Saúde mental e equilíbrio hormonal estão conectados. Nos homens, a deficiência de testosterona pode vir acompanhada de cansaço, menor disposição e redução da libido, queixas também presentes em quadros depressivos. Durante o Novembro Azul, campanha dedicada à conscientização e ao cuidado com a saúde do homem, reconhecer essa relação permite considerar o bem-estar emocional e as condições físicas do paciente em conjunto.Segundo o psiquiatra Danillo Bastos, investigar alterações hormonais faz parte da avaliação quando há sinais que justifiquem essa abordagem. Em pacientes com depressão e deficiência de testosterona confirmada, a reposição pode integrar o tratamento.CONTEÚDOS RELACIONADOS:Esquecimento é sintoma: quando é hora de investigar?Rabdomiólise: conheça a doença que matou uma jovem na maratona de NY“Saúde física está junto com saúde mental. O tratamento é feito em paralelo. Depende muito da intensidade dos sintomas e do que a gente está avaliando naquele momento”, explica.A reposição consiste na administração de testosterona para corrigir uma deficiência comprovada e restabelecer níveis adequados ao funcionamento do organismo. Essa deficiência pode caracterizar o hipogonadismo masculino, cujo diagnóstico considera sintomas, exames e a investigação da causa.A redução do desejo sexual é uma das queixas que merecem atenção nessa avaliação. Mudanças nas ereções espontâneas ao acordar também devem ser relatadas ao médico. Esses sinais ajudam a orientar a investigação, mas não confirmam, isoladamente, deficiência hormonal: saúde mental, sono, medicamentos e outras condições também podem interferir na função sexual. “Esse é um sinal de alarme, não de que o homem precisa repor, mas de que precisa ser avaliado por um especialista.”Uma análise do Traverse — estudo clínico que comparou testosterona com placebo para avaliar sua segurança e seus efeitos em homens com deficiência hormonal —, publicada em 2024, avaliou 5.204 participantes. Foram observadas pequenas melhoras no humor e na energia entre aqueles que receberam o hormônio. O achado indica uma possível contribuição para o bem-estar desses pacientes, sem estabelecer a reposição como tratamento isolado para depressão.Sobre o medo de que a reposição hormonal possa causar câncer, o médico explica que não há estudos que confirmem essa hipótese. Outra análise do Traverse avaliou a segurança prostática e não encontrou diferença significativa na ocorrência de câncer de próstata entre os grupos que receberam testosterona e placebo, nas condições e no período estudados.Avaliação conjuntaDeficiência hormonal e depressão podem ocorrer simultaneamente e demandar intervenções complementares. “Os sintomas da deficiência de testosterona e da depressão podem ser muito parecidos, o que dificulta diferenciá-los apenas pelas queixas do paciente. Além disso, as duas condições podem coexistir”, destaca o médico.O cuidado pode reunir acompanhamento psiquiátrico, psicoterapia, correção hormonal e mudanças de hábitos, com participação de outros especialistas quando necessário.Rafael Ruiz Baena, retomou o acompanhamento médico após uma recaída durante o tratamento para burnout. Atualmente, recebe cuidado psiquiátrico e reposição de testosterona.“Estou no começo do tratamento, mas sinto já estar me recuperando. Me sinto melhor do que estava, com mais energia e pronto para começar a voltar aos meus hábitos antigos”, relata. A melhora percebida se refere ao conjunto do tratamento.Segundo Bastos, algumas mudanças podem ser percebidas em duas a três semanas, dependendo da formulação e da resposta individual. Entre as opções estão o gel aplicado na pele e as apresentações injetáveis, com diferentes tempos de liberação. “Depende muito do tipo de testosterona que a gente vai usar”, explica. A escolha e a evolução devem ser acompanhadas pelo médico, pois os diferentes sintomas podem responder em tempos distintos.ObesidadeA redução da testosterona também pode ocorrer em homens mais jovens. A obesidade, especialmente com acúmulo de gordura visceral, localizada ao redor dos órgãos abdominais, pode contribuir para alterações na produção hormonal. Uma das condições associadas é o hipogonadismo secundário masculino relacionado à obesidade, conhecido como Síndrome MOSH.Quer receber mais notícias e dicas de saúde? Acesse o canal do DOL no WhatsApp!“O principal tratamento nem sempre é a reposição, o principal tratamento é o emagrecimento. Aqui, o emagrecimento conversa tanto com a saúde mental quanto com a saúde hormonal e metabólica. Não necessariamente apenas falando do peso, mas falando do equilíbrio de todo o corpo”, conclui Bastos.

Fonte original: http://dol.com.br/noticias/te-cuida/967405/novembro-azul-reposicao-de-testosterona-pode-ajudar-na-saude-mental-dos-homens