no inventário de Samuel Klein. Desde 2016, uma parcela equivalente a um oitavo da herança permanecia reservada enquanto a Justiça analisava a alegação de que Agustinho Júnior seria filho do empresário. O testamento de Klein, elaborado em 2013, estabeleceu a divisão de aproximadamente R$ 500 milhões entre os herdeiros. O inventário foi aberto em 2015, mas ainda não foi concluído.A tentativa de esclarecer a origem da disputa passou por exames genéticos. Um dos laudos apontou 25,01% de probabilidade de parentesco em uma análise baseada em marcadores autossômicos. Outro exame, porém, apresentou resultado diferente. A comparação do cromossomo Y de Saul Klein, filho de Samuel, com o material genético de um neto de Agustinho Júnior indicou que os dois não teriam a mesma linhagem paterna. Agustinho Júnior sustentava que era filho de Samuel Klein, fruto de um relacionamento que o empresário teria mantido com uma ex-funcionária. A tentativa de reconhecimento dessa filiação acabou se transformando em um dos principais obstáculos para o encerramento do inventário. Com a desistência apresentada pelos familiares, esse capítulo da disputa pode chegar ao fim, caso os pedidos sejam aceitos pela Justiça.A possível liberação do inventário, no entanto, não encerra todas as controvérsias envolvendo o patrimônio de Samuel Klein, uma vez que ele também questiona judicialmente o valor atribuído à herança, sustentando que o patrimônio deixado pelo pai seria superior ao montante considerado no inventário. Essa discussão permanece separada da ação de reconhecimento de paternidade. Assim, mesmo com a desistência da família de Agustinho Júnior, a divisão definitiva dos bens ainda depende do andamento das demais questões judiciais relacionadas ao espólio.Mais de dez anos de disputaA partilha dos bens começou em 2015 e passou por diferentes etapas judiciais desde então. A alegação de uma possível filiação fora do casamento levou à reserva de parte da herança e impediu que o processo chegasse ao fim.Quer saber mais do Brasil? Acesse o nosso canal no WhatsAppAgora, com a desistência dos familiares do suposto herdeiro, o inventário ganha a possibilidade de avançar. Antes disso, porém, os pedidos precisam ser analisados e homologados pela Justiça.

Fonte original: https://dol.com.br/noticias/brasil/964157/heranca-de-r-500-mi-do-criador-das-casas-bahia-tem-reviravolta