O narrador e repórter esportivo paraense Luizinho Moura denunciou um episódio de xenofobia durante Brusque x Paysandu, na noite do último sábado (10/10), em Santa Catarina. Enquanto gravava uma entrevista coletiva com o presidente bicolor, Márcio Tuma, após a interrupção da partida por problemas de segurança, o profissional ouviu um torcedor do Brusque gritar: "joga uma carteira de trabalho, não sobra um", em uma fala direcionada aos paraenses.Luizinho estava filmando a entrevista quando percebeu as provocações vindas de torcedores que circulavam pelo estádio. Ao registrar a situação, ele captou também outra frase: "pega a malinha de vocês e vai para casa". Momentos depois, a expressão sobre a carteira de trabalho foi repetida.CONTEÚDO RELACIONADO"Se comportar como ser humano": Paysandu denuncia xenofobia em BrusquePaysandu fica a um gol do acesso à Série B após empate com o BrusquePaysandu entra em campo sob protesto e ameaça processar a CBF"NOS CHAMARAM ATÉ DE IMUNDO"O jornalista publicou as imagens nas redes sociais e relatou o episódio ao jornal O Município, de Brusque. Segundo ele, profissionais da imprensa paraense presentes à coletiva também foram alvo de insultos."Nos chamaram até de imundo. Quando eu fui filmá-lo, ele simplesmente escondeu a cara, como se estivesse com vergonha de admitir o que falou. Ele apontou o dedo do meio para nós, mas um funcionário do Paysandu presenciou o que ele fez e o flagrou", contou.Quer mais notícias do Paysandu? Acesse o canal do DOL no WhatsApp.O repórter destacou que foi bem recebido pelos profissionais envolvidos na partida, que, segundo ele, foram solícitos durante a cobertura. A experiência, porém, foi diferente em relação a parte dos torcedores. "É lamentável. Isso não foi visto pela torcida da mesma maneira", lamentou.Luizinho afirmou que pretende registrar um boletim de ocorrência. O espaço para manifestação do torcedor citado permanece aberto.PROBLEMAS NA ARQUIBANCADA PROVOCARAM INTERRUPÇÃOAlém da denúncia de xenofobia, a partida entre Brusque e Paysandu foi marcada por problemas na estrutura do setor destinado à torcida visitante. De acordo com informações do Corpo de Bombeiros repassadas ao jornal O Município, foram constatados torção, rasgos e rompimentos de solda na estrutura metálica da arquibancada.O jogo foi interrompido aos 43 minutos do primeiro tempo, quando o Paysandu vencia por 1 a 0. Conforme a corporação, os problemas estruturais não deixaram vítimas.Outras situações também foram relatadas durante o confronto. O sistema de som do estádio anunciou superlotação no setor destinado aos torcedores bicolores, enquanto a estrutura que sustenta a câmera da arbitragem de vídeo apresentou movimentação durante a partida. A Polícia Militar atuou no estádio, mas não havia se manifestado até a publicação das informações.PAYSANDU COBRA INFORMAÇÕES DA CBFApós a interrupção, o Paysandu solicitou à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em caráter de máxima urgência, documentos e esclarecimentos antes da retomada do confronto. O duelo fazia parte da rodada final do Grupo C da Série C do Campeonato Brasileiro de 2026.Em manifestação anterior, o clube paraense informou que havia começado a adotar as medidas cabíveis, inclusive legais, para defender os direitos da instituição e de seus torcedores. O outro jogo do grupo, entre Ferroviária e Inter de Limeira, também foi interrompido e adiado. Na ocasião, o placar estava em 0 a 0.BRUSQUE PROMETE APURAR DANOS NO ESTÁDIOEm nota, o Brusque lamentou os acontecimentos e afirmou ter adotado medidas preventivas para garantir a segurança durante a partida. O clube também informou que pretende apurar as causas dos danos identificados na arquibancada visitante. Ao mesmo tempo, a Arena Simon pertence ao Clube Atlético Carlos Renaux. O Brusque declarou que a segurança e o bem-estar de todas as pessoas presentes foram tratados como prioridade durante o evento.Em outro comunicado, divulgado no domingo (11/10), a equipe catarinense afirmou que torcedores do Paysandu teriam quebrado a catraca de entrada do setor visitante e danificado o sistema de controle de acesso ao estádio.Segundo o Brusque, foram comercializados 616 ingressos para a torcida bicolor, enquanto a capacidade informada para o setor era de 620 pessoas. O clube alegou que os danos atribuídos aos visitantes comprometeram o funcionamento dos mecanismos de controle de entrada.As afirmações sobre os danos no sistema de acesso foram apresentadas pelo Brusque. Já as condições da arquibancada foram objeto de constatação do Corpo de Bombeiros, conforme os relatos divulgados.RETOMADA DO CONFRONTOA interrupção de Brusque x Paysandu e o adiamento de Ferroviária x Inter de Limeira afetaram a programação da rodada decisiva do Grupo C da Série C de 2026. O Paysandu buscou esclarecimentos junto à CBF antes da continuidade do duelo, enquanto os episódios registrados na Arena Simon passaram a envolver questões de segurança, apuração de danos e a denúncia de ofensas contra profissionais paraenses.Os casos relatados durante o confronto envolvem ocorrências distintas: de um lado, a denúncia de xenofobia feita pelo repórter Luizinho Moura; de outro, os problemas estruturais identificados pelos bombeiros e as acusações do Brusque sobre danos provocados por torcedores visitantes.
Fonte original: https://dol.com.br/esporte/paysandu/965308/reporter-paraense-denuncia-xenofobia-de-torcedor-do-brusque




