O reajuste da Equatorial Pará já chegou ao bolso dos consumidores. E os primeiros resultados mostram que, por trás dos percentuais anunciados, existem aumentos que pesam no orçamento familiar e nos custos das empresas. Afinal, quanto estamos pagando a mais pela energia elétrica?A ANEEL aprovou reajuste médio de 6,94%, sendo 6,70% para os consumidores residenciais e 8,09%, em média, para os atendidos em alta tensão. Mas esses índices não significam que todas as contas aumentarão exatamente nesses percentuais.Para demonstrar seus efeitos, analisei faturas reais de consumidores paraenses, preservando suas identidades. Mantive as condições de consumo e comparei os valores anteriores com os resultados da aplicação das novas tarifas homologadas pela ANEEL.O primeiro exemplo é de uma residência que consumiu 895 kWh em 30 dias e pagou R$ 1.275,08. Com as novas tarifas, a simulação aponta uma conta de R$ 1.350,84. São R$ 75,76 adicionais por mês, equivalentes a aproximadamente R$ 909 por ano, caso esse padrão de consumo se mantenha.No segundo exemplo, utilizamos o consumo equivalente ao de um pequeno comércio: 2.113 kWh em 31 dias. Tomando como referência uma fatura de R$ 2.985,98 e mantendo suas condições tributárias, o valor simulado chega a R$ 3.169,57. Isso representa R$ 183,59 adicionais por mês, ou aproximadamente R$ 2.203 em doze meses.Na alta tensão, o impacto financeiro pode ser muito maior. Analisei também a fatura de uma indústria, na modalidade tarifária Verde, com consumo mensal de aproximadamente 95,6 mil kWh, demanda faturada de 420 kW e despesa de R$ 102.757,19. Com as novas tarifas, a simulação aponta R$ 108.554,83. São R$ 5.797,64 adicionais por mês, ou quase R$ 69,6 mil em um ano.Esses exemplos mostram a dimensão econômica do reajuste. Para as famílias, significa comprometer mais recursos com uma despesa essencial. Para as empresas, representa aumento dos custos de produção, com possíveis reflexos na competitividade e nos preços dos produtos.Entretanto, o reajuste não é o único fator responsável pelo aumento da conta. O consumo, as bandeiras tarifárias, os tributos e outras cobranças também influenciam o valor final. As simulações mantiveram as condições das faturas originais, mas os valores efetivos podem variar.Outro aspecto frequentemente ignorado é o número de dias faturados. Uma conta de 33 dias pode ser maior que outra de 28, mesmo sem aumento do consumo diário. Além disso, como o reajuste entrou em vigor em 18 de setembro, as primeiras faturas posteriores a essa data puderam reunir períodos cobrados pelas tarifas antigas e novas. Agora, conforme o ciclo de leitura, os consumidores recebem contas que refletem integralmente o reajuste.Portanto, para saber quanto o reajuste realmente aumentou sua conta, não basta comparar o valor pago no mês anterior com o atual. É necessário verificar o consumo, os dias faturados e as tarifas aplicadas. Se houver diferenças injustificadas, o consumidor deve solicitar esclarecimentos à distribuidora.O impacto não se limita às residências. Energia mais cara aumenta os custos do comércio, da indústria, do agronegócio e dos serviços públicos, podendo comprometer a competitividade, pressionar preços e reduzir recursos disponíveis para investimentos.O reajuste pode ser expresso em percentuais, mas suas consequências são medidas em reais. E cada real adicional na conta representa menos recursos para as famílias, mais custos para as empresas e novos desafios para a economia paraense.João de Deus Lobato é engenheiro eletricista, ex-executivo da distribuidora de energia do Pará, articulista do Diário do Pará, DOL e Gazeta do Amapá, consultor em energia e apresentador do podcast ÉLivre com João Lobato.
Fonte original: https://dol.com.br/colunistas/joao-de-deus-lobato/966475/o-reajuste-chegou-a-conta-de-luz-quanto-voce-esta-pagando-a-mais




