Esquecer uma palavra no meio de uma frase, perder o fio da meada em reuniões ou entrar em um cômodo sem lembrar o motivo tornam-se episódios frequentes para mulheres no climatério. O fenômeno, conhecido mundialmente como brain fog (ou névoa mental), reúne um conjunto de sintomas cognitivos temporários — como lapsos de memória, falta de foco e lentidão no raciocínio — decorrentes das intensas transformações hormonais dessa fase.Pesquisas recentes indicam a dimensão do problema. Em levantamentos com milhares de participantes, a névoa mental desponta como um dos sintomas mais relatados no período, chegando a afetar mais de 80% das mulheres e superando queixas clássicas, como ondas de calor e suores noturnos.Veja também Morre influenciadora suspeita de envolvimento na morte de sargento no ParáDinheiro, portas abertas e novos projetos: veja previsão dos signos para hoje (16/09)Exposição Agropecuária é cancelada por crise e falta de apoioO impacto dos hormônios no cérebroA causa central do brain fog reside no declínio e nas oscilações dos níveis de estrogênio. Esse hormônio desempenha papel crucial no funcionamento neurológico, atuando diretamente no hipocampo — centro da memória — e no córtex pré-frontal, área responsável pelo foco e pela tomada de decisões.Com a queda hormonal, as células cerebrais enfrentam uma redução temporária no uso da glicose, que funciona como combustível primário do cérebro, resultando em desaceleração no processamento de informações. Além disso, os fogachos e a insônia prejudicam a fase de sono profundo, indispensável para a consolidação das memórias e a restauração da clareza mental.Névoa mental não é demênciaA frequência dos lapsos costuma gerar ansiedade e o receio de doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer precoce. No entanto, especialistas reforçam que a névoa mental é um quadro passageiro e não significa perda da capacidade intelectual.O fenômeno afeta majoritariamente mulheres entre 40 e 60 anos, varia de intensidade e tende a regredir após a consolidação da menopausa. Uma diferença fundamental em relação à demência está na percepção: na névoa mental, a própria mulher nota a falha, se incomoda com ela e mantém total independência nas atividades diárias. Já nos quadros demenciais, os sinais costumam ser notados primeiro por familiares e há perda progressiva da autonomia.Abordagens terapêuticas e estilo de vidaO diagnóstico da névoa mental é estritamente clínico. Entre as opções de tratamento, a Terapia de Reposição Hormonal (TRH) atua na estabilização dos níveis neuroquímicos, promovendo a melhora da clareza mental em um período de 4 a 12 semanas.Para pacientes com contraindicações à reposição hormonal, alternativas como fitoterapia, práticas integrativas e adaptações na rotina oferecem suporte efetivo. A prática regular de exercícios aeróbicos, a adoção de uma dieta equilibrada e a higiene do sono possuem respaldo científico para estimular a neuroplasticidade. Médicos alertam contra a automedicação e o uso excessivo de café ou estimulantes, hábitos que podem agravar a ansiedade e piorar a qualidade do descanso.

Fonte original: https://dol.com.br/carajas/noticias/962910/nevoa-mental-na-menopausa-nao-e-demencia-entenda