Uma pesquisa nacional elaborada pela Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho (Fundacentro), em parceria com a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), revelou um quadro estatístico grave sobre a saúde mental da imprensa brasileira.Apresentado no Conselho de Comunicação Social (CCS) do Congresso Nacional, o estudo "Condições de Trabalho e Saúde Mental de Jornalistas no Brasil" aponta que 52% dos profissionais investigados apresentam sintomas evidentes de depressão, enquanto 47,8% relatam estresse crônico e 47,9% sofrem com episódios frequentes de insônia.Os dados foram obtidos por meio de amostragem nacional com profissionais de comunicação, mapeando indicadores como ansiedade, capacidade laboral, esgotamento psíquico e satisfação com a carreira. Segundo o diagnóstico, o adoecimento massivo dos comunicadores não é um fenômeno isolado ou uma fraqueza individual, mas o resultado direto da transformação das dinâmicas de trabalho nas redações, caracterizadas por jornadas extensas, perda de autonomia editorial e aceleração do ritmo produtivo.Veja também ChatGPT inventa depoimentos em caso de homicídio nos EUAInfluenciador morre após procedimento estético na TailândiaEntenda as regras da CLT para converter o descanso em dinheiroAlgoritmos e métricas de audiênciaUm dos fatores centrais identificados pela investigação é a pressão exercida pelo ambiente digital. A cobrança sobre os jornalistas deixou de ser focada prioritariamente na relevância pública ou na precisão da notícia para priorizar métricas quantitativas de desempenho em tempo real. A exigência por volume de visualizações, curtidas e engajamento em redes sociais passou a ditar a avaliação funcional dentro das empresas, gerando sobrecarga emocional e um estado de vigília constante nos profissionais.Assédio moral e violência de gêneroO estudo também lançou luz sobre a violência interpessoal no ambiente corporativo. Do total de entrevistados, 37% afirmaram ter sido vítimas de assédio moral nas redações pelo menos uma vez, enquanto 26% relataram ter enfrentado episódios repetidos dessa prática. Especialistas ressaltam a preocupante naturalização de condutas abusivas sob o pretexto de exigência por metas e agilidade no fechamento de edições.A agressividade do ambiente interno reflete-se e amplia-se no espaço virtual. Durante a apresentação do relatório no Senado, destacou-se a vulnerabilidade das mulheres jornalistas a ataques coordenados e discursos de ódio. Monitoramentos de cobrimento eleitoral apontam que profissionais do sexo feminino concentram cerca de dois terços de todas as ofensas, intimidações e ameaças direcionadas à imprensa no ambiente digital.Busca por mudanças estruturaisLideranças da categoria defendem que o levantamento servirá como embasamento técnico para negociações coletivas de trabalho com entidades patronais, além de respaldar propostas de políticas públicas e projetos de lei voltados à proteção da saúde laboral. A Fenaj reforça a necessidade urgente de reestruturar as rotinas das redações, estabelecendo limites claros para a cobrança por métricas virtuais e criando protocolos efetivos de prevenção ao assédio e acolhimento psicológico aos trabalhadores da imprensa.
Fonte original: https://dol.com.br/carajas/noticias/mundo/962794/pesquisa-alerta-para-crise-de-saude-mental-na-imprensa




