A vereadora de Belém, Patrícia Queiroz (PP), pastora da Igreja do Evangelho Quadrangular, compartilhou nas redes sociais publicações que associam o apoio ao presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à possibilidade de demissão e de rompimento de relações comerciais. O episódio ocorre em meio à repercussão de uma postagem semelhante que levou Ana Celeste Franco a renunciar à Presidência do Centro Cultural Brasil-Estados Unidos (CCBEU), na capital paraense.Na segunda-feira (26/10), o CCBEU anunciou que recebeu e aceitou o pedido de renúncia de Ana Celeste Franco. A saída ocorreu após a repercussão negativa de uma publicação na qual ela afirmou que não gastaria dinheiro com pessoas que apoiam Lula.“Se eu sou sua cliente e você é petista, me informe! Meu dinheiro eu não gasto com você”, escreveu Ana em uma mensagem posteriormente apagada.


Com a renúncia, o vice-presidente Thiago Lima assumiu a Presidência da instituição, conforme previsto no estatuto. Em nota, o CCBEU ressaltou que manifestações individuais não representam o posicionamento da entidade.O centro cultural, que atua há mais de 70 anos em Belém, reafirmou o compromisso com a pluralidade, a diversidade de ideias e a convivência respeitosa, além de destacar seu caráter democrático e sem vinculação político-partidária.
Ver esse post no Instagram Um post compartilhado por CCBEU (@ccbeupa)Vereadora de Belém compartilha publicação que sugere demissõesPatrícia Queiroz também compartilhou em seu perfil oficial no Instagram uma publicação de Victor Ruiz (PP), candidato não eleito a deputado federal por São Paulo. No texto, ele recomenda que empresários consultem as redes sociais dos funcionários para identificar manifestações de apoio a Lula, incluindo o gesto conhecido como “L”, associado ao presidente.Ruiz relaciona o gesto a uma suposta rejeição aos empresários e questiona a permanência desses trabalhadores nas empresas. “Não faz sentido nenhum manter na tua empresa quem odeia empresários”, dizia a publicação.Antes de republicar a mensagem, a vereadora de Belém ainda escreveu a frase “Vamos lá ajudar quem precisa!”. Em seguida, compartilhou o conteúdo direcionado a empresários e que sugere o desligamento de funcionários por suas manifestações políticas.


Além dessa publicação, Patrícia republicou um vídeo do empresário Raphael Hanzol, da empresa Avelloz, intitulado “Vou demitir a minha melhor funcionária”.No vídeo, o empresário compara a funcionária a uma “fruta podre” que prejudicaria o restante da equipe e também faz uma analogia com o câncer para expressar o receio de que a permanência dela comprometa o grupo. O conteúdo associa a decisão de demitir a trabalhadora ao posicionamento político dela.Ao compartilhar as mensagens, a vereadora de Belém levou aos próprios seguidores conteúdos que relacionam divergências políticas à possibilidade de demissão no ambiente de trabalho.O que diz a legislação sobre demissão por opinião políticaA Lei nº 9.029/1995 proíbe práticas discriminatórias para fins de acesso ao emprego ou de manutenção da relação de trabalho. A legislação pode ser aplicada a situações em que a dispensa esteja relacionada a discriminação por convicções políticas ou ideológicas, conforme as circunstâncias e as provas de cada caso.Uma demissão motivada por discriminação pode resultar em consequências na Justiça do Trabalho, como indenização por danos morais e, nas hipóteses previstas em lei, reintegração ao emprego ou pagamento em dobro da remuneração referente ao período de afastamento.Isso não significa que toda demissão de uma pessoa com determinada posição política seja automaticamente ilegal. A análise depende dos motivos que levaram ao desligamento e das provas disponíveis.

Fonte original: https://dol.com.br/noticias/para/966664/vereadora-pastora-e-empresaria-de-belem-defendem-demissao-de-eleitores-de-lula