O estresse diário, a pressa e a busca por espaço nas ruas têm transformado trajetos rotineiros em situações de alto risco no trânsito. Dados do Ministério da Saúde e da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet) apontam que a violência no trânsito provoca mais de 90 mortes por dia no Brasil, com estimativas indicando que até 5 mortes por hora estão associadas a conflitos e desentendimentos nas vias. Fatores como congestionamentos, barulho, calor e atrasos elevam os níveis de irritação dos condutores, comprometendo o discernimento e levando a escolhas impulsivas e perigosas ao volante.Segundo a docente de psicologia da Estácio e especialista em psicopatologia e saúde mental, Camille Athanázio, "A pressa é um elemento que subjetivamente pode interferir na capacidade de tomada de decisão pessoal. Ou seja, numa situação de atraso o indivíduo pode escolher comportamentos que são mais perigosos no trânsito".Estar protegido pela cabine do carro também altera a percepção de responsabilidade com o outro. Sem o contato visual direto, a sensação de anonimato reduz o constrangimento social e estimula comportamentos impacientes. Pesquisas indicam que cerca de 66% dos brasileiros já presenciaram brigas entre condutores ao volante e 7 em cada 10 afirmam ter presenciado agressões verbais ou gestos ofensivos, um reflexo direto da hostilidade no tráfego urbano. Nesse contexto, os demais motoristas deixam de ser encarados como pessoas e passam a ser vistos como obstáculos no trânsito.Quer mais notícias sobre Saúde? Acesse o canal do DOL no WhatsAppOutros fatores também geram alertaOutro fator de risco frequente é a distração pelo uso do celular ao conduzir, apontada como uma das principais infrações registradas nas rodovias e vias urbanas brasileiras ao lado do excesso de velocidade. Como dirigir exige atenção constante e alternância rápida de foco, o aparelho divide a concentração do condutor, reduz os reflexos e aumenta consideravelmente a chance de acidentes nas vias públicas.Como a condução é um hábito aprendido, é possível mudar a postura ao volante. Em cenários de provocação ou fechadas, a recomendação é manter a calma e praticar a direção defensiva, reduzindo a velocidade e preservando o espaço entre os veículos. "Quando alguém ultrapassa a gente, ao invés de tomar aquilo como uma ofensa pessoal ou algo contra você, talvez entender que o melhor seja frear, reduzir a velocidade e manter uma distância", reforça a especialista.
Fonte original: https://dol.com.br/noticias/te-cuida/965076/rotina-e-fatores-emocionais-podem-gerar-estresse-no-transito




