Após a reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retomará a agenda internacional em Antália, na Turquia, para participar da COP31, entre os dias 09 e 20 de novembro. O encontro marcará a transferência da presidência da conferência climática, exercida pelo Brasil desde a COP30, em Belém.Segundo o presidente nacional do PT, Edinho Silva, a viagem deve ocorrer no próximo fim de semana, antes da montagem da equipe do novo governo. Realizada em 2025, a COP30 teve como embaixador André Corrêa Lago, responsável pela articulação política, e Ana Toni, CEO da conferência. “O presidente foi protagonista em todas as COPs organizadas durante os seus mandatos. Para ele é um evento muito importante", afirmou Edinho.Conteúdos relacionados: Trump chama eleição brasileira de “desgraça” e promete falar com LulaGoverno registra superávit de R$ 4,8 bilhões em setembroPará oficializa rota turística da Ilha do CombuA presença de Lula na COP31 foi anunciada após uma conversa telefônica com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, em agosto. De acordo com as autoridades, neste ano, a conferência terá um formato inédito de organização compartilhada: a Turquia sediará o evento, enquanto a Austrália presidirá as negociações. Ainda na ocasião, o governo turco destacou a possibilidade de ampliar a cooperação econômica bilateral. Com a ida à Turquia, Lula deve levar os resultados e as pendências da COP30, que terminou com 56 decisões aprovadas por consenso no chamado Pacote Mutirão. De acordo com as autoridades, ficaram fora do texto final da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) um roteiro para abandonar os combustíveis fósseis e outro para acabar com o desmatamento, ambas as propostas inédita. Lideradas pelo Brasil em negociações paralelas, as iniciativas reuniram o apoio de 115 países e 247 atores não estatais. Outro compromisso do presidente é ampliar os recursos do Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), mecanismo brasileiro destinado a remunerar países que preservam florestas tropicais. Na segunda-feira (26/10), um dia após a reeleição de Lula, a Holanda anunciou a intenção de contribuir com até US$ 500 milhões (R$ 2,5 bilhões) ao longo de dez anos. Com o anúncio, os compromissos somam US$ 7,8 bilhões, restando US$ 2,2 bilhões para alcançar a meta de US$ 10 bilhões até o fim de 2026. Quer receber notícias direto no celular? Acesse nosso canal no WhatsApp!Para as autoridades, a continuidade das iniciativas ambientais após a transferência da presidência é um dos principais desafios do governo brasileiro, que negocia com a futura gestão turca uma estrutura para manter os projetos da agenda de ação. No cenário interno, Lula também terá de negociar com o Congresso que assumirá em 2027, cuja composição apresenta menor convergência com as pautas ambientais, segundo o Observatório do Clima (OC). Dos 594 deputados e senadores, 409 (68,9%) estão nas faixas de baixa ou muito baixa convergência ambiental. No Senado, são 64 dos 81 parlamentares, ou 79%, nessas duas categorias.Já o plano de governo de Lula menciona “mudanças climáticas” 38 vezes e trata a crise como emergência. Entre as prioridades do presidente estão obras de infraestrutura resilientes, geração de renda para quem protege florestas e mananciais, ampliação de instrumentos financeiros para enfrentar os impactos climáticos, combate ao desmatamento, valorização dos povos originários e fortalecimento da bioeconomia. Segundo o plano, a principal meta é alcançar o desmatamento líquido zero até 2030, combinando a redução da derrubada de vegetação com reflorestamento e recuperação de áreas degradadas. Além disso, o documento também prevê fortalecer a indústria verde nacional, reduzir a dependência de insumos estrangeiros e ampliar as exportações brasileiras de soluções para a transição energética e ambiental durante o mandato de Lula.Parte dessas ações já está estruturada no Plano Clima, que reúne oito planos de mitigação, 16 de adaptação e cinco estratégias transversais. O programa Adapta Cidades também avança com o objetivo de aumentar a resiliência dos municípios diante dos impactos climáticos.

Fonte original: https://dol.com.br/noticias/brasil/966896/lula-vai-a-cop31-para-defender-legado-climatico-do-brasil