Dirigentes eleitos do Clube do Remo poderão receber salários pelo exercício das funções, desde que a remuneração seja autorizada pelos órgãos competentes da instituição. A possibilidade, prevista no novo Estatuto Social aprovado na última terça-feira (20), foi confirmada ao DOL pelo presidente da Assembleia Geral, João Paulo Mendes, que explicou as condições necessárias para a aplicação da medida.A mudança consta no artigo 93, que permite remunerar atividades de planejamento, execução, orientação e fiscalização. O dispositivo não estabelece valores nem define quais cargos terão direito ao pagamento, mas abre espaço para que integrantes da administração azulina sejam remunerados mediante aprovação orçamentária.Conteúdo Relacionado:Remo: Assembleia aprova estatuto com mudanças na gestão e fiscalizaçãoEleição do Remo: vices articulam chapas, mas Tonhão avalia reeleiçãoAo ser questionado sobre a abrangência da regra, João Paulo confirmou que a autorização também poderá alcançar dirigentes eleitos. Entretanto, ressaltou que a decisão não ficará exclusivamente nas mãos do presidente do clube, dependendo da participação dos demais poderes da instituição."Esse processo seria para dirigentes do clube também. Só que isso precisa ter aprovação orçamentária, passar pelo Conselho Deliberativo, com regras rígidas para tanto, para que isso seja gerido, aprovado e fiscalizado pelos poderes do clube", explicou.Segundo o presidente da Assembleia Geral, a proposta está relacionada à modernização administrativa do Remo e à adoção de mecanismos de governança. A intenção, conforme a explicação, é permitir uma estrutura de gestão profissional sem dispensar os controles internos sobre a utilização dos recursos."Então apenas para deixar isso muito claro que, com base no (artigo 93), não significa dizer que o presidente eleito poderá ele constituir um orçamento e ele será remunerado. Não é assim que funciona. Por isso a participação ativa de todos os poderes da instituição", acrescentou.Artigos 92 e 93A possibilidade de pagamento a dirigentes também trouxe questionamentos sobre a compatibilidade entre dois dispositivos do novo estatuto. Enquanto o artigo 92 estabelece restrições à elegibilidade de associados que recebem remuneração do clube, o artigo 93 prevê que determinadas funções poderão ser remuneradas mediante aprovação do orçamento.Procurado pelo DOL para esclarecer essa diferença, João Paulo Mendes afirmou que não considera as regras contraditórias. Na interpretação apresentada pelo dirigente, o artigo 92 estabelece uma condição existente, enquanto o artigo seguinte trata de uma possibilidade futura, que dependerá do cumprimento de exigências específicas."Nós temos uma regra que é o 92 e nós temos uma previsão específica desde que seja aprovado por todos os órgãos do clube. Isso acontecendo, nós temos uma previsão específica que não contraria o 92", declarou.Leia Mais:Cruzeiro x Remo: horário, escalações, desfalques e onde assistirChapa estuda retorno de Sérgio Papellin ao Remo para 2027Jajá vê Remo capaz de reagir e "fazer o torcedor feliz novamente"Remo completa 5 meses sem vencer fora de casa e desafia CruzeiroO dirigente também enfatizou que a autorização não representa a criação imediata de salários. Segundo ele, somente após a aprovação das condições necessárias seria possível aplicar a previsão de remuneração."Isso não é algo que vai acontecer imediatamente. Se fosse, teria uma contrariedade ao 92, mas não é. O 92 está posto hoje à realidade e a realidade do 93 acontecendo, todos ficarão vinculados a ela, sem que haja divergência ao 92", afirmou.A possibilidade de remuneração ainda dependerá de definições internas do clube, incluindo os cargos que poderão ser contemplados e os valores envolvidos. Conforme explicou João Paulo Mendes, essas decisões deverão seguir os procedimentos de aprovação orçamentária, autorização e fiscalização previstos no novo estatuto.

Estatuto ainda aguarda procedimentos em cartórioOutro aspecto esclarecido pelo presidente da Assembleia Geral envolve a situação jurídica do novo documento. Embora a reforma tenha recebido aprovação dos associados, os procedimentos cartorários necessários à formalização do estatuto ainda não foram concluídos."Como ainda estão em curso as etapas burocráticas do Estatuto perante Cartórios, apenas após esta etapa que passamos a ter validade para o futuro", informou João Paulo Mendes.A reforma foi aprovada em Assembleia Geral Extraordinária com 67 votos favoráveis e apenas um contrário, o equivalente a 98,53% de aprovação. Além da possibilidade de remuneração, o texto estabelece mudanças relacionadas à fiscalização financeira, prestação de contas e organização administrativa do clube.Acesse para mais notíricas do Leão AzulO debate acontece às vésperas da eleição marcada para 8 de novembro, que definirá os dirigentes responsáveis pela gestão do Remo no triênio 2027–2029. Apesar da nova previsão estatutária, não existe confirmação de que a próxima administração pretenda instituir salários para seus integrantes.
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Fonte original: https://dol.com.br/esporte/remo/966363/novo-estatuto-do-remo-abre-caminho-para-salario-de-dirigentes