O ex-presidente da Venezuela Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, declararam-se inocentes nesta quinta-feira (15) diante de novas acusações apresentadas pela Justiça dos Estados Unidos. O casal é acusado de conspirar para torturar opositores políticos e militares suspeitos de se opor ao governo venezuelano. As alegações ampliam um processo criminal que já envolvia acusações relacionadas ao tráfico de drogas. Maduro, de 63 anos, e Flores, de 70, compareceram ao tribunal federal de Manhattan, em Nova York, perante o juiz Alvin Hellerstein. Durante a audiência, o ex-presidente classificou as acusações como falsas e afirmou rejeitar integralmente o documento apresentado pela promotoria. Flores também declarou inocência.O casal foi capturado por forças militares norte-americanas em Caracas, em 3 de janeiro de 2026, durante uma operação ordenada pelo presidente Donald Trump, e levado aos Estados Unidos. Desde então, ambos permanecem detidos no Centro de Detenção Metropolitano, no Brooklyn.Promotoria aponta suposta ordem de torturaSegundo os promotores federais de Manhattan, Maduro teria ordenado que autoridades venezuelanas torturassem políticos da oposição e militares suspeitos de conspirar contra seu governo. A acusação sustenta que as ações tinham como objetivo manter o ex-presidente no poder.Um dos episódios descritos no processo teria ocorrido em 2014, quando Maduro supostamente ordenou o sequestro de militares para obter informações sobre possíveis dissidentes. Conforme a denúncia, ele teria pedido que as autoridades intensificassem a pressão contra os suspeitos que resistiam aos interrogatórios.Flores também é apontada pela promotoria como participante do suposto plano. De acordo com a acusação, ela teria concordado com a estratégia discutida na ocasião.Maduro e a esposa, porém, não são acusados de executar pessoalmente atos de tortura. As alegações ainda precisam ser examinadas no processo judicial, e ambos são considerados inocentes até que haja condenação. Casal pode enfrentar pena mínima de 50 anosAntes das novas acusações, Maduro e Flores já haviam se declarado inocentes de acusações relacionadas ao uso de suas posições de poder para facilitar o transporte de cocaína por traficantes.Com a ampliação da denúncia, o processo passou a incluir formalmente a conspiração para cometer tortura, além de acusações anteriores relacionadas ao narcotráfico e a crimes envolvendo armas.Caso sejam condenados por todas as acusações, os dois poderão enfrentar uma pena mínima obrigatória de 50 anos de prisão, conforme as informações divulgadas sobre o processo.O julgamento, inicialmente previsto para junho de 2027, foi adiado para 14 de junho de 2027 após a inclusão das novas acusações.Relações entre Venezuela e Estados UnidosA relação entre Maduro e os Estados Unidos foi marcada por tensões durante os 13 anos em que ele esteve à frente da Venezuela. Governos norte-americanos impuseram sanções a autoridades venezuelanas e empresas estatais, citando acusações de violações de direitos humanos, corrupção e irregularidades eleitorais.Maduro, por sua vez, acusava Washington de tentar promover sua saída do poder para ampliar o controle sobre os recursos naturais venezuelanos.Após a captura do ex-presidente, a ex-vice-presidente Delcy Rodríguez assumiu a liderança do país e intensificou a cooperação com o governo norte-americano. Trump tem apresentado a operação como um dos principais resultados de sua política externa, em meio à preparação para as eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para 3 de novembro de 2026. 

Fonte original: https://dol.com.br/noticias/mundo-noticias/965615/maduro-e-esposa-negam-acusacoes-de-tortura-nos-eua