A condenada Christa Pike sobreviveu a duas doses de injeção letal durante uma tentativa de execução no Tennessee, nos Estados Unidos, e precisou ser encaminhada a um hospital depois que o procedimento foi interrompido. Segundo os advogados, ela não perdeu a consciência após receber duas seringas de pentobarbital, continuou apresentando batimentos cardíacos e chegou a roncar durante a execução.O governo do Tennessee confirmou a um juiz federal que Pike estava sob atendimento médico, mas, até a noite anterior, não havia divulgado informações detalhadas sobre o estado de saúde dela. A execução ocorreu após uma disputa judicial que provocou um atraso de aproximadamente nove horas.CONTEÚDO RELACIONADOEUA: execução de condenado é suspensa após falha em injeçãoEUA querem retomar volta da pena de morte por fuzilamentoSerial killer surpreende em últimas palavras antes da execuçãoEXECUÇÃO É INTERROMPIDADe acordo com petições emergenciais apresentadas pela defesa, Pike permaneceu parcialmente alerta durante o procedimento. Testemunhas disseram que ela chegou a cantar junto com um conselheiro espiritual."Vou deixar este mundo do jeito que passei a maior parte da minha vida. E isso é com amor", teria dito a condenada, segundo jornalistas que acompanharam a tentativa de execução.Quer mais notícias internacionais? Acesse o canal do DOL no WhatsApp.Repórteres presentes como testemunhas também relataram que Pike reclamou de uma sensação de queimação no braço durante a aplicação do medicamento.Depois disso, as cortinas que separavam a câmara de execução da área destinada às testemunhas foram fechadas e reabertas algumas vezes. Em determinado momento, permaneceram fechadas por quase uma hora. Segundo os relatos, era possível ouvir respiração e ronco vindos da sala.ESTADO DIZ QUE PROTOCOLO FOI SEGUIDOO Departamento de Correção do Tennessee afirmou que todas as etapas previstas no protocolo estadual foram cumpridas.Em comunicado, o órgão declarou que o procedimento seguiu o protocolo de execução legal estabelecido no Estado e aprovado pelo gabinete do procurador-geral. O departamento também afirmou que o medicamento utilizado costuma apresentar eficácia nas execuções.Segundo a pasta, o produto químico previsto no protocolo de injeção letal "tem sido consistentemente eficaz". A defesa, entretanto, já havia questionado a segurança do procedimento. Os advogados alegaram anteriormente que Pike possuía veias pequenas e outras condições médicas que poderiam dificultar a aplicação dos medicamentos.Após a interrupção da execução, a defesa afirmou que as preocupações apresentadas anteriormente acabaram se confirmando.SEGUNDO CASO DE FALHA NO TENNESSEEA tentativa envolvendo Pike foi a segunda execução malsucedida no Tennessee em 2026, segundo informações do The New York Times. Em maio, outra execução precisou ser cancelada porque a equipe médica não conseguiu localizar uma veia para administrar o medicamento.Robin Maher, diretora-executiva do Death Penalty Information Center, afirmou que o episódio envolvendo Pike não encontra paralelo recente, classificando-o como diferente de outras execuções malsucedidas registradas na era moderna.DECISÕES JUDICIAIS ATRASARAM PROCEDIMENTOA execução também foi marcada por uma disputa nos tribunais. Diferentes decisões judiciais ao longo do dia fizeram com que o procedimento fosse adiado por cerca de nove horas.Segundo o The New York Times, o Estado tentou realizar a execução ainda naquele dia para evitar que fosse necessário remarcar o procedimento. Horas antes da tentativa, a Suprema Corte dos Estados Unidos autorizou a execução ao derrubar uma suspensão determinada por uma instância inferior.Três ministras da ala liberal da Suprema Corte discordaram da decisão. A ministra Sonia Sotomayor afirmou, em sua manifestação, que a maioria havia impedido desnecessariamente que um tribunal de apelações analisasse os argumentos apresentados pela defesa.Sotomayor também questionou a urgência para realizar o procedimento diante da possibilidade de um erro judicial.PIKE SERIA PRIMEIRA MULHER EXECUTADO NO ESTADO EM MAIS DE DOIS SÉCULOSChrista Pike, atualmente com 50 anos, foi condenada pelo assassinato de uma colega em 1995. Ela tinha 18 anos quando o crime aconteceu e, segundo a reportagem, contou com a participação do então namorado e de um amigo.Caso a execução tivesse sido concluída, Pike seria a primeira mulher executada pelo Tennessee em mais de 200 anos.Após a falha do procedimento, o Estado interrompeu a execução e encaminhou a condenada para atendimento médico. Até o momento indicado pelas autoridades e pela defesa nas informações divulgadas, não havia detalhes públicos sobre sua condição clínica.

Fonte original: https://dol.com.br/noticias/mundo-noticias/964274/mulher-sobrevive-a-duas-doses-de-injecao-letal-nos-eua