O limite de estrangeiros no futebol brasileiro não deve, na avaliação de Jorge Jesus, ser o principal instrumento para melhorar a formação de jogadores no país. O treinador da seleção portuguesa afirmou, neste sábado (26/09), que a redução do número de atletas estrangeiros relacionados nas partidas das Séries A e B não deve produzir o efeito esperado sobre a qualidade dos jovens brasileiros.Em entrevista à ESPN, às vésperas do confronto entre Noruega e Portugal pela Uefa Nations League, o técnico português foi questionado sobre a decisão tomada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e pelos clubes das duas principais divisões nacionais.CONTEÚDO RELACIONADOJorge Jesus estreia com vitória de Portugal sobre País de GalesJogador mais rico do mundo acaba de ficar sem clube; Conheça!"Me lembra Michael Schumacher": chefe da Audi faz elogio para Gabriel BortoletoJORGE JESUS CITA MODELO DE FORMAÇÃO PORTUGUÊSJorge Jesus utilizou Portugal como referência para defender que a presença de estrangeiros nos campeonatos nacionais não impede o desenvolvimento de talentos locais. "Não é por aí que vai mudar o jogador brasileiro, que vai ter uma interferência na qualidade do jogador brasileiro", afirmou o treinador.Quer mais notícias de esportes? Acesse o canal do DOL no WhatsApp.Segundo ele, mesmo que os clubes portugueses tenham liberdade para escalar uma equipe inteira com atletas de outras nacionalidades, o país continua revelando jogadores de alto nível para o futebol europeu."Portugal é um dos países que melhor forma jogadores, que tem dos melhores jogadores na Europa. Se o treinador quiser, podem jogar 11 estrangeiros [nos times da liga], e nós temos sempre grandes jogadores. E vamos continuar a ter", declarou.FORMAÇÃO É APONTADA COMO FATOR PRINCIPALPara o técnico, o debate sobre o número de estrangeiros deveria dar espaço a questões relacionadas à formação dos atletas brasileiros. Jorge Jesus citou ainda o calendário do futebol como um dos pontos que precisam ser considerados. "O problema é a formação, qualidade da formação, é a calendarização. O Brasil tem uma boa calendarização e não sabe."O treinador também defendeu a manutenção dos campeonatos estaduais. Na visão dele, essas competições têm importância no desenvolvimento dos jogadores brasileiros. "Espero que não acabem com os estaduais, porque isso é um dos segredos do crescimento do jogador brasileiro", afirmou.REGRA TERÁ REDUÇÃO ATÉ 2030A decisão da CBF e dos clubes das Séries A e B representa uma mudança de direção em relação ao que vinha ocorrendo no futebol brasileiro nos últimos anos. O número máximo de estrangeiros relacionados por partida havia aumentado em 2023, quando o limite passou de cinco para sete jogadores. Em 2024, uma nova alteração elevou a quantidade permitida para nove atletas.A ampliação da regra coincidiu com um crescimento na presença de jogadores estrangeiros nos clubes brasileiros. Em 2022, último ano antes da primeira mudança, 103 atletas estrangeiros foram relacionados em partidas da Série A. Na atual edição do Campeonato Brasileiro, são 187 jogadores estrangeiros relacionados, número que representa crescimento de 81,6% em quatro anos.QUANTOS ESTRANGEIROS PODERÃO JOGAR NO BRASIL?A redução aprovada pelos clubes será implementada de forma progressiva. O limite será de oito estrangeiros relacionados por partida em 2027 e continuará diminuindo nos anos seguintes.A previsão é que, em 2030, os clubes das Séries A e B possam relacionar no máximo cinco jogadores estrangeiros por partida.A mudança busca alterar novamente a proporção entre atletas brasileiros e estrangeiros nos elencos, mas Jorge Jesus considera que o desenvolvimento dos jovens depende principalmente da qualidade do processo de formação e da organização do calendário nacional.
Fonte original: https://dol.com.br/esporte/mundo/963877/jorge-jesus-critica-reducao-de-estrangeiros-no-futebol-brasileiro




