O Nordeste foi decisivo para garantir ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a vantagem nacional sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2026, realizado no domingo, 25 de outubro. A região proporcionou ao petista uma diferença de 13,65 milhões de votos. No Sudeste, onde o senador manteve a liderança, Lula conseguiu reduzir em 2,86 milhões de votos a vantagem do adversário em relação ao primeiro turno. A mudança no cenário eleitoral, que incluiu a virada em Minas Gerais, contribuiu para definir o resultado da disputa presidencial.Levantamento do Congresso em Foco, com base nos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), aponta que os dois candidatos ampliaram suas votações absolutas nas cinco regiões brasileiras entre os turnos. No entanto, o crescimento de Lula foi superior ao de Flávio em todas elas, reduzindo as diferenças nas regiões favoráveis ao senador e garantindo ao petista a liderança no Norte.CONTEÚDOS RELACIONADOSFlávio chama eleição de “sacanagem” e pede anulação“Derrota da mentira”: Lula manda recado após vitóriaLula vence Flávio Bolsonaro no Pará com 55% dos votosOs números utilizados no levantamento correspondem à apuração de 25 de outubro, às 22h32, quando 99,99% das seções eleitorais estavam totalizadas. Naquele momento, ainda havia pendências na contabilização dos votos no Nordeste e no Sudeste.Nordeste garante vantagem de 13,6 milhões de votos O Nordeste foi a região em que Lula conquistou sua maior vantagem absoluta no segundo turno. O presidente recebeu 24.449.844 votos, equivalentes a 69,37% dos votos válidos na região. Flávio Bolsonaro somou 10.796.569 votos, ou 30,63%.A diferença entre os candidatos chegou a 13.653.275 votos, superando com folga as vantagens obtidas pelo senador nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.No primeiro turno, Lula havia terminado a votação com uma dianteira de aproximadamente 11,1 milhões de votos no Nordeste. Entre as duas etapas da eleição, o petista acrescentou 2.955.848 votos à sua votação regional, enquanto Flávio ganhou 397.763 votos.Com isso, a vantagem de Lula na região aumentou em aproximadamente 2,56 milhões de votos.O resultado nordestino foi fundamental para compensar a liderança de Flávio nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Somadas, essas três regiões deram ao senador uma vantagem de aproximadamente 9,25 milhões de votos, número inferior à diferença conquistada pelo presidente no Nordeste.Sudeste registra a maior redução Apesar de Flávio Bolsonaro ter vencido no Sudeste, foi nessa região que Lula obteve o avanço mais expressivo na comparação entre os dois turnos.O senador recebeu aproximadamente 26,84 milhões de votos, correspondentes a 52,76% do total regional. Lula somou cerca de 24,04 milhões, o equivalente a 47,24%.A vantagem de Flávio, que havia sido de aproximadamente 5,66 milhões de votos no primeiro turno, caiu para cerca de 2,81 milhões no segundo. A redução foi de aproximadamente 2,86 milhões de votos.Entre as duas votações, Lula acrescentou 4,8 milhões de votos à sua contagem no Sudeste, enquanto Flávio ampliou sua votação em aproximadamente 1,94 milhão.O desempenho do petista teve impacto importante no resultado da região mais populosa do país, que concentra o maior número de eleitores brasileiros.Minas Gerais muda de lado no segundo turnoMinas Gerais teve papel central na redução da vantagem de Flávio no Sudeste. No primeiro turno, o senador havia conquistado uma diferença de aproximadamente 589 mil votos sobre Lula no estado.No segundo turno, o cenário mudou, e o presidente venceu por uma margem apertada. A inversão fez de Minas Gerais a principal mudança de liderança estadual entre os dois candidatos na comparação entre as duas votações.Em São Paulo e no Rio de Janeiro, Flávio continuou à frente, mas com vantagens menores. Dessa forma, o crescimento da votação de Lula no Sudeste diminuiu o peso da liderança do senador na região.Sul e Centro-Oeste mantêm liderança de FlávioAs regiões Sul e Centro-Oeste continuaram favoráveis a Flávio Bolsonaro no segundo turno. Entretanto, a vantagem do senador diminuiu nas duas áreas em comparação com o primeiro turno.No Sul, Flávio recebeu aproximadamente 11,39 milhões de votos, o equivalente a 62,58% do total regional. Lula obteve cerca de 6,81 milhões, correspondentes a 37,42%.A diferença entre os candidatos ficou em aproximadamente 4,58 milhões de votos, abaixo dos 5,04 milhões registrados no primeiro turno.No Centro-Oeste, o senador também permaneceu na liderança, com cerca de 5,6 milhões de votos, ou 60,01%. Lula alcançou aproximadamente 3,73 milhões, equivalentes a 39,99%.A vantagem de Flávio na região caiu de aproximadamente 2,17 milhões para 1,87 milhão de votos.Somadas, as duas regiões deram ao senador uma dianteira de aproximadamente 6,45 milhões de votos no segundo turno, cerca de 760 mil a menos do que na primeira votação.Lula vira no Norte por diferença de pouco mais de mil votosO Norte registrou a disputa regional mais equilibrada do segundo turno. Lula recebeu 5.024.626 votos, apenas 1.079 a mais que Flávio Bolsonaro, que somou 5.023.547 votos.A diferença representa uma mudança significativa em relação ao primeiro turno, quando o senador havia vencido na região por aproximadamente 459 mil votos.Entre as duas etapas da eleição, Lula acrescentou cerca de 474 mil votos à sua votação no Norte. Flávio, por sua vez, ganhou aproximadamente 14 mil votos.O crescimento mais expressivo da votação petista foi suficiente para inverter o resultado regional e garantir a Lula uma vitória por margem estreita.Nordeste e Sudeste foram decisivos para o resultado nacionalA distribuição dos votos pelas cinco regiões brasileiras evidencia dois movimentos importantes na eleição de 2026. De um lado, o Nordeste garantiu a Lula uma ampla vantagem, que compensou os resultados favoráveis a Flávio Bolsonaro no Sul, Sudeste e Centro-Oeste.De outro, o avanço do petista no Sudeste reduziu significativamente a diferença que o senador havia construído no primeiro turno. A virada em Minas Gerais e a diminuição das vantagens de Flávio em São Paulo e no Rio de Janeiro contribuíram para esse cenário.As mudanças também ocorreram no Norte, onde Lula passou de uma derrota expressiva no primeiro turno para uma vitória por apenas 1.079 votos no segundo. No Sul e no Centro-Oeste, embora Flávio tenha mantido a liderança, sua vantagem diminuiu.Considerando as cinco regiões brasileiras, Lula terminou o segundo turno com uma vantagem conjunta de aproximadamente 4,4 milhões de votos, sem incluir os votos registrados no exterior.O resultado contrasta com o primeiro turno, quando Flávio Bolsonaro havia recebido mais votos que o petista no país. A mudança na distribuição regional da votação, especialmente o desempenho de Lula no Nordeste e o avanço no Sudeste, foi determinante para o desfecho da disputa presidencial.

Fonte original: https://dol.com.br/noticias/politica/eleicoes-2026/966562/nordeste-e-sudeste-foram-decisivos-para-a-reeleicao-de-lula-entenda