A Petrobras considera Belém uma base logística estratégica para apoiar uma possível produção de petróleo na costa do Amapá. A presidente da estatal, Magda Chambriard, afirmou que a capital paraense reúne condições para dar suporte às operações na Margem Equatorial e está mais preparada para essa função do que Oiapoque, no Amapá. A perspectiva, no entanto, depende da continuidade das pesquisas e da confirmação de que as descobertas têm viabilidade comercial.A declaração foi feita durante visita de Magda a Belém para participar das celebrações do Círio de Nazaré, cuja principal procissão está marcada para este domingo (11). Segundo a executiva, a estrutura logística no Pará poderá ter papel importante caso a campanha exploratória confirme o potencial petrolífero da região.“Belém é uma base de apoio importante para qualquer trabalho a ser realizado no Amapá”, afirmou.A possibilidade de utilizar a capital paraense como suporte às operações já estava prevista no planejamento da companhia. Em comunicado divulgado em maio de 2023, a Petrobras citou o porto de Belém como base logística, o aeroporto de Oiapoque como apoio aéreo e a instalação de uma estrutura de atendimento à fauna na capital paraense.Descobertas ainda estão em fase de avaliaçãoA expectativa de abrir uma nova fronteira petrolífera no Norte do país está relacionada aos resultados obtidos no poço Morpho, localizado no bloco FZA-M-59, na Bacia da Foz do Amazonas. De acordo com Magda Chambriard, os trabalhos realizados até agora têm apresentado resultados compatíveis com as expectativas da companhia, mas ainda são necessários estudos para determinar o potencial das acumulações identificadas.O poço alcançou cerca de sete quilômetros de extensão e apresentou indícios de petróleo em dois intervalos, um mais raso e outro mais profundo. A primeira descoberta foi anunciada em agosto. Em 2 de outubro, a Petrobras informou ter identificado petróleo também em um segundo intervalo.Quer ler mais notícias do Brasil? Acesse o canal do DOL no WhatsApp!As análises iniciais indicaram boa qualidade do óleo encontrado no primeiro intervalo. Já o material identificado na parte mais profunda ainda precisa passar por caracterização laboratorial.A presença de petróleo, por si só, não confirma a existência de uma reserva comercialmente viável. Para determinar se a área pode sustentar um projeto de produção, a empresa precisa avaliar o volume recuperável, a produtividade dos reservatórios e a extensão das acumulações.“Na fase exploratória temos muitas dúvidas”, declarou a presidente.Petrobras prevê novas perfurações no AmapáA companhia dispõe de licença para perfurar outros três poços de delimitação, que permitirão aprofundar o conhecimento sobre as descobertas e dimensionar melhor o potencial da área. Magda também mencionou a previsão de mais oito poços no Amapá, como parte dos esforços para identificar novas reservas de petróleo.Segundo a executiva, a eventual formação de um polo produtor na região poderá contribuir para compensar o futuro declínio da produção do pré-sal brasileiro. Essa possibilidade, contudo, depende da confirmação dos resultados e da viabilidade econômica dos projetos.A Petrobras prevê concluir as manobras finais no poço Morpho até o fim de outubro. Depois dessa etapa, a sonda será desmobilizada e seguirá para o Rio Grande do Norte, onde deverá atuar no poço exploratório Mãe de Ouro, na Bacia Potiguar.Segurança ambiental e incidente durante a campanhaQuestionada sobre os possíveis impactos da exploração às comunidades tradicionais, Magda afirmou que a Petrobras adota medidas de segurança e considera os cuidados ambientais no planejamento das operações. A presidente também reconheceu a atenção internacional voltada às atividades de exploração na Margem Equatorial e declarou estar confortável com a segurança dos trabalhos.A afirmação sobre a ausência de acidentes relacionados à exploração marítima, porém, precisa ser considerada à luz de um incidente registrado durante a campanha no poço Morpho.Em 4 de janeiro, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) comunicou a ocorrência de perda de fluido de perfuração em duas linhas auxiliares que conectam a sonda ao poço, com descarga do material no mar. Conforme a nota do órgão ambiental, as operações foram interrompidas e as linhas, isoladas para interromper o vazamento.O registro se refere à descarga de fluido de perfuração. O episódio integra o histórico da campanha exploratória e faz parte do contexto de atenção aos procedimentos de segurança e proteção ambiental na região.

Fonte original: https://dol.com.br/noticias/brasil/965151/petrobras-aponta-belem-como-base-logistica-para-possivel-polo-de-petroleo