Uma investigação iniciada a partir de informações compartilhadas pelas autoridades de Israel levou a Polícia Federal até Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém. Na quarta-feira (4), uma mulher apontada como responsável por uma organização criminosa internacional foi presa suspeita de recrutar brasileiras para exploração sexual no exterior.A ação faz parte da Operação Dirty Dancing, que também cumpriu mandados de busca e apreensão no Pará e em Goiás. Além da prisão preventiva, a Justiça Federal determinou o bloqueio de bens e valores dos investigados até o limite de R$ 10 milhões e suspendeu as atividades de duas empresas ligadas à suspeita.Veja também Suspeito de tráfico morre após troca de tiros com a PM na PA-287Pai confirma morte de paraense que combatia na UcrâniaPolícia investiga morte de paraense após queda em hotel no MaranhãoCOMO FUNCIONAVA O ESQUEMADe acordo com a Polícia Federal, o grupo utilizava redes sociais e aplicativos de mensagens para atrair mulheres interessadas em viajar para fora do Brasil. A organização providenciava passagens e hospedagens, enquanto outros integrantes divulgavam anúncios em plataformas especializadas e organizavam encontros com clientes.As investigações apontam que a atuação não se restringia a Israel. Há suspeitas de que brasileiras também tenham sido exploradas em outros países. A PF, porém, não divulgou quantas mulheres foram recrutadas nem o número de possíveis vítimas identificadas.Outro ponto apurado é a movimentação do dinheiro obtido com a exploração. Segundo os investigadores, os valores eram recebidos em espécie no exterior e enviados ao Brasil por meio de brasileiros residentes em outros países, utilizando um sistema clandestino de câmbio.OPERAÇÃO TEVE AÇÕES NO PARÁ E EM GOIÁSDurante a operação, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão em Ananindeua e um em Goiânia, capital de Goiás. Além da mulher presa, outros dois investigados passaram a cumprir medidas cautelares, como apreensão de passaportes, monitoramento eletrônico e proibição de deixar o Brasil.A Justiça também determinou o bloqueio de até R$ 10 milhões em bens e valores. O montante representa o limite autorizado para a medida judicial e não significa que todo esse valor já tenha sido localizado ou apreendido.A Polícia Federal não divulgou os nomes dos investigados. Aparelhos e documentos recolhidos durante as buscas devem auxiliar na identificação de outras pessoas envolvidas e na dimensão financeira da organização.INVESTIGAÇÃO COMEÇOU EM 2025As apurações tiveram início em fevereiro de 2025, após informações repassadas pela Polícia de Israel sobre a possível atuação do grupo. A cooperação entre os dois países permitiu reunir elementos sobre o recrutamento, o deslocamento das mulheres e a estrutura financeira da organização.Os investigados poderão responder por organização criminosa, tráfico de pessoas, favorecimento da prostituição, rufianismo, promoção de migração irregular e operação ilegal de câmbio. A investigação segue em andamento, e as medidas judiciais não representam condenação.
Fonte original: http://dol.com.br/carajas/noticias/para/967446/pf-prende-suspeita-de-chefiar-rede-de-exploracao-sexual-no-para
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