No início da tarde desta quinta-feira (05/11), o presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou que pretende renunciar ao cargo. A decisão ocorre em meio à crise provocada pelo fechamento do banco Ueno, instituição que atendia cerca de 3 milhões de clientes e entrou em processo de liquidação pelo Banco Central por problemas financeiros. O escândalo gerou graves acusações contra o governo de Penã e motivou a abertura de um processo de impeachment contra o chefe do Executivo. Em vídeo publicado nas redes sociais, o presidente classificou a decisão como um dos momentos mais difíceis da vida e afirmou que a saída busca preservar a estabilidade do país. “Tomei a decisão de apresentar minha renúncia à Presidência da República. Faço isso pensando na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas”, declarou.Conteúdos relacionados: Democratas avançam no Congresso e impõem derrota a Trump nos EUAComissão Eleitoral de Israel descarta fraude e confirma derrota de NetanyahuEduardo Bolsonaro governado por PT de Talarico? Entenda o que ocorreuAinda no vídeo, o presidente destacou que pretende seguir os procedimentos previstos na Constituição paraguaia. "Faço-o com absoluto respeito à nossa Constituição Nacional e aos mecanismos institucionais e democráticos que estabelecemos para nós mesmos como Nação. Estou convencido de que nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai", acrescentou.Veja:
Mensaje del Presidente de la República, Santiago Peña, al pueblo paraguayo. https://t.co/RBz6IfFV9L— Santiago Peña (@SantiPenap) November 5, 2026Entretanto, apensar do anúncio, a renúncia ainda precisa ser aceita pelo Congresso, que deverá convocar uma sessão para analisar a decisão. Caso seja formalizada, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir o comando do país.A crise começou após o Banco Central determinar, na terça-feira (03/11), a liquidação do Ueno, pertencente ao Grupo Vázquez. A autoridade monetária identificou um déficit nos índices de solvência da instituição, relacionado a empréstimos concedidos a empresas vinculadas ao grupo controlador.De acordo com o Banco Central, o banco Ueno concentrava cerca de US$ 850 milhões (R$ 4,6 bilhões) em depósitos públicos, incluindo recursos do Instituto de Previdência Social.Ainda segundo a autoridade, o presidente Santiago Peña foi acionista do grupo controlador da instituição até março do ano passado. Essa ligação fez com que o conglomerado financeiro gerasse duras críticas da oposição, que aponta possível conflito de interesses, manipulação regulatória, desvio de fundos previdenciários e encobrimento por parte do Banco Central, denúncias que aumentaram a pressão sobre o governo e serviram de base para o pedido de impeachment.Durante uma sessão no Congresso, a deputada oposicionista Rocío Vallejo responsabilizou Peña pelos prejuízos causados aos clientes do banco. “Nunca antes alguém prejudicou, em um único dia, 3 milhões de pessoas na República do Paraguai, e o senhor conseguiu isso, senhor presidente... o senhor é a origem desse monstro que criou”, afirmou pouco antes de apresentar a acusação contra o presidente.Quer receber notícias direto no celular? Acesse nosso canal no WhatsApp!Diante da repercussão do caso, Peña declarou, em uma publicação na rede social X, que os responsáveis pelas irregularidades serão submetidos à Justiça, sem exceções. Pouco antes, ele já havia promulgado uma lei que permitirá aos clientes do Ueno recuperar os valores depositados em menos tempo. Na ocasião, o presidente pediu que as forças políticas priorizassem os interesses dos poupadores diante da crise. “Peço veementemente a todos os setores políticos que coloquem o interesse dos poupadores acima de qualquer outro interesse”, afirmou.
Fonte original: http://dol.com.br/noticias/mundo-noticias/967481/presidente-do-paraguai-anuncia-renuncia-sob-ameaca-de-impeachment
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