Começar a praticar exercícios físicos depois de um longo período de sedentarismo é uma mudança importante para a saúde, mas aumentar a intensidade dos treinos de forma repentina pode trazer riscos. A recomendação de especialistas e entidades da área é que a evolução seja gradual, respeitando o condicionamento físico, as características individuais e os sinais apresentados pelo organismo.Para quem está parado há muito tempo, iniciar diretamente com treinos de alta intensidade aumenta a exigência sobre os sistemas cardiovascular e musculoesquelético. Em pessoas suscetíveis, a atividade física vigorosa e não habitual pode elevar temporariamente o risco de eventos cardiovasculares agudos. Por isso, pessoas sedentárias devem começar com atividades compatíveis com sua condição e aumentar a duração e a intensidade progressivamente.O que acontece com o corpo durante um treino intenso?Durante exercícios mais intensos, o organismo precisa aumentar rapidamente o fornecimento de oxigênio e energia aos músculos. O coração passa a bater mais rápido e a pressão arterial se eleva naturalmente durante o esforço.Quando essa demanda acontece de maneira abrupta em uma pessoa sem condicionamento, o organismo pode ter dificuldade para lidar com a carga. Em indivíduos que apresentam alguma condição cardiovascular ainda não identificada, o esforço intenso também pode funcionar como um gatilho para complicações.Veja também Patrão pode descontar horas usadas para votar?SUS pode incorporar canetas contra a obesidadeLeite materno em receitas: prática gera debate entre mãesApesar disso, especialistas ressaltam que os eventos cardiovasculares relacionados ao exercício são incomuns e que os benefícios da prática regular de atividade física superam amplamente os riscos para a maioria das pessoas. O ponto principal é evitar aumentos bruscos de carga e intensidade.Sedentarismo também afeta músculos e articulaçõesO coração não é a única estrutura que precisa de adaptação. Depois de um longo período sem atividade física, músculos, tendões, ligamentos e articulações também precisam de tempo para se acostumar às novas demandas.Ao começar um treino intenso sem preparação adequada, aumentam as chances de problemas como dores musculares, tendinites, estiramentos e outras lesões relacionadas à sobrecarga.A recuperação também faz parte do processo. O aumento contínuo da carga sem períodos adequados de descanso pode prejudicar a adaptação do organismo e comprometer a continuidade dos exercícios.Por isso, sair do sedentarismo não significa começar pelo treino mais pesado disponível. O objetivo inicial é construir uma base de condicionamento e, posteriormente, aumentar o volume e a intensidade conforme o corpo se adapta.Como começar a fazer exercício depois de muito tempo parado?Para quem está iniciando, atividades de menor intensidade podem ser uma porta de entrada. Caminhadas, por exemplo, permitem controlar com mais facilidade o ritmo e aumentar gradualmente o tempo de exercício.A American Heart Association recomenda que adultos busquem, como referência geral, pelo menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica de intensidade moderada, ou 75 minutos de atividade vigorosa, além de exercícios de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias da semana. Para quem está começando, porém, a orientação é aumentar o tempo e a intensidade progressivamente.Uma pessoa que permaneceu sedentária por muito tempo não precisa atingir imediatamente a recomendação semanal. Mesmo períodos curtos de atividade física já representam um começo, e a duração pode ser ampliada conforme o condicionamento melhora.Quando é necessário interromper o exercício?Alguns sintomas durante ou depois da atividade física não devem ser ignorados. Dor ou pressão no peito, tontura, confusão, falta de ar incomum ou intensa, cansaço extremo e batimentos cardíacos rápidos ou irregulares são sinais que exigem interrupção do exercício e avaliação profissional.No caso de sintomas compatíveis com um possível infarto, como desconforto no peito acompanhado de falta de ar, suor frio, náusea ou dor que se espalha para braços, costas, pescoço ou mandíbula, é necessário buscar atendimento de emergência imediatamente.Pessoas com doenças cardiovasculares, condições crônicas ou outras limitações de saúde também podem precisar de orientação individualizada antes de aumentar significativamente a intensidade dos exercícios. O ACSM recomenda avaliação pré-participação para identificar situações em que pode ser necessária uma avaliação médica antes do início ou da progressão do treinamento.A melhor estratégia é evoluir aos poucosA prática regular de exercícios traz benefícios importantes para a saúde cardiovascular, muscular e metabólica. O problema não está em aumentar a intensidade, mas em tentar alcançar rapidamente um nível de treinamento para o qual o organismo ainda não está preparado.Para quem quer sair do sedentarismo, a estratégia é simples: começar com uma atividade compatível com o nível atual de condicionamento, manter regularidade e aumentar gradualmente tempo, frequência e intensidade.Mais importante do que começar pesado é conseguir manter a atividade física como parte da rotina. O corpo precisa de tempo para se adaptar ao exercício — e essa adaptação também faz parte do treinamento.

Fonte original: https://dol.com.br/carajas/noticias/963988/sair-do-sedentarismo-e-comecar-treino-intenso-exige-cuidado