O presidente da França, Emmanuel Macron, anunciou nesta quinta-feira (22) que manifestações consideradas ilegítimas serão proibidas nos próximos dias. Ele atribuiu os distúrbios e saques registrados no último fim de semana a grupos que classificou como extremistas de esquerda e a vândalos.Após uma reunião com chefes de inteligência e ministros, Macron afirmou que manifestações organizadas por sindicatos poderão ocorrer, mas poderão ter seus trajetos alterados para proteger estabelecimentos comerciais.“ No último sábado, tivemos atos políticos e sediciosos por parte de grupos de extrema-esquerda cujo objetivo é derrubar a República”, declarou o presidente.Cidades proíbem manifestaçõesAs autoridades locais proibiram os protestos previstos para sábado em Marselha e Lyon, segunda e terceira maiores cidades francesas. Apesar das restrições, novas mobilizações estão sendo organizadas em diferentes regiões do país.A principal união estudantil francesa, a Unef, convocou uma manifestação para sábado. O movimento dos Coletes Amarelos, que ganhou força em 2018, também anunciou planos para uma marcha pelo centro de Paris.Em Paris, comerciantes começaram a proteger as vitrines com tábuas para evitar danos em caso de novos episódios de violência. A grife de luxo Hermès informou que reforçou a segurança de suas lojas na França. Já a feira internacional de arte Art Basel Paris anunciou que permanecerá fechada durante todo o fim de semana.Em Orléans, autoridades também se preparavam para possíveis confrontos durante a reunião anual do partido de extrema-direita Reunião Nacional, enquanto sindicatos e grupos de esquerda planejavam manifestações.Governo propõe novas puniçõesO ministro da Justiça francês, Gérald Darmanin, defendeu medidas mais rígidas contra pessoas envolvidas em atos violentos. Entre as propostas mencionadas estão a suspensão do direito de voto de quem desrespeitar proibições de participação em manifestações e restrições ao acesso às redes sociais para pessoas envolvidas em violência, saques ou ataques contra policiais.Um protesto estudantil previsto para quinta-feira em Paris chegou a ser proibido, mas acabou autorizado. Mesmo assim, estações de metrô na região central foram fechadas pelas autoridades de transporte público diante da expectativa de aglomerações não autorizadas.Violência aumenta pressão sobre o governoA França foi atingida por episódios de violência em 17 de outubro, durante protestos realizados em diferentes partes do país. Os acontecimentos ampliaram as preocupações com a segurança pública e a capacidade das autoridades de manter a ordem.Segundo autoridades francesas e a imprensa local, duas pessoas foram presas sob suspeita de envolvimento em um incêndio criminoso na prefeitura de Limoges.A terceira noite consecutiva de toques de recolher locais terminou sem incidentes graves nas áreas afetadas. O resultado trouxe algum alívio ao governo antes do fim de semana, quando novas manifestações são esperadas.A crise também ocorre em meio à insatisfação com o aumento dos custos de energia, a pressão sobre o orçamento das famílias e as preocupações com a qualidade dos serviços públicos. Esses fatores têm alimentado a frustração de trabalhadores e jovens.Crise política afeta mercado financeiroOs distúrbios intensificaram a troca de acusações entre integrantes da classe política francesa. O governo responsabiliza grupos de extrema-esquerda por estimular a agitação, enquanto as mobilizações refletem um cenário mais amplo de insatisfação social.A instabilidade também repercutiu no mercado financeiro. Nesta quinta-feira, o prêmio de risco da dívida pública francesa em relação aos títulos alemães atingiu o maior patamar em 15 anos. O rendimento do título francês de dez anos chegou a 5,14%, nível mais alto desde julho de 2002.

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