A recente polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida voltou a colocar sob os holofotes a ligação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com o bispo JB Carvalho, fundador da Comunidade das Nações, igreja evangélica de Brasília frequentada pelo senador. Carvalho já publicou críticas à devoção católica a Maria e chegou a questionar, em livro, o reconhecimento de Aparecida como padroeira do Brasil.A relação entre Flávio e a instituição religiosa, porém, não começou com a atual controvérsia eleitoral. Em 2024, o senador e a mulher, Fernanda Bolsonaro, foram batizados na Comunidade das Nações. Já no fim de 2025, depois de anunciar sua pré-candidatura à Presidência, Flávio voltou à igreja para uma aparição pública.CONTEÚDO RELACIONADODino revoga decisão de Mendonça e libera post de humorista sobre padroeiraImagem de Santa Dulce é destruída dentro de igreja na BahiaImagem de Aparecida é alvo de incêndio criminoso em Novo ProgressoCOMO A POLÊMICA TROUXE A IGREJA DE VOLTA AO CENTRO DO DEBATEO assunto ganhou força depois que Flávio afirmou, em agosto deste ano, que, caso fosse eleito presidente, "um dos meus primeiros atos será decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo".Quer mais notícias nacionais? Acesse o canal do DOL no WhatsApp.A declaração provocou reações entre católicos e acabou sendo relacionada ao histórico religioso da família e à igreja frequentada pelo senador. O debate ganhou um elemento adicional porque o fundador da Comunidade das Nações possui um posicionamento público bastante crítico em relação à devoção mariana.O QUE JB CARVALHO ESCREVEU SOBRE NOSSA SENHORAAs críticas de JB Carvalho à devoção mariana aparecem em "A Bomba: A verdade pode ser explosiva". Em um dos trechos reproduzidos publicamente, o bispo afirma: "Deus odeia o culto à Rainha dos Céus".Na argumentação apresentada no livro, Carvalho recorre a passagens dos capítulos 7 e 44 do livro bíblico de Jeremias para sustentar sua interpretação de que a chamada "Rainha dos Céus" era uma divindade cultuada na antiguidade. Ele associa essa prática à idolatria e à ideia de que a adoração deveria ser dirigida exclusivamente a Deus.Em outro trecho, o autor resume sua interpretação afirmando que "A adoração a essa entidade representa uma disputa pela glória reservada exclusivamente a Ele".O livro também apresenta críticas diretamente relacionadas à devoção católica a Maria. Em outro trecho, Carvalho afirma: "Maria não é senhora" e questiona práticas da devoção mariana, incluindo a repetição da Ave-Maria no rosário.CRÍTICAS A NOSSA SENHORA APARECIDAA posição de Carvalho vai além da crítica teológica à devoção mariana. No livro, ele questiona a própria condição de Nossa Senhora Aparecida como padroeira do Brasil.Em um dos trechos atribuídos à obra, o bispo afirma: "A lei que estabelece Aparecida como padroeira no Brasil é ilegal". Ele também sustenta que não haveria amparo constitucional para estabelecer uma figura religiosa como padroeira de toda a nação.Em outro momento, Carvalho defende que a referência a Aparecida seja retirada da simbologia nacional e escreve sobre a necessidade de "destronarmos a Rainha em nossa nação". Na sequência, manifesta sua defesa de que "Jesus Cristo seja nosso Único Senhor no Brasil".LIVROS DE JB CARVALHO TAMBÉM CHEGARAM A JAIR BOLSONAROA relação de Carvalho com a família Bolsonaro aparece ainda em episódios envolvendo seus livros. Em novembro de 2025, Flávio visitou Jair Bolsonaro na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, levando consigo "Metanoia: A chave está em sua mente", obra de autoria de JB Carvalho.Pouco mais de um mês depois, em janeiro de 2026, Michelle Bolsonaro levou ao ex-presidente outro livro do bispo: "A jornada de meninos a homens", publicado em 2019 e voltado à formação masculina a partir de uma perspectiva cristã.Os episódios se somam ao batismo de Flávio e Fernanda e à presença do senador nos cultos da Comunidade das Nações.
Fonte original: https://dol.com.br/noticias/brasil/964111/pastor-de-flavio-bolsonaro-ataca-n-sra-aparecida-deus-odeia




