A revista americana Variety avaliou que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2026 poderia afetar o processo de retomada do cinema brasileiro, impulsionado nos últimos anos por políticas públicas de incentivo ao setor. A publicação abordou o cenário político durante o Festival do Rio e destacou a preocupação de profissionais do audiovisual com os rumos da indústria.Segundo a reportagem, integrantes do setor manifestaram apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o evento e apontaram a continuidade de investimentos públicos como um fator importante para a manutenção do atual momento do audiovisual brasileiro.A Variety relacionou a projeção internacional recente do cinema nacional às políticas adotadas durante o atual governo. Entre os exemplos citados estão a vitória de “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, que conquistou o primeiro Oscar do Brasil em 2025, e o desempenho de “O Agente Secreto”, de Kleber Mendonça Filho, que recebeu dois prêmios no Festival de Cannes no mesmo ano.A publicação também relembrou o período do governo de Jair Bolsonaro, entre 2019 e 2022, quando, segundo a reportagem, houve redução de recursos destinados à Agência Nacional do Cinema (Ancine) e ao Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). A revista cita uma redução de aproximadamente 43% nos orçamentos dos dois mecanismos no início daquele governo, além do congelamento de recursos por 18 meses antes da pandemia de covid-19.Com o retorno de Lula à Presidência, a Variety destaca a previsão de R$ 1,6 bilhão em investimentos para apoiar a produção nacional de cinema e televisão. A reportagem também menciona incentivos fiscais, subsídios e medidas como as cotas de tela, voltadas à ampliação da presença de filmes brasileiros nos cinemas.Quer mais notícias no celular? Acesse o canal do DOL no WhatsAppPreocupação no setorEm entrevista à revista, o diretor Marcelo Gomes afirmou que uma mudança de governo poderia interferir no processo de fortalecimento do audiovisual brasileiro. "É uma indústria reconhecida internacionalmente e que colheu vários prêmios importantes nos últimos anos. Uma eventual mudança para um governo que não valoriza a cultura pode colocar tudo isso em risco", afirmou.A revista aponta ainda que Flávio Bolsonaro pode retomar políticas associadas ao governo do pai e adotar medidas mais rígidas na área cultural. Esse cenário, segundo a publicação, tem provocado preocupação entre produtores, cineastas e outros profissionais do setor, que avaliam os efeitos que mudanças nas políticas públicas poderiam ter sobre a produção e a circulação de filmes.A cineasta Paula Cosenza também comentou o cenário à Variety. Ela classificou como 'uma catástrofe' uma eventual volta do grupo político que governou o país entre 2019 e 2022 e afirmou que medidas relacionadas à cultura, à ciência, à produção artística e à imprensa poderiam representar impactos para o setor e para o ambiente democrático.
Fonte original: https://dol.com.br/entretenimento/fama/964878/vitoria-de-flavio-bolsonaro-ameaca-cinema-brasileiro-diz-revista




