Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos identificou resultados promissores no uso de um medicamento experimental para combater alterações provocadas pelo envelhecimento no fígado. Testado em ratos idosos, o cinaciguat conseguiu recuperar estruturas responsáveis pela filtragem do sangue, reduzir em aproximadamente 50% os níveis de beta-amiloide e normalizar as taxas de colesterol LDL.Os resultados foram divulgados em 26 de setembro no Journal of Biological Chemistry, por pesquisadores da Escola de Medicina Keck, da Universidade do Sul da Califórnia (USC).CONTEÚDOS RELACIONADOS:Esquecimento é sintoma: quando é hora de investigar?Teste com cotonete pode evitar biópsias em casos suspeitos de câncerO trabalho analisou como o avanço da idade interfere na capacidade do fígado de eliminar determinadas substâncias presentes na corrente sanguínea. Durante duas semanas, os animais receberam o medicamento e apresentaram melhorias no funcionamento de células fundamentais para esse processo.Um dos achados que despertou maior interesse foi a redução da beta-amiloide, proteína relacionada ao desenvolvimento da doença de Alzheimer. Quando acumulada no cérebro, ela pode formar placas características da condição. Os cientistas alertam, entretanto, que a diminuição da proteína no sangue ainda não comprova prevenção ou tratamento da doença.Tratamento recupera estruturas de filtragem do fígadoA investigação teve como foco as células endoteliais sinusoidais hepáticas, responsáveis por revestir pequenos vasos sanguíneos do fígado. Elas possuem pequenas aberturas que permitem a passagem de moléculas até os hepatócitos, células encarregadas de processar e eliminar substâncias do organismo.Com o envelhecimento, essas estruturas podem ficar menores ou desaparecer, comprometendo a capacidade de filtragem do órgão.Nos animais que receberam cinaciguat, os pesquisadores identificaram a recuperação dessas aberturas microscópicas. As células também voltaram a apresentar características semelhantes às observadas em animais mais jovens. Paralelamente, a concentração de beta-amiloide no sangue caiu pela metade.“Em vez de tentar levar um medicamento através da barreira hematoencefálica, o que é extremamente difícil, poderíamos direcioná-lo ao fígado”, explicou Sam de Leve, primeiro autor da pesquisa, em comunicado.A barreira hematoencefálica funciona como uma proteção natural do cérebro, dificultando a entrada de diversas substâncias, inclusive alguns medicamentos.Estudo também identificou melhora no colesterolOutro resultado importante foi a redução do colesterol LDL, conhecido como colesterol ruim. Após o tratamento, os índices dos animais idosos chegaram a níveis semelhantes aos registrados nos ratos mais jovens.Inicialmente, a equipe não esperava essa resposta, já que as partículas de LDL conseguem circular pelos vasos sanguíneos sem depender das pequenas aberturas das células analisadas.Para entender o fenômeno, os cientistas identificaram que o medicamento também restabeleceu a comunicação entre dois tipos de células do fígado.O cinaciguat ativou uma enzima nas células endoteliais, estimulando a liberação de uma molécula chamada HB-EGF. Esse sinal químico atua sobre os hepatócitos e aumenta a capacidade dessas células de retirar beta-amiloide e colesterol LDL da circulação sanguínea.A descoberta abre novas possibilidades para pesquisas sobre tratamentos que utilizem o próprio funcionamento do fígado como estratégia para eliminar substâncias associadas a problemas de saúde.Quer receber notícias direto no celular? Acesse nosso canal no WhatsApp!Apesar dos resultados, ainda não há confirmação de que os mesmos benefícios possam ser alcançados em seres humanos. Os pesquisadores pretendem realizar novos testes em animais para verificar se a redução da beta-amiloide no sangue também pode proteger contra alterações relacionadas ao Alzheimer.O cinaciguat continua em fase experimental e não possui aprovação para utilização no tratamento ou na prevenção da doença de Alzheimer.

Fonte original: http://dol.com.br/noticias/te-cuida/967261/remedio-experimental-recupera-figado-e-reduz-proteina-ligada-ao-alzheimer