Mulheres Xikrins trocam o arco e a flecha pela bola e entram em campo para disputar mais uma rodada de futebol na Terra Indígena Trincheira Bacajá, no Pará. Entre dribles, gols e torcida, o campeonato reúne crianças, jovens, adultos e lideranças das aldeias em uma celebração que mistura esporte, tradição e cultura.A iniciativa movimenta dezenas de mulheres indígenas, que formaram seus próprios times e vêm se enfrentando em partidas eliminatórias no formato mata-mata ao longo dos últimos dias. A competição segue até 16 de setembro, quando serão conhecidos os times campeões. Além da disputa feminina, o campeonato também conta com equipes masculinas, que entram em campo para disputar entre si em uma programação que mobiliza diferentes gerações das aldeias.Para as competidoras, a competição vai muito além do resultado dentro de campo. As disputas se transformam em um espaço de encontro, troca e fortalecimento entre parentes de diferentes comunidades indígenas, reunindo índias de distintas gerações em torno do esporte. Mais do que disputar partidas, elas compartilham experiências, fortalecem vínculos e ajudam a transmitir aos mais jovens valores, tradições e formas de celebrar a própria cultura.“Este projeto é um marco para o nosso povo em torno de um objetivo comum. A comunidade Xikrin sempre foi apaixonada pelo esporte, mas agora temos organização para fortalecer tanto o futebol quanto as nossas tradições, como o arco e flecha”, conta o cacique Bep Kamaty Xikrin, presidente da Associação Indígena Berê Xikrin da Terra Indígena Bacajá.Futebol feminino também ganha espaço na arenaEntre as atividades do projeto está o futebol feminino, que reúne cerca de 23 times indígenas. A rotina das atletas acontece nas próprias aldeias. Durante a semana, os participantes treinam em suas aldeias e uma vez por mês, as equipes se encontram na arena da Aldeia Krãhn, onde são realizados todos os jogos e as grandes manifestações culturais.Assim, o campeonato se transforma também em um momento de encontro das delegações indígenas de diferentes aldeias, passam os dias em festa e grandes comemorações misturam esporte e cultura.Uma festa que começa no centro da arena e termina com cantos e dançasNo dia 12 de setembro, a programação abre com mata-mata na arena da Aldeia Krãhn. Depois do jogo, o campo dá palco à rica cultura Xikrin. , a comunidade participa de uma noite com cantos e danças tradicionais, além de exposições, feira de artesanato, pinturas corporais Xikrin.No dia seguinte, os visitantes poderão acompanhar os jogos, visitar os stands . A programação também inclui uma expedição de canoagem e vivência pelo Rio Bacajá.



Esporte como forma de manter a tradiçãoA ideia de organizar as atividades surgiu de uma realidade já conhecida pelos indígenas Xikrin, que sempre tiveram forte ligação com o esporte, mas os treinos e campeonatos aconteciam sem uma estrutura e apoio contínuo. Com o projeto, as atividades passaram a seguir um calendário e a envolver diferentes gerações.O arco e flecha, por exemplo, divide espaço com o futebol e outras modalidades esportivas. A intenção é fazer com que práticas tradicionais continuem presentes no dia a dia dos participantes.“Vejo como uma oportunidade de ensinar aos nossos jovens a importância da união e do cuidado com as nossas raízes. Ver nossa cultura viva, com cantos e danças integrados às competições, nos dá a certeza de que estamos construindo um futuro mais forte para as próximas gerações da Terra Indígena Bacajá”, diz o cacique e presidente da associação BERE XIKRIN, Bep Kamaty Xikrin.Os participantes recebem orientações sobre o descarte correto de resíduos e a preservação do território. A proposta é aproximar o esporte de um valor que está presente na vida das comunidades: o cuidado com a floresta.Quer saber mais notícias do Pará? Acesse nosso canal no WhatsApp Um encontro que aproxima as aldeias XikrinO projeto KUKRADJÁ XIKRIN TRANSPETRO começou em novembro de 2025 e atende 14 aldeias ligadas à Associação Indígena Berê Xikrin. Os primeiros meses foram dedicados à organização das equipes, aos treinamentos e à logística para aproximar comunidades que vivem em uma região onde o deslocamento pode levar tempo e exigir planejamento. A partir daí, os encontros esportivos passaram a fazer parte do calendário das aldeias.Confira a programação do campeonato:14, 15 e 16 de setembro08h00 às 12h00 — Manhã de jogos: fases eliminatórias, quartas de final e semifinais.12h00 às 14h00 — Almoço e convivência comunitária.14h00 às 18h00 — Tarde de jogos e finais.Realização: Associação Indígena Berê XikrinAbrangência: 16 aldeias da Associação Indígena Berê Xikrin — Terra Indígena Bacajá (PA)Modalidades: futebol feminino e masculino, corrida, pau de sebo, cabo de guerra e arco e flechaFomento: Lei Federal de Incentivo ao Esporte (Lei nº 11.438/06)Patrocínio: Transpetro

Fonte original: https://dol.com.br/noticias/para/962840/mulheres-xikrins-dao-forca-ao-futebol-nas-aldeias-do-para