A poucos meses do início da cobrança dos novos impostos sobre o consumo, aumenta a pressão sobre o governo para adiar uma das principais etapas da reforma tributária. Com o apoio de entidades empresariais e de um dos principais formuladores da reforma, a proposta é estender o período de testes até dezembro de 2027 e deixar para janeiro de 2028 o início da cobrança efetiva da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS). Contudo, apesar da mobilização, o governo federal diz que pretende manter o calendário original.Além do setor empresarial, a decisão também afeta diretamente os consumidores, uma vez que as mudanças na tributação podem influenciar os custos das empresas e, consequentemente, os preços de produtos e serviços no país. Entre os motivos apresentados para o adiamento estão as dificuldades na regulamentação e na implementação do novo sistema, além da necessidade de mais tempo para que as empresas adaptem os sistemas fiscais e reorganizem as operações.Conteúdos relacionados:Remédio usado contra pressão alta pode ajudar no emagrecimento; entendaDesenrola Brasil 3.0: quem pode renegociar dívidas e quais são os descontosVale-refeição e alimentação: veja novas regras que entram em vigor hoje (07/11)Na sexta-feira (06/11), a Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) entregou à Presidência da República e à Receita Federal um manifesto com 1.491 assinaturas de entidades, que  defende que 2027 seja reservado aos testes, mantendo os tributos atuais até o início da cobrança dos novos impostos.A proposta conta com o apoio de Bernard Appy, ex-secretário extraordinário da Reforma Tributária do Ministério da Fazenda. Na avaliação dele, o cronograma inicial foi otimista diante da complexidade das mudanças e que a ampliação dos testes permitiria resolver pendências operacionais sem comprometer a transição para o novo modelo.Segundo o grupo, a preocupação envolve principalmente micro e pequenas empresas, que possuem menos estrutura tecnológica e fiscal para acompanhar as alterações. Além disso, de acordos com eles, a falta de definições sobre regulamentação e alíquotas também dificulta o planejamento tributário, a revisão de contratos e a formação de preços.Na quarta-feira (04/11), a OAB apresentou reivindicação semelhante em manifesto assinado pelo Conselho Federal e pelas 27 seccionais, alertando que uma implementação sem tempo adequado de preparação pode aumentar os custos empresariais, gerar interpretações divergentes das regras e aumentar a judicialização. Uma carta aberta divulgada no último dia 31 de outubro por organizações jurídicas, incluindo o Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP), também havia apontado dificuldades no sistema de apuração dos tributos e atrasos na adaptação dos programas de gestão.O que está previsto e quais são os impactos para as empresas?Apesar das reivindicações, o governo não pretende alterar o cronograma. Na quinta-feira (05/11), o ministro da Fazenda, Dario Durigan, confirmou a previsão de implementação em janeiro de 2027. Entretanto, a equipe econômica admite flexibilizar prazos para o cumprimento de obrigações acessórias e aplicação de multas, especialmente quando houver boa-fé por parte dos contribuintes. Contudo, a medida não representa o adiamento da cobrança dos impostos.Pelo calendário atual, 2027 marcará o início da cobrança efetiva da CBS, que substituirá o PIS e a Cofins, além da implementação do Imposto Seletivo, destinado a produtos e serviços considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente. Na quarta-feira (04/11), o governo publicou a Medida Provisória 1.399/2026, que estabelece regras e alíquotas para o Imposto Seletivo. A cobrança está prevista para começar em fevereiro, enquanto as alíquotas permanentes deverão ser discutidas para vigorar em 2028.Já o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), que substituirá gradualmente o ICMS estadual e o ISS municipal, terá transição entre 2029 e 2033. A reforma começou a ser testada em 2026, mas a implementação exige mudanças nos documentos fiscais, sistemas contábeis e mecanismos de cálculo dos tributos.Outro ponto de atenção é a definição da alíquota de referência da CBS pelo Senado, prevista para até 15 de dezembro. O Tribunal de Contas da União (TCU) estimou o percentual de 11,3% para 2027, com o objetivo de preservar a arrecadação federal dos impostos substituídos. Porém, a definição ainda depende de deliberação dos senadores.Quer receber notícias direto no celular? Acesse nosso canal no WhatsApp!Os desafios de adaptação apontados também aparecem em um levantamento da Roit, realizado entre maio e junho de 2026 com 70 diretores e gestores de médias e grandes empresas. Segundo a pesquisa, 24% dos entrevistados ainda não haviam simulado os impactos financeiros da reforma, enquanto 37% não tinham avaliado os efeitos do split payment sobre o capital de giro. Vale resslatar que os resultados representam as empresas participantes, não necessariamente o conjunto do mercado brasileiro.De acordo com o governo, o split payment permitirá o recolhimento automático dos tributos no momento do pagamento de uma operação. Com isso, ele poderá mudar a disponibilidade de recursos no caixa das empresas, que atualmente contam com um intervalo entre o recebimento das vendas e o pagamento dos impostos. Ainda segundo o govenro, a implementação será gradual e não obrigatória para todas as operações logo no início de 2027, mas exigirá ajustes em contratos, sistemas de gestão e planejamento financeiro.Como o adiamento pode ser aprovado?Para adiar a cobrança da CBS para 2028, será necessário aprovar uma proposta de emenda à Constituição (PEC) no Congresso Nacional. A deputada federal Any Ortiz (PP-RS) começou a reunir assinaturas para apresentar o texto, que também prevê o adiamento do Imposto Seletivo, mas mantém o calendário de transição do IBS. Até esta sexta-feira (06/11), a proposta ainda precisava de 171 assinaturas para ser protocolada na Câmara.Após a apresentação, a PEC deverá passar pela CCJ, por uma comissão especial e por duas votações em cada Casa, exigindo 308 votos na Câmara e 49 no Senado. Para evitar mudanças em outros pontos da reforma, a proposta é limitar a discussão à ampliação do período de testes. Dessa forma, até que haja aprovação, permanece válida a previsão de início da cobrança da CBS em janeiro de 2027.

Fonte original: http://dol.com.br/noticias/brasil/967733/reforma-tributaria-pode-ser-adiada-para-2028-entenda