A Afya e a Yduqs, dona da Estácio e do Ibmec, confirmaram a fusão de suas operações e vão criar um dos maiores grupos de educação médica privada do Brasil. O anúncio ocorre semanas após as duas empresas admitirem que negociavam a possibilidade. Pelos termos do acordo, a Afya será incorporada pela Yduqs e, em seguida, extinta. Leia também:Eleições: TSE garante download do e-Título nos dias de votaçãoPetrobras oferece 820 vagas em cursos de qualificação e paga auxílio a alunosA companhia resultante permanecerá listada no Novo Mercado da B3. Ao fim da transação, os acionistas da Afya deterão 69% do novo grupo, enquanto os da Yduqs ficarão com 31% restantes.O fechamento do negócio depende da aprovação do Cade, órgão brasileiro de defesa da concorrência, e está previsto para ocorrer até 31 de março de 2028. Juntas, as duas companhias somam mais de R$ 9,2 bilhões em valor de mercado. A Yduqs está avaliada em R$ 2,98 bilhões, enquanto a Afya, listada na Bolsa de Nova York, vale US$ 1,2 bilhão, o equivalente a R$ 6,2 bilhões.A estimativa é de que a fusão gere entre R$ 2 bilhões e R$ 2,2 bilhões em sinergias. Ainda segundo as empresas, 80% dessa soma pode ser alcançada nos primeiros três anos após o fechamento da operação.O grupo resultante pagará ao menos R$ 750 milhões em dividendos, desde que cumpridas as condições estabelecidas no acordo. Os principais acionistas de ambas as companhias (a família Zaher e a Advent, no lado da Yduqs, e o Bertelsmann e a família Esteves, no da Afya) se comprometeram a votar favoravelmente nas assembleias e a não vender suas ações antes e depois da conclusão.Gigante na medicinaJuntas, Afya e Yduqs chegarão a cerca de 38 mil alunos em cursos de medicina e quase 5,9 mil vagas anuais nessa área, segundo dados confirmados pelo comunicado enviado ao mercado. Isso as torna, de fato, uma gigante no segmento de ensino médico privado no país. A medicina é o segmento premium do ensino superior privado. Na Idomed, unidade de medicina da Yduqs, o tíquete médio de um aluno matriculado há mais de um ano chegou a R$ 13.037 no primeiro semestre. Nos demais cursos presenciais do grupo, por outro lado, a mensalidade média foi de apenas R$ 973.A Afya, por sua vez, opera 38 instituições no segmento de saúde no Brasil, sendo 32 com cursos de medicina e 25 com pós-graduação e educação continuada nas áreas médicas.O racional da fusão é criar complementariedade entre as duas plataformas. Assim, a Afya ganha escala operacional num mercado com crescente concorrência, e a Yduqs agrega ao seu portfólio uma rede de ponta na área de saúde.Duas frentes prioritáriasO novo grupo terá duas frentes de atuação prioritárias:Educação continuadaCursos preparatórios para residência médica, pós-graduação e provas de especialização, segmento este em que a Afya somava mais de 56 mil alunos ativos em junhoSoluções para prática médicaPlataforma de tecnologia que inclui o Whitebook, ferramenta de apoio à decisão clínica, além de outras soluções digitais com inteligência artificialResultados recentesNo segundo trimestre deste ano, a Yduqs registrou lucro líquido de R$ 14 milhões, queda de 54,2% em relação ao mesmo período de 2026. No acumulado do primeiro semestre, o lucro foi de R$ 11 milhões, recuo de 11% ante o mesmo intervalo do ano anterior. A Afya, por outro lado, apresentou desempenho mais robusto. No primeiro semestre, a empresa registrou lucro líquido de R$ 463 milhões, alta de 6,8% em relação aos seis primeiros meses de 2025.Histórico de grandes negóciosEssa não é a primeira vez que a Yduqs protagoniza uma grande transação no setor. Em 2019, a companhia comprou a Adtalem Brasil, dona do Ibmec, por R$ 1,92 bilhão. Antes disso, em 2016, chegou a anunciar a fusão da Estácio com a Kroton, hoje Cogna, numa operação de R$ 5,5 bilhões. O negócio, contudo, foi barrado pelo próprio Cade em 2017.Para a transação atual, a Yduqs contou com assessoria do BTG Pactual e dos escritórios Lobo de Rizzo, Spinelli Advogados, Milbank LLP e Convers Dill & Pearman.Quer receber mais notícias do Brasil e do mundo? Acesse o canal do DOL no WhatsApp!A Afya, por fim, foi apoiada pelo Bank of America Merrill Lynch e pelos escritórios Demarest Advogados, Caminati Bueno Advogados, Maples and Calder LLP e Davis Polk & Wardwell LLP.

Fonte original: https://dol.com.br/noticias/brasil/963714/o-que-muda-para-alunos-da-estacio-apos-fusao-com-a-afya