Wagner Moura, Petra Costa, Fernando Meirelles e Kleber Mendonça Filho estão entre os nomes do cinema brasileiro que assinaram uma carta aberta para chamar a atenção da comunidade internacional para o segundo turno das Eleições 2026 no Brasil. A votação está marcada para 25 de outubro, quando Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) disputam a Presidência da República. As informações foram divulgadas pela revista Variety.O documento menciona uma declaração recente de Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, sobre a intenção de reescrever a Constituição Federal de 1988. O texto também aborda uma possível interferência norte-americana no primeiro turno das eleições brasileiras.CONTEÚDO RELACIONADOAnitta declara voto em Lula no segundo turno e explica motivosThelma Assis vence ação por racismo na justiça do Pará; condenado cumprirá penaNetflix anuncia documentário sobre Marta com depoimentos inéditosINTERFERÊNCIA NORTE-AMERICANAA carta faz referência a uma investigação publicada pelo jornal britânico The Guardian, segundo a qual o governo dos Estados Unidos destinou aproximadamente US$ 1 milhão de um fundo de direitos humanos do Departamento de Estado a um programa denominado "Combate à guerra jurídica e à censura no Brasil".Quer mais notícias de entretenimento? Acesse o canal do DOL no WhatsApp.O manifesto reúne profissionais de diferentes áreas da indústria cinematográfica, entre atores, diretores, roteiristas e produtores. Além de Wagner Moura, Petra Costa, Fernando Meirelles e Kleber Mendonça Filho, a lista inclui artistas como Alice Braga e Sônia Braga.CINEASTAS E ATORES BRASILEIROS QUE ASSINARAM O MANIFESTOA carta aberta conta com a participação de dezenas de profissionais ligados ao cinema nacional. Entre os nomes estão atores e diretores reconhecidos internacionalmente, produtores, roteiristas e outros integrantes do setor audiovisual.Confira a relação completa dos signatários da carta aberta:Adrian TeijidoAlê AbreuAlice BragaAndrea Barata RibeiroAnita Rocha da SilveiraAnna MuylaertAnna Van SteenBernardo UzedaCarlos SegundoCarolina MarkowiczClaudia KopkeDaniel FilhoDaniel RezendeDaniela ThomasEduardo SerranoEliza CapaiEmilie LesclauxEmilio DomingosFernando MeirellesFlávia AmonFlávia de SouzaGabriel DominguesGabriel MascaroHelena SolbergHeloisa PassosIlda SantiagoJefferson DeJorge BodanzkyJosé JoffilyJuliana RojasKaren AkermanKaren HarleyKarim AïnouzKleber Mendonça FilhoLaís BodanzkyLucy BarretoMaeve JinkingsMarcelo CaetanoMaria Augusta RamosMariana OlivaMatheus FariasMaurício ZachariasMiriam BidermanOtto GuerraPaula BarretoPedro KosPetra CostaPlínio ProfetaRenata Almeida MagalhãesRodrigo TeixeiraSara SilveiraSônia BragaTatiana LeiteThales JunqueiraVânia CataniVera HamburgerWagner MouraWaldir XavierWilssa EsserLEIA A CARTA ABERTA NA ÍNTEGRA:"Nós, profissionais brasileiros do cinema e membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood, desejamos expressar nossa preocupação com o atual clima político no Brasil e pedir atenção internacional rigorosa para o segundo turno da eleição presidencial, em 25 de outubro.A diferença entre os dois candidatos no primeiro turno foi de apenas 1,87 ponto percentual. O Brasil é, portanto, um país profundamente dividido. No entanto, testemunhamos sinais preocupantes de desrespeito às normas democráticas, incluindo alegações de possível interferência estrangeira no Brasil que exigem investigação transparente e escrutínio internacional.O jornal The Guardian noticiou que o governo dos Estados Unidos destinou cerca de US$ 1 milhão, provenientes de um fundo de direitos humanos do Departamento de Estado, a um programa chamado "Combate ao Lawfare e à Censura no Brasil".Paralelamente, observadores da mídia levantaram preocupações sobre possíveis distorções no alcance de conteúdo político nas plataformas da Meta e pediram uma investigação. Entre os casos citados estão as contas no Instagram do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que teriam sofrido quedas de alcance, dificuldades de acesso e visibilidade nos resultados de busca, além da impossibilidade de promover postagens por meio de publicidade paga.Outro caso envolve um site sediado nos EUA que promovia a compra de anúncios em apoio ao candidato Flávio Bolsonaro em troca de tokens de criptomoedas, sob a promessa de ajudar crianças carentes em Uganda. A Polícia Federal brasileira também investiga suspeitas de pagamentos em dinheiro a eleitores em áreas rurais.Várias propostas de Flávio Bolsonaro também exigem escrutínio rigoroso, incluindo sua promessa de reescrever a Constituição brasileira de 1988, que marcou o fim da ditadura militar e a restauração da democracia no país. Segundo o candidato, uma nova constituição seria redigida por um Congresso dominado por uma maioria de extrema-direita. Essa declaração é particularmente preocupante à luz da tentativa de golpe atribuída ao ex-presidente Jair Bolsonaro, pai do candidato. A trama incluía planos para assassinar o atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, e seu vice-presidente, Geraldo Alckmin. Jair Bolsonaro está preso em conexão com esse caso, enquanto seu filho prometeu conceder-lhe anistia como seu primeiro ato no cargo.Nossa preocupação é agravada pela forma como grande parte da mídia tradicional brasileira normalizou esses acontecimentos, deixando de tratar com a seriedade devida as acusações contra Flávio Bolsonaro e os crimes atribuídos a seu pai. Além da tentativa de golpe, Jair Bolsonaro foi alvo de uma denúncia apresentada ao Tribunal Penal Internacional, em Haia, em razão das mais de 600 mil mortes por COVID-19 registradas no Brasil durante a pandemia, decorrentes de ações e omissões de sua gestão. A denúncia sustenta que mais da metade dessas mortes poderia ter sido evitada.Seu governo também esteve associado ao retorno do Brasil ao Mapa da Fome das Nações Unidas. Agora, seu filho promete cortes nos gastos com seguridade social, inspirados nas políticas de austeridade do governo de Javier Milei, na Argentina. A omissão ou a minimização desses fatos contribui para a desinformação pública e enfraquece a defesa da democracia.Como profissionais da cultura, compreendemos o custo que essas políticas de austeridade podem impor ao nosso setor. Durante a gestão anterior, a indústria audiovisual brasileira sofreu com o fechamento do Ministério da Cultura, a suspensão do Fundo Setorial do Audiovisual, o enfraquecimento de instituições culturais e denúncias de censura. Tememos um retorno a esse cenário. Proteger a liberdade de expressão e garantir a sustentabilidade a longo prazo da indústria audiovisual brasileira são ações indissociáveis ​​da defesa da democracia.Encaramos os acontecimentos no Brasil como parte de um padrão mais amplo de suposta interferência eleitoral em toda a América Latina. Portanto, a defesa da democracia brasileira deve contar não apenas com o povo brasileiro, por meio de eleições livres, justas e transparentes, mas também com a vigilância e o engajamento da comunidade internacional.Convocamos a imprensa internacional a cobrir esse processo eleitoral com rigor, a comunidade audiovisual internacional a ampliar o debate e as instituições competentes a investigar essas denúncias de forma independente."

Fonte original: https://dol.com.br/entretenimento/fama/965172/wagner-moura-e-grupo-de-artistas-do-cinema-brasileiro-assinam-manifesto-sobre-eleicoes