Uma mensagem que circula nas redes sociais afirma que seria possível alterar os votos durante a transmissão dos resultados das urnas eletrônicas para o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em Brasília. A informação, porém, é falsa, segundo investigação do Estadão Verifica.O sistema eletrônico de votação brasileiro conta com diversas camadas de segurança para proteger os resultados. Entre elas está a assinatura digital, tecnologia que permite verificar a origem e a integridade dos arquivos gerados pelas urnas. Caso o conteúdo seja modificado, a assinatura original deixa de ser válida, e o sistema pode rejeitar o arquivo.Como funciona a proteção dos votos?Após o encerramento da votação, os resultados calculados pelas urnas eletrônicas são armazenados em mídias digitais, que seguem para cartórios eleitorais ou pontos de transmissão da Justiça Eleitoral. Em seguida, os arquivos são enviados por uma rede própria até a sede do TSE, responsável pela totalização dos votos.Um vídeo compartilhado no WhatsApp sugere que os dados poderiam ser modificados durante esse trajeto. No entanto, a hipótese desconsidera os mecanismos de segurança usados para verificar os arquivos antes que sejam aceitos pelo sistema eleitoral.De acordo com Victor Zacarias, integrante do grupo de extensão universitária em segurança da informação do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo (IMEsec-USP), cada urna utiliza uma chave criptográfica própria para assinar digitalmente os arquivos produzidos ao fim da votação.Essa assinatura permite confirmar que os dados foram gerados por um equipamento oficial e que não sofreram alterações posteriores. Mesmo uma modificação mínima pode invalidar a assinatura e levar à rejeição do arquivo.O que é assinatura digital?A assinatura digital funciona como uma espécie de mecanismo de autenticação dos arquivos. Ela permite verificar se os dados vieram de uma fonte legítima e se o conteúdo permanece intacto.A tecnologia também é utilizada para proteger informações inseridas nas urnas, como dados de eleitores, candidatos e configurações da eleição, além dos programas e sistemas eleitorais.Em 4 de setembro, o TSE realizou a cerimônia de assinatura e lacração dos sistemas das Eleições Gerais de 2026. Segundo o tribunal, as identificações dos programas são disponibilizadas no portal oficial para permitir a fiscalização e a conferência das versões utilizadas no processo eleitoral.Como uma alteração seria identificada?Outro mecanismo de segurança é o hash, uma espécie de resumo matemático do conteúdo de um arquivo. Quando os dados são modificados, o resultado desse cálculo também muda, permitindo identificar uma possível adulteração.Assim, se alguém alterasse os números registrados em uma urna durante a transmissão, a assinatura digital original deixaria de corresponder ao arquivo modificado. A inconsistência seria identificada durante as verificações, impedindo que o documento adulterado fosse aceito para a totalização.Segundo Zacarias, o sistema de recebimento do TSE também verifica a autenticidade do equipamento responsável pela transmissão e confere novamente as assinaturas antes de gravar os dados.Eleitores podem conferir os resultadosUma das formas de verificar a correspondência entre os votos registrados na seção eleitoral e os números divulgados pelo TSE é comparar o boletim de urna (BU), documento impresso ao fim da votação e afixado no local, com os resultados publicados no portal da Justiça Eleitoral.O IMEsec-USP realizou uma conferência com arquivos públicos do primeiro turno de 2026 de 2.530 urnas eletrônicas. Segundo as informações apresentadas pelo grupo, todas as assinaturas verificadas eram válidas e a cadeia de hashes dos boletins estava íntegra.O texto do Estadão Verifica também relembra uma auditoria contratada pelo PSDB após o segundo turno de 2014. Na ocasião, foram comparados 8.207 boletins impressos com a base de dados do TSE. Conforme a nota citada na reportagem, não foram encontradas divergências que indicassem adulteração capaz de alterar o resultado final.

Fonte original: https://dol.com.br/noticias/politica/966290/sistema-do-tse-impede-fraude-na-transmissao-de-votos