De acordo com um estudo recente do Laboratório de Impacto Climático da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos, o Brasil está entre os país que podem registrar o maior número de mortes relacionadas ao calor extremo provocado por um possível "Super El Ninõ", com cerca de de 13,3 mil óbitos nos próximos meses. Publicada em setembro, a pesquisa também apontou o Brasil como o país da América do Sul com a maior projeção de óbitos relacionados aos efeitos do fenômeno.Ao todo, o levantamento estima 451 mil mortes no mundo entre setembro deste ano e junho de 2027. Para chegar às projeções, os pesquisadores analisaram a relação entre temperaturas e excesso de mortalidade, considerando as características climáticas de cada país, a vulnerabilidade social da população e a capacidade de adaptação diante dos efeitos do fenômeno.Conteúdos relacionados: Anac atualiza regras para atrasos e cancelamentos de voosInfarto silencioso: 5 sinais que podem passar despercebidosEl Niño: oceano atinge marca recorde de calor antes de picoO cenário previsto também envolve consequências além do calor. Segundo os resultados, a alteração nos padrões de chuva pode favorecer períodos de seca, incêndios florestais e inundações, aumentando os impactos sobre as populações mais expostas. Para os próximos seis meses, a pesquisa projeta 239 mil mortes globais associadas aos efeitos do calor extremo. Segundo o estudo, a estimativa é cerca de 65 vezes superior às 6,8 mil pessoas que se acredita terem morrido ou desaparecido nas recentes inundações repentinas no Nepal.Entre as regiões com projeções elevadas está o Sahel, na África, onde são estimadas 66,8 mil mortes adicionais. A Nigéria concentra 31,4 mil desse total, seguida por Sudão (17,5 mil), Níger (10 mil) e Chade (8 mil). No Sudeste Asiático, Filipinas, Vietnã, Tailândia e Camboja somam 19,4 mil mortes projetadas, enquanto a Indonésia tem previsão de 19,3 mil e a Índia, de 15,8 mil.Contudo, apesar do cenário, o estudo aponta que medidas de adaptação podem reduzir os impactos. Entre as alternativas apresentadas estão sistemas de alerta precoce para ondas de calor e centros de resfriamento destinados à proteção da população, especialmente de trabalhadores que atuam ao ar livre.Quer receber notícias direto no celular? Acesse nosso canal no WhatsApp!A pesquisa também propõe um planejamento para as próximas décadas, apresentado como um “cartão-postal do nosso futuro”. O levantamento projeta as temperaturas que poderão ser registradas daqui a 20 anos e avalia os impactos de um cenário sem novos investimentos em adaptação, reforçando a necessidade de preparar as populações para eventos extremos associados às mudanças climáticas.
Fonte original: https://dol.com.br/noticias/brasil/963579/super-el-nino-brasil-pode-ter-133-mil-mortes-pelo-calor-extremo




