Para algumas pessoas, tomar café no fim da tarde parece não fazer diferença alguma na hora de dormir. Para outras, uma única xícara algumas horas antes de ir para a cama já pode significar uma noite de sono ruim. Essa diferença está relacionada principalmente à maneira como cada organismo absorve e elimina a cafeína. A mesma quantidade de café pode produzir efeitos completamente diferentes dependendo da pessoa. A cafeína é uma das substâncias psicoativas mais consumidas no mundo. O café concentra boa parte desse consumo, mas ela também está presente em refrigerantes, bebidas energéticas, chocolates, chicletes e alguns suplementos esportivos.Conteúdo RelacionadoCafé: queda histórica de preços e expectativas climáticas para o futuroCafé em excesso pode prejudicar a saúde digestiva; entendaAo chegar ao organismo, a substância não funciona exatamente como uma fonte de energia. O principal efeito é reduzir temporariamente a percepção de cansaço. Isso acontece porque a cafeína interfere na ação da adenosina, uma substância que vai se acumulando no cérebro durante o dia e está relacionada à sensação de sono.Depois que uma pessoa toma café, a cafeína é absorvida pela corrente sanguínea e chega rapidamente ao cérebro. Ao mesmo tempo, o fígado começa a trabalhar para quebrar a substância, que posteriormente é eliminada pela urina.O tempo necessário para esse processo, porém, varia bastante. Segundo Marilyn Cornelis, professora associada de nutrição da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, a cafeína pode permanecer no organismo por um período de aproximadamente seis a 20 horas.Isso significa que a ausência de uma sensação imediata de estímulo não indica necessariamente que a substância já deixou o corpo. Uma segunda xícara algumas horas depois pode aumentar a quantidade de cafeína circulando e provocar ansiedade ou agitação em quem é mais sensível.Genética ajuda a explicar a diferençaUma das principais peças dessa explicação está no gene CYP1A2, relacionado à enzima do fígado responsável por metabolizar a cafeína. As características genéticas fazem com que algumas pessoas processem a substância mais rapidamente do que outras. Pesquisas também encontraram diferenças médias entre grupos populacionais. Um estudo citado na reportagem aponta que europeus e sul-americanos tendem a apresentar, em média, uma metabolização mais rápida.O hábito de fumar pode acelerar significativamente a eliminação da cafeína pelo organismo. Estudos indicam que o efeito pode aumentar a velocidade desse processo em até 65%. Isso ajuda a explicar por que fumantes podem consumir mais café e também por que a bebida pode parecer mais forte depois que uma pessoa abandona o cigarro.Alguns medicamentos fazem o caminho contrário. Antibióticos, anticoncepcionais e outros remédios podem reduzir a velocidade com que o fígado processa a cafeína, fazendo com que ela permaneça no corpo por mais tempo.A gravidez também altera esse mecanismo. As mudanças hormonais desse período podem diminuir a atividade da enzima responsável pelo metabolismo da cafeína e prolongar a permanência da substância no organismo.Quem toma café todos os dias pode criar tolerânciaOutro elemento importante é a frequência do consumo, uma vez que o organismo de quem bebe café regularmente tende a se adaptar à presença constante da cafeína. Com isso, a pessoa pode deixar de perceber alguns dos efeitos que eram mais evidentes no início do hábito.Essa adaptação, entretanto, pode diminuir após algumas semanas sem cafeína. Quando o consumo é retomado, uma dose que anteriormente parecia normal pode provocar uma sensação mais intensa de agitação ou nervosismo.Qual é o melhor horário para tomar café?Especialistas em sono recomendam evitar cafeína nas horas que antecedem o momento de dormir. Uma orientação frequentemente utilizada é interromper o consumo pelo menos seis horas antes de ir para a cama.Lindsay Browning, psicóloga especializada em sono, considera que pessoas que costumam dormir por volta das 22h podem se beneficiar de deixar o café para antes das 14h. Ela ressalta, porém, que esse horário não deve ser encarado como uma regra universal, já que a resposta à cafeína varia individualmente.Quanto é considerado excesso?Para mulheres grávidas, o NHS, serviço público de saúde do Reino Unido, recomenda limitar a ingestão a menos de 200 miligramas de cafeína por dia. A recomendação está relacionada a pesquisas que associam o consumo elevado durante a gestação a baixo peso ao nascer e outras complicações.Para os demais adultos, a recomendação destacada pelos especialistas é observar a própria tolerância e evitar exageros. Peter Rogers, professor emérito de nutrição da Universidade de Bristol, considera a cafeína relativamente segura quando consumida em quantidades moderadas. Doses elevadas, por outro lado, podem provocar agitação e mal-estar.Casos graves de intoxicação são considerados raros. As ocorrências mais perigosas estão geralmente relacionadas ao consumo rápido de produtos que concentram grandes quantidades de cafeína.Café também aparece associado a benefíciosApesar dos cuidados com o excesso, o consumo habitual e moderado de café também aparece relacionado a resultados positivos em pesquisas de saúde. Estudos realizados ao longo de décadas encontraram associações entre o consumo da bebida e menor risco de algumas doenças graves, além de uma possível relação com maior longevidade.Quer saber mais de curiosidade? Acesse o nosso canal no WhatsAppEsses resultados, no entanto, não comprovam que o café seja diretamente responsável por esses benefícios. Outros hábitos e características das pessoas que consomem café também podem influenciar os resultados das pesquisas.
Fonte original: https://dol.com.br/tuedoide/curiosidades/963246/por-que-a-cafeina-afeta-algumas-pessoas-e-outras-nao




