O povo indígena Warao lançou, nesta quarta-feira (4), em Belém, um documento com propostas para garantir o direito à moradia digna e ampliar a inclusão das comunidades nas políticas habitacionais. A publicação, intitulada Karata Janoko Isia Obonoya kotai: Perspectivas Warao sobre Moradia Digna, reúne reivindicações construídas pelas próprias lideranças indígenas.O lançamento ocorreu durante a abertura do III Encontro de Cultura Warao, realizado pelo Conselho Warao Ojiduna (CWO), na Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB), no bairro de Nazaré. A programação segue até sexta-feira (6), com atividades culturais e esportivas na Região Metropolitana de Belém.“Queremos que reconheçam nossa cultura, nossa história e nossa organização pela luta por direitos”, afirma Freddy Cardona, vice-coordenador do CWO. Segundo ele, o documento reúne sonhos e reivindicações que começaram ainda na Venezuela, antes da chegada das famílias ao Brasil.Moradia digna vai além de uma casaConstruída a partir das experiências e propostas das lideranças indígenas, a publicação é resultado do projeto Moradia Warao: Refúgio com Dignidade, desenvolvido em parceria com instituições públicas e organizações que atuam na defesa dos direitos indígenas.O documento considera que uma moradia digna não envolve apenas a estrutura física de uma casa, mas também o acesso à água, ao saneamento básico e à energia, além da preservação da língua, da espiritualidade, dos vínculos familiares e da relação com a natureza.Segundo o levantamento apresentado na publicação, cerca de 835 indígenas Warao, distribuídos em 191 famílias e 14 comunidades, vivem na Região Metropolitana de Belém. Parte dessas famílias enfrenta dificuldades para pagar aluguel, enquanto outras vivem em abrigos, ocupações ou construções improvisadas.Entre as propostas estão a regularização de terrenos, a melhoria das condições habitacionais e a participação indígena na elaboração e adaptação de políticas públicas.
“Moradia digna não se resume a quatro paredes e um teto. Significa ter uma casa segura, acesso à terra, água, saneamento e energia, mas também poder viver em comunidade, preservar a língua, a espiritualidade, os vínculos familiares, a relação com a natureza e as condições de produzir seu próprio sustento”, explica Raimundo de Jesus Coelho de Moraes, promotor de Justiça do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA).Encontro celebra cultura e resistência WaraoAlém do lançamento do documento, o III Encontro de Cultura Warao busca fortalecer a organização comunitária e preservar as tradições indígenas. A iniciativa surgiu da demanda das próprias comunidades, que desejavam manter no Brasil uma celebração da resistência cultural vivenciada na Venezuela.A primeira edição ocorreu em 2022, pouco depois da criação do Conselho Warao Ojiduna. Em 2023, o encontro reuniu mais de 500 pessoas. Após uma edição reduzida em 2024 e uma interrupção em 2025 por falta de recursos, a celebração retorna com três dias de programação.Quer saber mais notícias do Pará? Acesse nosso canal no WhatsAppPara Gardenia Cooper Quiroz, coordenadora do Comitê de Cultura e Esporte do CWO, o encontro é uma oportunidade de reunir as comunidades e compartilhar tradições.“Queríamos fazer um encontro para que todas as comunidades se reunissem, cantássemos, dançássemos, compartilhássemos nossas tradições”, destaca.Confira a programaçãoAs atividades dos dias 5 e 6 de novembro serão realizadas na Usina da Paz do Benguí, das 8h às 17h, com apresentações culturais, jogos esportivos entre comunidades, exposição de artesanato e culinária tradicional Warao.Serviço:III Encontro de Cultura Warao — Nossa cultura, nossa identidade, nossos direitos!5 e 6 de novembro: das 8h às 17h.Local: Usina da Paz do Benguí, Passagem Primeiro de Julho, 32, Benguí, Belém.Atividades: apresentações culturais, jogos esportivos, artesanato e culinária tradicional.
Fonte original: http://dol.com.br/noticias/para/967483/indigenas-warao-lancam-documento-sobre-moradia-digna-em-belem
Criar imagem para redes sociais